Domingo, 12 de Julho de 2009

«O casal de idosos que seguia no carro sofreu ferimentos ligeiros»

«[...] o homem apresentava um traumatismo abdominal grave e a mulher ficou politraumatizada.»

Sábado, 11 de Julho de 2009

Tiroteio no Vaticano

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Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

O Vasco Graça Moura

classifica de “grotesca cena parlamentar” o risível, inócuo e ternurento par de cornichos que o pândego Pinho fez um destes dias ao nortecoreano Bernardino.
Tirando este passageiro excesso, o escritor - é nessa qualidade que assina - traz-nos hoje uma crónica inesperadamente suave, simpática e compreensiva para a governação do país, sem perda do discernimento de sempre; de discretíssimo, contido e elegante platonismo sem, por uma vez, ter usado a palavra Manuela; e até, como é próprio de um humanista sensível e atento ao tempo, não deixando de render seu preito ao RIPper Michael Jackson na parte, carinhosa e comovente, em que diz, cito, tanto o primeiro-ministro como alguns dos seus ministros deviam pintar a cara de negro e deixar de aparecer a dizer disparates na televisão e nos jornais.
Em bom português, chapeau!

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Dia de santo António Pecci Filho, nascido em 6 de Julho de 1946

O Toquinho actuou em Serpa, em 9 de Junho passado, no “VI Encontro de Culturas" [foto da actuação].
Na véspera, gravara para as “Vozes da Lusofonia”, de Edgar Canelas, a edição que a Antena 1 passou ontem, dia 5, em torno do lançamento em Portugal do CD “Toquinho e MPB4 - 40 Anos de Música”, preenchido com 38 temas registados ao vivo, em S. Paulo, entre 25 e 26 de Setembro de 2008.
Temas que o Edgar Canelas escolheu e partes da fala do Toquinho, que toca e fala que se desunha, que me apetece transcrever [vá, phones nisso, vale a pena; são só 48 minutos]:

"Tarde em Itapoã" [Toquinho / Vinicius de Moraes]
"Morena Flor" [Toquinho / Vinicius de Moraes]
"Jesus, alegria dos homens" [J. S. Bach - instrumental]
"Bachianinha n.º 1" [Paulinho Nogueira - instrumental]
"Marina" [Dorival Caymmi]
"Samba da minha terra" [Dorival Caymmi]
"Saudade da Bahia" [Dorival Caymmi]
"A casa" [Vinicius de Moraes]
"Berimbau" [Baden Powell / Vinicius de Moraes]

Eu dei a Vinicius o que ele não tinha mais na vida dele, que era juventude, vigor, vontade de fazer as coisas, uma bagagem enorme de melodias, e ele me deu um know-how técnico de vida, o aval do poeta; então tudo isso nos foi dado assim mutuamente.

Você tem que estudar tedescamente* o instrumento para poder chegar no palco e aquilo fazer parte do teu corpo.

Fiz questão de não colocar [no livro “Toquinho - 40 anos de música”] a minha vida particular, meus envolvimentos amorosos, nada, porque pessoas que eu namorei - eu namorei bastante na minha vida - então eram pessoas que já estavam casadas com filhos, eu não queria comprometê-las, então eu não quis essa coisa íntima […] fala - no livro - só da minha família, da família que eu constituí com Mónica e 2 filhos, e eu me limitei a isso; mas não entrou mais nada muito pessoal .**

Joana é a filha do meio de Francis Hime. Estas coisas emocionam-me, merda. Lá maior.
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* Italo-alemanzada deliciosa. Diríamos, por cá, 'com disciplina prussiana', sei lá.
** Questão interessante - questão? - seria saber se o malandreco do Toquinho continuou a namorar quando a própria Mónica já estava casada com ele, com filhos e isso; vice-versa, reciprocamente e tudo o mais que a vida não estranha.

José Sócrates, Alberto Gonçalves, Manuela Ferreira Leite

Para aquilo que num país usa prestar e é preciso que preste um primeiro-ministro, o José Sócrates tem sido do melhor que há. Quanto a mim, não houve mesmo melhor nos últimos 35 anos e não vejo entre os visíveis pretendentes ao cargo, pelo menos para os tempos mais próximos, quem reúna qualidades mais adequadas. Pena que seja um bocado mentiroso e um bocadinho piroso*; pena, até, que não disponha do lastro histórico-filosófico, como se dizia nos tempos de estudante do meu ortónimo, de um, vá lá, Soares, que detesto; mas, ainda assim, Sócrates é o melhor. Não é tão bom em línguas como o Barroso nem tão inteligente e ladino como o Vitorino, mas é o melhor a primeiro-ministro. Foi um nojo como se comportou na história do Pedroso/Casa Pia; é lastimável que tenha deixado cair o Correia de Campos e que não tenha posto na ordem o Alegre, mas, nem por isso, deixa de ser o melhor. Etc.

O Alberto Gonçalves [AG] escreve - e poucos escrevem tão bem - o que lhe apetece sobre o que lhe apetece, e ainda bem. Despreza, achincalha e execra o Sócrates e o seu governo, lá com ele. Mas venera a Dra. Manuela Ferreira Leite, e isso, sendo igualmente com ele, faz-me espécie; assim como me faz espécie e surpreende, em tão demonstrados, desde há tanto tempo, lucidez, graça e bom gosto*, o toldamento de certos e determinados - ahahahah - considerandos que ultimamente tem expendido.
Ainda nos “Dias contados” de 28 de Junho, escrevia o AG «[...] Por acaso, Manuela Ferreira Leite saiu-se bem da entrevista à Sic. [...]» Saiu-se bem? Por amor de Deus, nem parece seu, Dr. Alberto. Com que olhos e ouvidos assistiu à entrevista? De um apaniguado, tá visto. Eu vi e revi meia dúzia de vezes a prestação da Sra. Dra. Manuela Leite, a ponto de a saber quase de cor, e, garanto, aquilo foi um descalabro. A velha não apresentou uma ideia fresca que se visse de governação; foi trapalhona, mentirosa, esquiva, demagoga e inculta. Depois, a deprimente dirigente não sabe português, não sabe falar. Ainda por cima, Deus me perdoe, é feia, o que ajuda pouco. Velha bonita era, por exemplo, a minha mãe e é, por exemplo, a minha tia Celeste, essas sim. E há-de sê-lo, daqui a uns 70 anos, se Deus quiser, a Ana Lourenço.
Decerto toldado pelo proselitismo, o Alberto Gonçalves não reparou em como, por exemplo, a criatura trocou por 3 vezes formas por fórmulas. Ora oiça: minuto 22:14 [entendiam que havia outras fórmulas de resolver os problemas]; 22:29 [portanto mas havia outros processos, outras fórmulas de poder ter resolvido esse processo]; 42:27 [é necessário criar fórmulas de as empresas se desenvolverem]. Pormenor despiciendo? Para mim, não seria preciso mais nada para desacreditação insanável de uma singela contabilista, quanto mais de uma licenciada pelo ISCEF com 16 valores, antiga péssima ministra, actual candidata à chefia da governação.

Já nos “Dias contados” de ontem, diz AG a abrir: «Segunda-feira, 29 de Junho. O ministro das Finanças encontrou "os sinais de que estaremos, porventura, a chegar ao fim desta crise". Tomada como propaganda rasteira, a frase foi demolida em público pela oposição, por comentadores e por peritos que não vêem motivos para tamanho optimismo. […] ninguém notou a extraordinária modéstia do ministro, que evitou atribuir ao Governo qualquer mérito pelo presuntivo fim da crise. Se acabar, a crise acaba "porventura", ou seja, por acaso, sorte, fortuna. Aliás, não poderia ser de outra forma, visto que o Governo ainda está por lançar os grandes investimentos públicos que iriam resolver a crise. Entretanto, eis que a crise ameaça resolver-se por si, ou porventura, o que em princípio dispensa os investimentos, não é? Não exactamente. [...]»
Não reparei na modéstia do ministro, mas reparo na colocação do advérbio. Vá lá, AG, não seja habilidoso, fica-lhe mal, não precisa. Não se diz na frase do ministro de que modo ou por que razão a crise estará a acabar; sim que talvez - porventura - esteja a acabar. É outra coisa, não, Sr. Dr.?
Finalmente, o AG entende relevar, na semana que nos conta, o recidivo caso da insuportável e desavergonhada prima-dona Dona Maria João Pires, pianista emérita - como se isso a dispensasse de recibo -, para uma injusta, admito que mal informada para não dizer desonesta, arrochada no governo, ao mesmo tempo que poupa a dilecta e inefável Manuela à história da venda da rede fixa à PT, em 2002. Enfim, para semanas compridas em crónicas apertadas mandam o critério da liberdade de escolha e as escolhas do coração...
Mas que raio de propriedades alucinogénias tem o diabo da velha e rançosa social-democrata, que até aos génios alucina?
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* E explica-nos cá, ó Plúvio: o bom gosto que gosto é?

Sábado, 4 de Julho de 2009

ou de como

Não há pachorra para a pedantice dos títulos que se auto-explicam e explanam com a expressão "ou de como", tipo Cagar no recato ou de como a língua tem os seus quês.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

A superioridade autista, a imunidade ao estertor e outras monstruosidades

ou de como para se compreender tem que se pensar.

No “Jornal das 9” de ontem, na SIC Notícias, o jornalista Mário Crespo [MC] e o professor de Filosofia José Gil [JG] entretiveram-se durante 25 minutos a malhar no Sócrates, com a promoção em fundo do livro “Em busca da identidade – O desnorte” [Relógio d’ Água, 2009].

:20 [JG]- Foi tão chocante [a cena dos cornichos do Pinho ao Bernardino] que para se compreender o que se passou tem que se pensar nesse choque […] quer dizer que aquilo era a manifestação de uma superioridade autista*, quer dizer, um homem que está habituado a falar com outro homem e que o respeita não fala assim.
Por alguma razão, Le Novel Observateur elegeu o filósofo JG, em 2005, entre os 25 maiores pensadores do mundo.

12:54- Ó merda, que me esqueci de pôr esta gaita no silêncio!

14:44 [MC]- e de facto, hoje o discurso do estado da Naç da União tinha tudo disso.
Não é fácil manter-se imune a 7 anos [1991-1997] de correspondente da RTP em Washington.

22:35 [MC]- … em que o governo escuda-se numa posição: Sim, senhora, têm todo o direito a protestar, nós temos o direito a governar, nós temos a missão de governar e pronto, e continuamos a governar, na maior parte por decreto e por diploma, fechados em salas, imunes ao estertor** de, por exemplo, de comunidades inteiras de profissionais.
[JG]- Absolutamente, eu acho que isso é uma monstruosidade democrática, é uma monstruosidade para a democracia.
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Pauzinhos

Que quererá o óptimo do Bandeira dizer com isto?

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Directiva 2009/77/CE, da Comissão, de 1 de Julho de 2009


Depois digam que não avisei.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

«[...] a prioridade

deveria ir para a recuperação urbana, para os transportes públicos de proximidade e para as indústrias criativas e culturais. [...]»

Então, não?

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

J.-M. Nobre-Correia

[j-m.nobre-correia@ulb.ac.be]
Ter um nome simples é bênção; facilita a assinatura, o trato e o contacto.
Por isso, nada como ser "-" por parte da mãe e "-" por parte do pai.

Só agora pude assistir à entrevista da Dra. Manuela Ferreira Leite

à SIC, faz 5 dias. Sim, que eu não tenho vida para isto.

No despejo inchado e balofo de evidentementes, efectivamentes, exactamentes, obviamentes e portantos, foi preciso esperar 38 minutos e 40 segundos para que da pavorosa, ridente, e bem penteada sexagenária se soltasse uma ideia - sem qualquer outra a montante ou a jusante - de remédio para os males do país:
porque exactamente tudo aquilo que sejam investimentos chamados investimentos de proximidade que tenham efeitos imediatos, que sejam bons para a criação de emprego, que tenham efeitos imediatos no país, são bons; e eu não ficaria só pelo parque escolar, passaria também pela recuperação do património, pela reabilitação urbana, por recuperação de hospitais, portanto, tudo o que sejam investimentos de proximidade. E já viu se os dinheiros por exemplo que está alocado para o TGV, por exemplo, fosse para recuperação, isso aí defenderia, da linha férrea nacional, provavelmente tinha muito mais impacto dentro do país do que qualquer outro tipo de
Proximidade, pois. Ah, e sempre com as pequenas e médias empresas.

E ao minuto 26, aquele pestanejar de colibri enrascado, a propósito do Dr. Dias Loureiro?...
mas oiça, eu não me manifesto, não faço juízos de valor sobre as pessoas.
Vá lá, caríssimo leitor, recue 15 segundos e atente bem na pestanuda e nervosa vertigem.

Ademais, juro que a senhora disse estas coisas:

- entendo que os resultados das eleições depende efectivamente daquilo que os eleitores querem

- e não é pelo facto de nós pedirmos maioria absoluta ou deixar de pedir maioria absoluta que ela se é adquirida ou não é adquirida

- aquilo que eu acho que os eleitores têm de ter consciência não é que querem ou não querem substituir o engenheiro Sócrates

- chamar à atenção das pessoas que ou querem o governo socialista ou não querem

- ponderem naquilo que querem país

- e se há coisas que desacreditou os políticos foi

- e para esse contribuição eu penso trabalhar

- acho que o PSD deu exactamente a imagem daquilo que eu tracei o caminho para o partido

- as [preocupações] fulcrais para mim é ganhar as eleições

- como é que foi possível que um primeiro-ministro ao falar do país e ao falar do futuro do país não pronunciou uma única vez

- aquilo que o engenheiro Sócratas herdou

- há um ponto que eu não tenho nenhuma dúvida

- linhas de crédito normalmente como foram apresentadas em primeiro lugar conduz a que as empresas

- portanto, estou em desacordo total contra isso

- entendiam que havia outras fórmulas de resolver os problemas

- portanto mas havia outros processos, outras fórmulas de poder ter resolvido esse processo

- olhe, de uma coisa lhe posso garantir: é que nunca teria estado oito meses calada

- esse problema é um problema que não pode um governo cruzar os braços e ficar indiferente

- e não fazer coisas que levam ao empobrecimento do país que é aquilo que conduz estes grandes investimentos públicos

- não tenho nada contra os comboios, não tenho nada contra os TêVêGês [TGV]

- não existe um único - um só! - economista credível que não diga aquilo que eu estou a dizer [Ah faneca]

- portanto, a única coisa que eu penso, espero, é que ele não venha a tomar uma decisão

- e portanto eu não tenho dúvidas nenhumas que é uma política completamente oposta à do engenheiro Sócrates

- é necessário criar fórmulas de as empresas se desenvolverem

- nós temos é que levar as pessoas a ter esperança de que efectivamente é possível fazer melhor … de resto, nem é muito difícil fazer melhor, porque estamos exactamente a ir no caminho contrário àquilo a que devemos. Eu considero - e digo isto sentidamente e convictamente - de que se nós continuarmos com esta política que tem estado a ser seguida que tem-nos levado a empobrecer, vamos continuar a empobrecer e podemos ficar irremediavelmente pobres.

- e portanto aquilo que eu farei é com certeza aquilo que é dito que se faz é para ser feito e tem que ter uma transparência e as pessoas saberem donde é que está a vir esse dinheiro

- claro que não é e ninguém acredita que não é [ahahahah]

- o primeiro-ministro disse duas coisas que são muitíssimo preocupantes: a primeira foi que não falou verdade quando disse claramente à comunicação social que não sabia de nada

- foi uma frase que eu acho que lhe fugiu a boca para a verdade

Confrange-me imaginar isto a primeiro-ministro. Mas vendo melhor, onde estaria o espanto? Não está já a presidente uma crispada, rígida, agastadiça, algo bronca e atarantada figura? Posto que séria, vá lá. E enfim, o riso da Manuela sempre é mais bonito.
Ai, Manuela.

Domingo, 28 de Junho de 2009

O Diário de Notícias não larga o lince

que, como informado em 29 de Março e reiterado em 24 de Maio passados, não pressegue mais a sua presa se esta conseguir escapar. "Método de caça" sem novidades.
Infografia. Fonte: Naturlink; El País...
Por supuesto.
Foda-se lá com a incompetência e a falta de brio. É demais! Eu até que gosto do DN.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Quem nos livra da praga da proximidade?

Na "Exposição de motivos" de um projecto de lei idiota e contranatura - "Projecto de Lei n.º 832/X", de 16.Jun.2009 -, "As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda" dizem:

«[...] Volvidos mais de 10 anos sobre a publicação de tais diplomas*, assistimos a uma proliferação de grandes superfícies comerciais em todo o território nacional. Dada a possibilidade de estas prosseguirem uma política de preços com os fornecedores** assaz agressiva, proporcionada pela dimensão dos grupos económicos onde normalmente se integram, impossibilitam a competição do pequeno comércio de proximidade, muitas vezes de cariz familiar, levando ao inexorável decréscimo de clientes e ao consequente encerramento de muitas pequenas empresas de comércio a retalho. [...]»
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* Decreto-Lei n.º 48/96, de 15 Maio; Portaria n.º 153/96, de 15 de Maio
** Não deveria ser "as fornecedoras e os fornecedores"? Ai, ai, senhoras e senhores, respectivamente, deputadas e deputados...

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

28, noves fora, Manuela

Também li, nos jornais e no sítio, o inocente, generoso, desinteresseiro, preocupado e empenhado "Apelo" dos 28 querubins, incluindo a Professora Doutora Fátima Barros, sim, que os anjos não têm sexo.

Ora bem, sem prejuízo do economês bárbaro, eivado de rentabilidade e de rentabilização, de sustentação e de sustentabilidade, de potencial e de competitividade, sempre por forma a, comum às duas versões, seria de supor que a versão sintetizada [VS] do "Apelo" constituísse uma versão sintetizada da versão alargada [VA] do "Apelo", com salvaguarda de que o que se afirmasse numa não resultasse sensivelmente modificado na outra. Vejamos, no cotejo de algumas perícopes, se é assim, para lá de um ou outro ocioso considerando como, por exemplo, o de que o Dr. Medina Carreira não passa, afinal, de um cordeirinho. Já agora, agradeço do coração a quem, sabendo de explicação não esotérica do lugar que o querubim Dr. Alexandre Patrício Gouveia ocupa na lista, ma faça chegar ao algeroz.

Na última década a economia portuguesa teve o pior desempenho relativo dos últimos oitenta anos.
[VA e VS]
Claro que “1 em 80” impressionará mais do que “1 em 8” [uma em oito décadas] ou do que “10 em 80”. De resto, até poderia ter-se escrito, sem grande ofensa da verdade, “Nas últimas 8 décadas a economia portuguesa teve o pior desempenho dos últimos 80 anos”.

O novo contexto despoletado pela crise internacional representa o fim da era do endividamento fácil
O novo contexto iniciado pela crise internacional representa o fim da era do endividamento fácil

Da VA para a VS alguém se lembrou, e bem, de que 'despoletar' não é sinónimo de 'iniciar' ['espoletar']; é praticamente o contrário.

impactos previsíveis no rendimento nacional (e não apenas no PIB), no défice externo e na dívida pública directa e indirecta
impactos previsíveis no rendimento nacional, na dívida externa e na dívida pública directa e indirecta
Não esquecer: 'dívida' é um 'défice' sintetizado.

melhoria da competitividade das empresas, em especial das micro, pequenas e médias empresas, que representam a maior parcela do tecido produtivo;
melhoria da competitividade das empresas, em especial das pequenas e médias empresas, que representam a maior parcela do tecido produtivo do País e do emprego;
Demonstração de como o pensamento sintetizado pode conduzir ao extermínio de algumas empresas e ao acréscimo de algumas palavras.

Portugal tem hoje uma rede viária eficiente e competitiva, pelo que não tem sentido estratégico o programa projectado (ou em curso) de pesados investimentos
Portugal tem hoje uma rede viária eficiente e competitiva, pelo que são justificadas dúvidas sobre o sentido estratégico do programa projectado (ou em curso) de pesados investimentos
Como é, afinal? Não tem sentido ou talvez não tenha sentido? Novo caso de síntese alargada.

as SCUTs e as novas sub-concessões rodoviárias, originarão encargos para as Estradas de Portugal
Que faz ali a merda da vírgula? E é 'subconcessões', mas enfim.

existem melhorias de infra-estruturas rodoviárias com efeitos positivos na produtividade, como as acessibilidades “last mile” e as estradas municipais de apoio ao desenvolvimento local
Numa palavra, proximidade, puro êxtase.

têm elevados custos de oportunidade, no que toca aos fundos públicos, aos apoios da UE e aos financiamentos
têm elevados custos de oportunidade no que toca aos fundos públicos, aos apoios da EU e aos financiamentos
Ou de como EU é o modo sintetizado de UE.

É evidente que as flutuações conjunturais da procura não podem, por si só, fundamentar uma decisão de adiamento futuro do aumento da capacidade aeroportuária da região de Lisboa. No entanto, permite, pelo menos, um ganho de três ou quatro anos em termos de previsão da saturação da capacidade instalada.
É evidente que as flutuações conjunturais da procura não podem, por si só, fundamentar uma decisão de adiamento futuro do aumento da capacidade aeroportuária da região de Lisboa. No entanto permite, pelo menos, um ganho de quatro ou cinco anos em termos de previsão da saturação da capacidade instalada.
A síntese alarga o que o alargamento encolhe, e quem não alcançar que quatro ou cinco é menos do que três ou quatro só pode ser pitosga. Já agora, quem é ou que é que permite?

o programa de investimentos públicos deve ser globalmente avaliado, atendendo ao seu elevado montante e à sua concentração temporal para uma década crítica para a economia portuguesa.
o programa de investimentos públicos deve ser globalmente avaliado, o que não foi ainda efectuado, atendendo ao seu elevado montante e à sua concentração temporal numa década crítica para a economia portuguesa.
Outra vez a síntese a esticar mais do que o alargamento. Uma vez mais, e bem, quem sintetizou apurou a gramática. Mas espera pela demora...

Para tanto, justifica-se recorrer ao apoio consultivo de um painel de economistas, engenheiros e gestores, nacionais e estrangeiros, de reconhecida competência e independência do poder político e dos interesses económicos em discussão.
Para tanto justifica-se recorrer ao apoio consultivo de um painel de economistas, gestores e engenheiros, portugueses e estrangeiros, de reconhecida competência e independência do poder político e dos interesses económicos em discussão.
Não confundir engenheiros e gestores com gestores e engenheiros; nem nacionais e estrangeiros com portugueses e estrangeiros. Gestores e engenheiros é a versão sintetizada de engenheiros e gestores; nacionais [9 letras], a versão alargada de portugueses [11 letras].
para tanto justifica-se não passa de síntese apressada de para tanto, justifica-se.

poder-se-ia aproveitar o “interregno político” dos próximos meses para realizar tal trabalho, por forma a que o novo Governo, a sair das eleições de Outubro, pudesse dispor de um conjunto de recomendações
poder-se-ia aproveitar o “interregno político” dos próximos meses para iniciar tal trabalho, por forma a que o novo Governo, pudesse dispor de um conjunto de recomendações
A vírgula estapafúrdia a seguir ao novo Governo da VS* é o que se pode tomar, com propriedade, por rabo de fora de um gato escondido. Por outro lado, espera-se que nenhum português, designadamente alentejano, desconheça que realizar é uma versão alargada de iniciar.

Se o fizermos, não só os portugueses ficarão mais informados sobre os projectos em questão, como o interesse nacional será mais facilmente salvaguardado.
Se o fizermos, não só os portugueses ficarão mais informados sobre os projectos em questão, como o interesse nacional será melhor salvaguardado.
Ámen.

Em resumo, doidas, doidas, doidas, andam as galinhas … - é isso.
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* A versão sintetizada é a que anda por aí, vistosa, nas parangonas sabe-se lá pagas por quem.
E não há quem meta o Patrício Gouveia na ordem, que nervos!

Sábado, 20 de Junho de 2009

«É o amor que dá sentido.»

«[...] Einstein constatou que quem sente a vida vazia de sentido não é feliz e sobrevive mal. O Homem não pode viver sem sentido. Aliás, a existência humana está baseada na convicção do sentido. A sua própria negação ainda o afirma. No limite, não é possível o "suicídio lógico", pois quem pegasse numa arma para suicidar-se, porque tudo é absurdo, negaria o absurdo e afirmaria o sentido. [...]
[...] o olho é intencional, isto é, não foi feito para se ver a si mesmo, mas o que não é ele. Paradoxalmente, só saindo de si é que o Homem encontra sentido. É o amor que dá sentido. Por isso, sente a vida como tendo sentido quem vê a sua existência reconhecida. A nossa vida não tem sentido, quando não vale para ninguém. [...]»
- Anselmo Borges, Que nos espera? / DN, 20.Jun.2009

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Dislate?

O calor dilata os copos.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Vou ser o sexagécimo terceiro treinador da história do Benfica

Cada um é o que pode.
Jorge Jesus [JJ] é português e - valha pelo menos isso, por agora, aos benfiquistas - fala em português, na mesma língua dos que mandam nele.
Mas antes, "duas palavras muito curtas" do senhor presidente e umas palavrinhas do senhor director desportivo, o maestro:
01:00, Luís Filipe Vieira- ... a certeza com ele iremos ambicionar aquilo que todos nós pretendemos.
01:29, Rui Costa- ... confiantes da capacidade deste treinador, confiantes da vontade e do desejo de ele tamém ser campeão.

02:35, JJ-
Vim pó Benfica não por razões económicas* … vim pó Benfica porque aquerdito nesse projecto desportivo … e tou a partir de agora disponível a todas as vossas perguntas que me queiram colocar.
Paulo Filipa [PF], jornalista da RTP, presumivelmente licenciado por uma universidade portuguesa, não desperdiçou a oportunidade:
03:15, PF- Jorge Jesus, em directo para a RTP, para o telejornal da RTP, a questão que lhe faço é a seguinte ...
Entretanto, 03:25, dizia no rodapé do televisor que a Amélia vai mugir no Teatro Aveirense a 21 de Junho.
04:28, PF- Alguma confusão agora nas questões das perguntas
.

Por mim, fiquei elucidado.
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* Amor à camisola é sempre uma coisa comovente.

Obamata-moscas

Googlei, não encontrei; vim aqui, num instante, só para patentear.

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Lembra-se desta?

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Diz no preâmbulo do Decreto-Lei n.º 139/2009, de 15 de Junho,

«[...] No âmbito da salvaguarda das manifestações do património cultural imaterial*, sobretudo no que diz respeito ao processo de inventariação, as direcções regionais da cultura desempenham um papel determinante, enquanto administração cultural de proximidade, no apoio necessário às comunidades, grupos ou indivíduos. Num procedimento desmaterializado que se opera por plataforma informática, esta colaboração dos serviços mais próximos da população é indispensável para garantir a efectiva participação dos interessados, o que constitui o principal objectivo do sistema. [...]».
Para que conste.
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* Só para que o leitor menos calhado nestas merdas faça uma ideia, o enterro do bacalhau de Soutocico ou a chega de bois de Montalegre integram, na sua mais lídima e desmaterializada imaterialidade, a alínea c) do n.º 2 do artigo 1.º. Já a etérea e assolapada paixão do Pacheco Pereira pela Ferreira Leite, sei lá, a alínea b)? Quanto aos saberes da Maya, não resta dúvida: alínea d). Mas não nos excitemos muito, que a coisa só entra em vigor daqui a um mês.

Domingo, 14 de Junho de 2009

O pior do ódio

é que liga.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Javardice, ainda

A coisa tem 1 mês e tal, o Luis Rainha já fez e escreveu o que havia a fazer e a escrever, alguns blogues e jornais abordaram a coisa, mas foda-se, ainda assim não se falou o bastante no assunto e o Sr. José Saramago merece que não o esqueçamos nunca, pois que é uma espécie de vaca sagrada tocada de intangibilidade ética, é seguido e venerado por presuntivos sentido de justiça, clarividência, génio, honradez e lisura; é nosso Nobel, porra. Além de que tenho de ocupar o Corpo de Deus numa merda qualquer, de maneiras que foi assim…

O competentíssimo norte-americano Mike Davis [urbanista marxista, geógrafo marxista, historiador marxista, romancista marxista, divulgador marxista, autodidacta marxista, uf marxista] escreveu no Guardian de 27.Abr.2009 um artigo sobre a gripe A, suína na altura, com o título “The swine flu crisis lays bare the meat industry's monstrous power”, traduzido e publicado por Luís Leiria no esquerda.net em 28.Abr.2009, tradução que o Nuno Ramos de Almeida postou no 5dias.net em 29.Abr.2009, com indicação de fontes e autorias.
Em 28.Abr.2009, o portal do proto e tardocomunista sin permiso [... un proyecto político de crítica de la cultura, material e intelectual, del capitalismo contrarreformado, desregulado, remundializado y reliberalizado del siglo XXI.
Convergemos también en un pronóstico común sobre los peligros del aparente rejuvenecimiento experimentado por el capitalismo contrarreformado en las últimas décadas, que ha multiplicado visiblemente por doquier el poder opresor, destructor y descivilizador de los ricos, esa minoría de eternos insatisfechos, descreadores de la Tierra. Y convergemos finalmente en la común convicción - que nos mantiene a todos en la tradición socialista - de que es urgentemente necesaria una reforma de la civilización que supere a la economía tiránica del capitalismo.
El nombre de sinpermiso es un pequeño homenaje a un cierto Marx, que, precisamente por enlazar conscientemente con lo más viejo - la milenaria tradición revolucionaria republicano-democrática-, nos parece también el más actual
…]
, a cujo conselho editorial o marxista Mike Davis, por coincidência e estranho acaso, pertence, publicara igualmente o artigo, com tradução de Marta Domènech e de María Julia Bertomeu, sob o título “La gripe porcina y el monstruoso poder de la gran industria pecuaria”.
Aqui vai parte dessa tradução castelhana, com o contraste cromático [o Luís Rainha foi o primeio a fazê-lo] que convém ao meu presente propósito - depois, é só comparar [A] com [A] e [B] com [B]:
[A] Hace mucho que los virólogos están convencidos de que el sistema de agricultura intensiva de la China meridional es el principal vector de la mutación gripal: tanto de la "deriva" estacional como del episódico "intercambio" genómico. Pero la industrialización granempresarial de la producción pecuaria ha roto el monopolio natural de China en la evolución de la gripe. El sector pecuario se ha visto transformado en estas últimas décadas en algo que se parece más a la industria petroquímica que a la feliz granja familiar que pintan los libros de texto en la escuela.
En 1965, por ejemplo, había en los EEUU 53 millones de cerdos repartidos entre más de un millón de granjas; hoy, 65 millones de cerdos se concentran en 65.000 instalaciones. Eso ha significado pasar de las anticuadas pocilgas a ciclópeos infiernos fecales en los que, entre estiércol y bajo un calor sofocante, prestos a intercambiar agentes patógenos a la velocidad del rayo, se hacinan decenas de millares de animales con más que debilitados sistemas inmunitarios.
[B] El año pasado, una comisión convocada por el Pew Research Center publicó un informe sobre la "producción animal en granjas industriales", en donde se destacaba el agudo peligro de que "la continua circulación de virus (…) característica de enormes piaras, rebaños o hatos incremente las oportunidades de aparición de nuevos virus por episodios de mutación o de recombinación que podrían generar virus más eficientes en la transmisión entre humanos". La comisión alertó también de que el promiscuo uso de antibióticos en las factorías porcinas - más barato que en ambientes humanos - estaba propiciando el auge de infecciones estafílocóquicas resistentes, mientras que los vertidos residuales generaban brotes de escherichia coli y de pfiesteria (el protozoo que mató a mil millones de peces en los estuarios de Carolina y contagió a docenas de pescadores).
Cualquier mejora en la ecología de este nuevo agente patógeno tendría que enfrentarse con el monstruoso poder de los grandes conglomerados empresariales avícolas y ganaderos, como Smithfield Farms (porcino y vacuno) y Tyson (pollos). La comisión habló de una obstrucción sistemática de sus investigaciones por parte de las grandes empresas, incluidas unas nada recatadas amenazas de suprimir la financiación de los investigadores que cooperaran con la comisión.
Se trata de una industria muy globalizada y con influencias políticas. Así como el gigante avícola Charoen Pokphand, radicado en Bangkok, fue capaz de desbaratar las investigaciones sobre su papel en la propagación de la gripe aviar en el sureste asiático, es lo más probable que la epidemiología forense del brote de gripe porcina se dé de bruces contra la pétrea muralla de la industria del cerdo.
Eso no quiere decir que no vaya a encontrarse nunca una acusadora pistola humeante: ya corre el rumor en la prensa mexicana de un epicentro de la gripe situado en torno a una gigantesca filial de Smithfield en el estado de Veracruz. Pero lo más importante - sobre todo por la persistente amenaza del virus H5N1 - es el bosque, no los árboles: la fracasada estrategia antipandémica de la OMS, el progresivo deterioro de la salud pública mundial, la mordaza aplicada por las grandes transnacionales farmacéuticas a medicamentos vitales y la catástrofe planetaria que es una producción pecuaria industrializada y ecológicamente desquiciada.



Em 29.Abr.2009, José Saramago, marxista português, Nobel da Literatura, assinou, n’ O Caderno de Saramago e no Diário de Notícias, a 1.ª de duas crónicas intituladas “Gripe suína”, sem qualquer menção ao nome de Mike Davis ou uso de aspas que dessem a entender frases, períodos ou parágrafos de urdidura alheia, sem prejuízo da prevenção aos leitores de que a sua compreensão do caso - e, naturalmente, o condensado do seu texto - resultava de observação atenta do que os meios de comunicação social vinham informando sobre o assunto:
«Gripe Suína (1)
Não sei nada do assunto e a experiência directa de haver convivido com porcos na infância e na adolescência não me serve de nada. Aquilo era mais uma família híbrida de humanos e animais que outra coisa. Mas leio com atenção os jornais, ouço e vejo as reportagens da rádio e da televisão, e, graças a alguma leitura providencial que me tem ajudado a compreender melhor os bastidores das causas primeiras da anunciada pandemia, talvez possa trazer aqui algum dado que esclareça por sua vez o leitor.
[A] Há muito tempo que os especialistas em virologia estão convencidos de que o sistema de agricultura intensiva da China meridional foi o principal vector da mutação gripal: tanto da “deriva” estacional como do episódico “intercâmbio” genómico. Há já seis anos que a revista Science publicava um artigo importante em que mostrava que, depois de anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte havia dado um salto evolutivo vertiginoso. A industrialização, por grandes empresas, da produção pecuária rompeu o que até então tinha sido o monopólio natural da China na evolução da gripe. Nas últimas décadas, o sector pecuário transformou-se em algo que se parece mais à indústria petroquímica que à [1] bucólica quinta familiar que os livros de texto na escola se comprazem em descrever…
Em 1966 [1965, enfim...], por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de suínos distribuídos por um milhão de granjas. Actualmente, 65 milhões de porcos concentram-se em 65.000 instalações. Isso significou passar das antigas pocilgas aos ciclópicos infernos fecais de hoje, nos quais, entre o esterco e sob um calor sufocante, prontos para intercambiar agente patogénicos à velocidade do raio, se amontoam dezenas de milhões de animais com mais do que debilitados sistemas imunitários.
Não será, certamente, a única causa, mas não poderá ser ignorada. Voltarei ao assunto.»

Em 30.Abr.2009, n’ O Caderno de Saramago e no Diário de Notícias, a 2.ª crónica, nada de Mike Davis, nada de aspas:
«Gripe suína (2)
Continuemos.
[B] No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um relatório sobre a “produção animal em granjas industriais, onde se chamava a atenção para o grave perigo de que a contínua circulação de vírus, característica das enormes varas ou rebanhos, aumentasse as possibilidades de aparecimento de novos vírus por processos de mutação ou de recombinação que poderiam gerar vírus mais eficientes na transmissão entre humanos”. A comissão alertou também para o facto de que o uso promíscuo de antibióticos nas fábricas porcinas – mais barato que em ambientes humanos – estava proporcionando o auge de infecções estafilocócicas resistentes, ao mesmo tempo que as descargas residuais geravam manifestações de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou milhares de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).
Qualquer melhoria na ecologia deste novo agente patogénico teria que enfrentar-se ao monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e ganadeiros, como Smithfield Farms (suíno e vacum) e Tyson (frangos). A comissão falou de uma obstrução sistemática das suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas umas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento dos investigadores que cooperaram com a comissão. Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas. Assim como o gigante avícola Charoen Pokphand, radicado em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre o seu papel na propagação da gripe aviária no Sudeste asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do surto da gripe suína esbarre contra a pétrea muralha da indústria do porco. Isso não quer dizer que não venha a encontrar-se nunca um dedo acusador: já corre na imprensa mexicana o rumor de um epicentro da gripe situado numa gigantesca filial de Smithfield no estado de Veracruz. Mas o mais importante é o bosque, não as árvores: a fracassada estratégia antipandémica da Organização Mundial de Saúde, o progressivo deterioramento da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industralizada e ecologicamente sem discernimento.
Como se observa, os contágios são muito mais complicados que entrar um vírus presumivelmente mortal nos pulmões de um cidadão apanhado na teia dos interesses materiais e da falta de escrúpulos das grandes empresas. Tudo está contagiando tudo. A primeira morte, há longo tempo, foi a da honradez. Mas poderá, realmente, pedir-se honradez a uma transnacional? Quem nos acode?»


Em 07.Mai.2009, na Sábado/Blogue de Esquerda, Luís Rainha dá conta, com pertinente e acurada profusão de prova, de que “Algo de estranho se passou no DN”. [Desenvolvimento]

No mesmo 07.Mai.2009 e em sequência, “Gripe suína (1)” d’ O Caderno recebe esta virginal, malcontrita e soberba apostila:
«07/05/09 - Nota: Na semana passada José Saramago escreveu sobre a gripe, então chamada suína. O seu texto, baseado em “alguma leitura providencial” [2], segundo se diz logo ao princípio, deveria ter levado aspas nas transcrições feitas [3] e a citação concreta da fonte donde procediam. Igualmente, a fotografia que acompanhava o texto deveria ter uma legenda que tão-pouco apareceu. Estas faltas, devidas a um problema de conversão [4], em nada atribuíveis a José Saramago [5], tiveram lugar no processo de divisão e reenvío [1] do texto. Fique agora claro que Saramago citava um artigo de Mike Davis (cujo link deveria ter aparecido [3]), publicado na revista digital “Sin permiso” e intitulado “La gripe porcina y el monstruoso poder de la gran industria pecuaria” no qual se informa que a industria pecuária poderia estar criando bases para possíveis pandemias. Mike Davis é autor do livro”El monstruo llama a nuestra puerta” publicado em Espanha por Ediciones El Viejo Topo e traduzido por María Julia Bertomeu, em que se alertava para a gripe aviar [1]. Quanto à fotografia do grupo escultórico com máscara na boca, e publicada pelo portal Yahoo México, mencionava-se que recorda uma cena de “Ensaio sobre a cegueira” quando a mulher do médico entra numa igreja e vê que as imagens têm os olhos tapados. Fernando Meirelles, no seu filme, recolhe essa imagem. Lamentamos que este problema técnico [4] tenha dado lugar a mal-entendidos e, sobretudo, que não tivesse ficado convenientemente reconhecido o trabalho de Mike Davis. Como quer que seja, José Saramago está consciente de que deve desculpas a Mike Davis [6]. Espera que elas lhe sejam aceites [1]

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[1] que se parece à ... reenvío ... gripe aviar ... lhe sejam aceites ... Reitero a suspeita: o Saramago escreve em espanhol e a Pilar traduz para português.
[2]
... seu texto, baseado ..., que descaramento. No conjunto das 2 crónicas, o texto do Saramago ficaria, dando ao Davis o que é do Davis, isto:
«Gripe Suína
Não sei nada do assunto e a experiência directa de haver convivido com porcos na infância e na adolescência não me serve de nada. Aquilo era mais uma família híbrida de humanos e animais que outra coisa. Mas leio com atenção os jornais, ouço e vejo as reportagens da rádio e da televisão, e, graças a alguma leitura providencial que me tem ajudado a compreender melhor os bastidores das causas primeiras da anunciada pandemia, talvez possa trazer aqui algum dado que esclareça por sua vez o leitor. Continuemos. Como se observa, os contágios são muito mais complicados que entrar um vírus presumivelmente mortal nos pulmões de um cidadão apanhado na teia dos interesses materiais e da falta de escrúpulos das grandes empresas. Tudo está contagiando tudo. A primeira morte, há longo tempo, foi a da honradez. Mas poderá, realmente, pedir-se honradez a uma transnacional? Quem nos acode?
»
Denso, eloquente e instrutivo, como se observa.
[3] Ainda estão a tempo das aspas e de fazer aparecer o link, não? Pois, mas a parte de autoria visível do Saramago ia ficar tão mirrada que seria um deslustre para o Nobel.
[4] Que conversão, que problema técnico? Tá bem, abelha.
[5] Nunca por nunca, por quem sois.
[6] E aos leitores, designadamente d’ O Caderno e do DN, não deve nada?

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Chavasquice e insulto,

estes título e antetítulo do 24 horas.
Para vender, vale tudo, Dr. Pedro Tadeu?
E não é "ao", seus burros.
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Plúvio, sobrevivente de Pompeia: o espermatozóide perdeu-se e atrasou-se.

Casa dos Bicos

é onde a Pilar os faz ao Saramago?
Não sei, mas faz sentido.

«A coisa e o coiso

José Saramago, rejeitado pela (respeitável) editora de Berlusconi, escreveu um raivoso artigo* sobre o proprietário.
Não tenho simpatia pessoal pelo Cavaliere, capitão de indústria, media e futebol, nem atracção intelectual pela sua figura, palavra, feitos e tiques. Mas há um facto simples: em 1994, 2001 e 2008, milhões de italianos deram-lhe vitórias retumbantes, antes e depois de terem experimentado outras vias.
No ramo de críticas contundentes, e filosoficamente estimulantes, sobre o fundador do Força Itália, prefiro, sinceramente, O Caimão, de Nanni Moretti. O texto de Saramago, pelo contrário, está recheado de lugares-comuns e prosa bafienta. Quem diz, por exemplo, “o país de Verdi” deve certamente também escrever “a capital do móvel”, ou “a cidade dos arcebispos”, como nos relatos da bola.
Por outro lado, parece sugerir-se que o povo peninsular não só erra repetidamente como se suicida.
Mas a Itália sobreviverá a Berlusconi, assim como o rectângulo sobreviveu a Saramago.»
- Nuno Rogeiro, Sábado, 09.Jun.2009
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* "La cosa Berlusconi" - El País, 06.Jun.2009

Una cosa peligrosamente parecida a un ser humano
/ Uma coisa perigosamente parecida a um ser humano
este es el camino de la ruina al que, por arrastramiento, están siendo llevados los valores de libertad y dignidad que impregnaron la música de Verdi y la acción política de Garibaldi /este é o caminho da ruína para onde estão a ser levados por arrastamento os valores que liberdade e dignidade impregnaram a música de Verdi e a acção política de Garibaldi

"parecida a"? ... "valores que liberdade e dignidade impregnaram"?

Querem ver que o Saramago escreve em espanhol e é a Pilar del Río que traduz para português?

Contacto de Paulo Rangel:

de proximidade. Na onda, pois claro.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

O arroto do faisão e as guelras dos mamíferos

Há 4 semanas, o jornalista Tiago Salazar escreveu na Notícias Magazine, com fotografias do jornalista Pedro Loureiro, uma reportagem sobre o zoo de Lisboa.
Ontem, a revista publicou, a propósito, uma carta de "sublinhados descontentamento e indignação", e de generosas correcções, assinada por Mariana Azevedo da Cunha, Relações Públicas do Jardim.
Eu voto na Mariana.
E deixo-me de preâmbulos, que isto é delicioso e, não bastando, didáctico.

«amigos entre os animais», Tiago Salazar - 10.Mai.2009
[1] [2] [3] [4] [5] [6]

Mariana Azevedo da Cunha - 08.Jun.2009
[1] [2]

Estes do BE não é onde tá aquela rapariga de bom aspecto, ai, a Laurinda Alves?

Dos inscritos - enfim, inscritas e inscritos - nos cadernos e nas cadern ups! eleitorais, apenas 370 em cada 1000 foram ontem às urnas. 107 em cada 1000 destas e destes votantes puseram a cruzinha na agremiação de salvação nacional e de remédio para todos os problemas da humanidade conduzida pelo bispo Louçã. Resta que todas e todos a tenham posto sabendo o que faziam.
Mandam o uso e a lei que o boletim de voto seja apresentado ao alto, para ser lido, linha a linha, da esquerda para a direita e de cima para baixo, pela ordem determinada em sorteio prévio.
Por acreditar piedosamente [não é sempre piedosamente?] em que estar na 1.ª linha conta e influi, sugiro daqui a quem de direito*, com vista à equanimidade dos concorrentes e ao reforço da convicção e da intencionalidade da cruzinha, que as agremiações passem a ser apresentadas em círculo, assim à roda. E pode continuar a ser numa página A4.
Por saber das dificuldades e da calanzice com que as portuguesas e os portugueses enfrentam a leitura, aposto em como as 382 mil cruzinhas no BE não resultaram todas de uma, digamos, leitura ponderada do boletim, hipótese que, não envaidecendo nenhum político sujeito a escrutínio, mais desgostará à hiperlucidez da esquerda culta.
É claro que de muito menos ponderação terão resultado as 5 mil cruzinhas no POUS [Para entrar clique no "punho"!...]. Aliás, se a agremiação da imorredoura Carmelinda Pereira calha de ter tido a sorte de vir na 1.ª linha, nem 500 votos talvez lograsse porque, aí, a malta, de tesão na esferográfica e com a vista ainda fresca, haveria de pensar POUS?, mas que vem a ser esta merda do POUS? e ainda gastava algum tempo pelo boletim abaixo à procura da santa da Laurinda Alves.
_________
* Ahahah

Agora,

quem os atura?

Domingo, 7 de Junho de 2009

Sondar a boca da urna

não me parece grande coisa.

Eleição para o Parlamento Europeu

Cada uma das 13 formações políticas apresentou 22 candidatos efectivos, num total de 286 nomes em disputa*.
Tudo contado, o MMS [Movimento Mérito e Sociedade] é o incontestável Nuno Álvares Per, perdão, vencedor, quer em acanhados quer em avantajados.
Em acanhados, a Dra. Nimet Guiga - 10 caracteres - bateu por larga margem o comunista Manuel Rodrigues, o 2.º mais acanhado - 15 caracteres.
Já em avantajados, o MMS houve de travar com o MPT [Partido da Terra] luta renhida. Não fora o apóstrofo da Dra. Maria do Rosário Guerreiro O'Neill Mendes Esquível Fernandes e tê-la-íamos empatada com a Dra. Bárbara Sofia Afonso Alberto de Bastos Viegas Andrade Campos, nos seus correspectivos 52 caracteres.
Lá está: por um apóstrofo se ganha, por um apóstrofo se perde; é a vida.

Parabéns aos vencedores e uma palavra de encorajamento aos derrotados.
___________________________
* Quem diz puta pode dizer meretriz

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Onanotícia ou de como o David Carradine deu corda à coisa e bazou


Ao nosso Dr. Pinto da Costa não falta tudo.

Pensando bem, ir-se a vir-se é capaz de nem ser mau de todo.

Amigo de longa data

Tinha em todas as paredes de todas as divisões a mesma replicada e enigmática moldura:

Dezassete de Novembro de mil quatrocentos e quarenta e quatro depois de Cristo

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

«Teatro do Absurdo e isso»

«[...] Olho para trás e troco com o indivíduo um olhar jurado de sempiterno ódio. Finjo que tiro um macaco do nariz. Ele dá um pequeno salto para trás. E eu finjo que tiro outro macaco, desta feita do meu próprio nariz.»

O Bandeira é ou não um dos melhores, senão mesmo o melhor, hã?

Parabéns, ilustre senhor.
[Para quem não conheça, o d’óculos. Foto DN, 03.Jun.2009]

Nos termos e para os efeitos da lei

da gravidade, cai um avião e morrem todos.
Por que diabo, nestas histórias de tragédia, dor e luto, a comunicação social há-de ir sempre à cata de uns sortudos que por qualquer razão, aselhice ou acaso não embarcaram, a ungi-los de fama que nada fizeram por merecer? Tenham lá paciência, mas acho um despudor perverso e desrespeitoso.
Afinal, não somos todos, cada um dos restantes 6 mil e seiscentos milhões novecentos e noventa e nove mil setecentos e setenta e dois homens e mulheres, incluindo as e os subscritores do MPI, uns sortudos que, de uma maneira ou de outra, escapámos ao voo AF447 de anteontem?
Até que, nos termos e para os efeitos da mesma ou de outra puta de lei, hajamos de marar.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Transcrição fonética

homem [ó mãe]

Domingo, 31 de Maio de 2009

«PELA IGUALDADE

Realiza-se hoje, em Lisboa, no Cinema São Jorge (16:00h), a apresentação pública de um Manifesto pela igualdade no acesso ao casamento civil, documento que traduz o apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. O psiquiatra Daniel Sampaio será um dos oradores da sessão.

Na impossibilidade de citar os cerca de mil subscritores desse Manifesto, deixo aqui alguns nomes. São pessoas de todas as profissões, com representatividade na sociedade civil, designadamente escritores, poetas, ficcionistas, ensaístas, críticos, artistas plásticos, fotógrafos, cineastas, músicos, actores, médicos, advogados, magistrados, arquitectos, pediatras, deputados, sociólogos, jornalistas, antropólogos, investigadores, psicólogos, empresários, dirigentes associativos, editores, livreiros, autarcas, psiquiatras, sindicalistas*, historiadores, geógrafos, informáticos, juristas, coreógrafos, apresentadores de televisão, biólogos, colunistas, linguistas, arqueólogos, físicos, humoristas, politólogos, encenadores, galeristas, bloggers, curadores de museus, programadores culturais, professores de todos os graus de ensino, bem como, naturalmente, activistas LGBT e centenas de anónimos. [...]»

pessoas de todas as profissões, com representatividade na sociedade civil
Todas mesmo, Sr. Dr., jura? Todas? Quantos profissionais, dentre designadamente os seguintes, terão subscrito a coisa?
Canalizadores, agricultores, agentes funerários, mandriladores, apicultores, engraxadores, vendedores ambulantes, lavadeiras, motoristas, pedreiros, porteiros, fresadores, lavadores de vidros, guardas nocturnos, estafetas, torneiros, cantoneiros, boletineiros, soldadores, delegados de informação médica, calistas, guias-intérpretes, manequins, pescadores, betonadores, empregados de limpeza, copeiros, taxidermistas, empregados de quarto, engomadores, ecónomos, secretários, impressores, caneleiros, vigilantes, distribuidores, queijeiros, ascensoristas, costureiros, vulcanizadores, atletas, carpinteiros, árbitros, escateladores, funileiros, guardas de passagem de nível, auditores, marinheiros, bengaleiros, enfermeiros, controladores, tecelãos, coveiros, arrumadores, ladrilhadores, arameiros, astrólogos, joalheiros, contínuos, percheiros, serventes, mariscadores, trintanários, apanhadores de algas, arquivistas, porta miras, enceradores, esteticistas, tabaqueiros, dactilógrafos, despenseiros, cabladores, latoeiros, atarraxadores, jardineiros, contra-regras, caixas, coladores, manicuras, cilindristas, brochadores [honi soit qui mal y pense], cortadores, estucadores, cobradores, paneleiros [voilà], embaladores, afinadores, bordadores, sobrescriteiros, domadores, repositores, caldeireiros, reprografistas, caseiros, topógrafos, relojoeiros, sapadores, bagageiros, ferradores, factores, barbeiros, treinadores, aquacultores, recauchutadores, marceneiros, fiéis de armazém, tripeiros, carteiros, prostitutos, afagadores, sapateiros, carregadores, meteorologistas, mandaretes, viradores, recepcionistas, tradutores, descarregadores, operadores de terminal de vídeo, cimenteiros, maçariqueiros, analistas, radiotelegrafistas, pulverizadores, leiteiros, rebarbadores, leiloeiros, mecatrónicos, estivadores, portageiros, manobradores, tractoristas, plissadores, acrobatas, claviculários, aderecistas, operadores de rampa, tosquiadores, avicultores, fiscais, polidores, sargaceiros, fiandeiros, massagistas, estampadores, mineiros, sondadores, alfaiates, areadores, cervejeiros, ilusionistas, agentes, solicitadores, traçadores, mediadores, conferentes, mergulhadores, lapidadores, serralheiros, fanqueiros, bate-chapas, preparadores, albardeiros, fogueiros, mecânicos, electricistas, estofadores, calceteiros, peleiros, escriturários, picheleiros, radiomontadores, douradores, telegrafistas, medidores, apontadores, bibliotecários, oficiais de tráfego, cardadores, oleiros, licoristas, empilhadores, palafreneiros, urdidores, trefiladores, bailarinos, fundidores, salsicheiros, lubrificadores, maquetistas, comissários de bordo, bancários, revisores, fundidores, floristas, empregados de mesa, programadores de sistemas, cicerones, resineiros, ourives, chapeleiros, laminadores, faroleiros, avaliadores, palhaços, contabilistas, embutidores, salineiros, forneiros, serradores, cartógrafos, maleiros, controladores de tráfego, farmacêuticos, envernizadores, inspectores, filigraneiros, guarda-freios, corretores, campinos, corticeiros, lenhadores, telefonistas, penhoristas, socorristas, lixadores, bombeiros, santeiros, cesteiros, bobinadores, telhadores, correeiros, calandradores, gofradores, moleiros, pasteleiros, maqueiros, caixeiros, transitários, heliógrafos, pilotos, escanções, guarda-livros, limpa-chaminés, conservadores, misturadores, electromecânicos, maquinistas, carvoeiros, engenheiros, parteiros, naturopatas, economistas, assistentes sociais, técnicos de informática, peritos, tanoeiros, caldeireiros, xerígrafos, gasolineiros, aplainadores, cardadores, rectificadores, amoladores, prensadores, fisioterapeutas, higienistas, magarefes, toureiros, cartonageiros.

Isto, ficando-me pela sociedade civil.
É a síndrome Câncio [letra F, a 2.ª; e eu pensando que, letra R, 'Rogério Casanova' não passasse de um ectoplasma sem outras causas que a do Sporting...]: entusiasmam-se, perdem a tramontana e lá lhes saem cavalidades do tipo "todas as profissões". Variadas ou diversas, ou até, vá lá, muitas, não bastava ao Dr. Eduardo Pitta?
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* Bem me queria parecer que sindicalista é modo de vida. Não, senhor professor?

Sábado, 30 de Maio de 2009

i Nós 04


I
- Rogério Casanova - pseudónimo de um brumoso "colunista de imprensa" [Expresso/Actual; LER], escritor, blóguer -, o que esta Nós prometia de melhor, rabisca uma crónica algo forçada, de tanta graça por centímetro pretender, com recurso saturante, às vezes gratuito, a expressões e metáforas de inesperado efeito pirotécnico, acerca dos portugueses de vistas curtas que empreenderam a direito, como mulas, por sítios de que não faziam a mínima, onde realizaram umas merdas e se fixaram por uns tempos até que voltaram ou foram devolvidos para por cá passarem o resto da vida a ruminar saudades dos grandes feitos e muita esperança sabe-se lá em quê. [1] [2]
Sabemos do estro, do talento, da cultura e da mundividência do Casanova, mas acoimar os judeus de não mexerem uma palha até as condições ideais se apresentarem acho injusto, leviano e de alguma miopia*, para usar do atributo que, segundo RC, caracteriza o pragmatismo clássico. Depois, que quererá o genial moço [nasceu em 1980] exactamente dizer com a sua [da história] declarada nanotendência para descobrir o que está dentro das coisas previamente descobertas parece dispensar a hipermetropia portuguesa?
Já a ligeira compulsão para os advérbios em 'mente [15 nas 2 páginas] parece-me advir, só pode, do muito futebol que aquela cabecinha consome, o que, como é sabido, acaba por deliquescer a melhor elocução. Aqui chegado, não consigo deixar de ter presente o eterno tique de erudição do prodigioso Luís Figo: logicamente. Exagero? Oiçam-no falar.

II
- «A terceira e última parte do segredo confiado pela Virgem aos pastorinhos a 13 de Julho de 1917 permanece na posse do Vaticano e não foi ainda divulgada ao mundo.»
Foi divulgada em Maio/Junho de 2000, há 9 anos. Areia de mais para a camioneta de quem faz e zela pela Nós do i? Decerto. Ora vejam aqui como era certinha a caligrafia da irmã Lúcia**'''' ***.

III
- Tripas à moda do Porto..., corta, sff, não há feijão.
__________________________________________________________
* Mesmo que o Messias não tenha sido ainda aquele.
** Já as cartas que a tia Emília me escrevia começavam sempre por J.M.J. [Jesus, Maria, José]. «Coitadinho do Santo Padre»...
*** Nada a ver com os rabiscos do herege do irmão.

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

O culto do eu

«[...] modelo que o Sr. Dr. Dias Loureiro tinha idealizado ser o seu papel como administrador da SLN, modelo influenciado por uma significativa componente egóica [...]
Mas o Dr. Dias Loureiro pode ter atenuantes, pois ao suportar a sua versão numa declarada deslealdade, que estilhaça as dez vezes em que enaltece as minhas qualidades, referenciadas em contextos contraditórios com esses valores pessoais, deixa pairar a ideia de que não eram palavras suas mas sim de incontroláveis impulsos egóicos que, como ensina Eckhar Tolle, resultam da disfunção do processo evolutivo da natureza, assente na inconsciência do Ego. [...]»

MPI - Movimento Pela Igualdade

Eu cá movo-me pela ordem.

Então é assim:
- No 2.º parágrafo, onde se lê «Duarte Cordeiro, Edite Estrela, Edgard Taborda Lopes,» deve ler-se «Duarte Cordeiro, Edgard Taborda Lopes, Edite Estrela»;
- No 3.º parágrafo, onde se lê «Fernando Alvim, Fernando Rosas, Fernando Pinto do Amaral,» deve ler-se «Fernando Alvim, Fernando Pinto do Amaral, Fernando Rosas,»;
- No 4.º parágrafo, onde se lê «Margarida Vila-Nova, Maria João Luís, Maria João Seixas, Maria Isabel Barreno, deve ler-se «Margarida Vila-Nova, Maria Isabel Barreno, Maria João Luís, Maria João Seixas,»;
- No 5.º parágrafo, onde se lê «Rui Pena Pires, Rui Reininho, Rui Rangel,» deve ler-se «Rui Pena Pires, Rui Rangel, Rui Reininho,».

Igualdade sim, mas vamos lá respeitar as nominais precedências.

PS 1
No 4.º parágrafo, onde se lê «Lili Caneças» leia-se «Lili Caneças». Se soar ao mesmo, é porque é.

PS 2

Na versão em papel, a Dra. Fernanda Câncio fez acrescentar a seguinte caixa: «Afinal, parece que o casamento das pessoas do mesmo sexo interessa mesmo a muita gente».
A Sra. Dra. já nos habituara a algum desvario na serenidade e no rigor sempre que se trata de paneleiragem e fufaria. Daí, não ser de admirar o uso, na dita afirmação, das palavras e expressões, manifestamente exageradas, afinal, mesmo e muita gente.
parece não passará de ironia despeitada, o que, nesta excelente e peituda jornalista, acaba por configurar uma injusta antinomia.

_______________________________________________________
Homo quê?..., fóbico?; homofóbico eu!? Rendo-me é à natureza das coisas.

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Vá, respondam, seus

medricas!
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Não perca, para a semana, no seu DN:
João Miguel Tavares - "Sócrates à beira de um ataque de nervos"
Baptista-Bastos - "PSD à beira de um ataque de nervos"

«Agora a sério: acho os filmes excelentes»

Custa-me muito acreditar em que o Daniel Oliveira ache excelentes estes 3 vómitos de peçonha e horror.
Tenho assistido a regurgitações de feijoada e vinho tinto esteticamente mais estimulantes. E honestas.

Antes, não estava a ver bem que cargo se atribuísse ao DO no tal governo de nos tirar o sono… Agora, já sei: Comissário para as Religiões, e des[en]graçado país o nosso se algum dia pusessem o DO à frente da Cinemateca.
O Pedro Mexia que se deixe lá ficar por muitos e bons anos. E quando o Mexia for velhinho e já não puder mais, ponham lá o Manoel de Oliveira.

Perdidos e rachados

«A actriz Brooke Shields, de 43 anos, revelou ter perdido a virgindade aos 22 anos, numa entrevista à revista "Q&A with health".»
- 24 horas, 27.Mai.2009

Apesar da preferência crescente por contextos cada vez mais exóticos e improváveis - nisto, a adrenalina conta muito -, estudos recentes indicam que a cama continua a ser, logo seguida do sofá, o sítio onde a virgindade mais se perde.

O malandro do entrevistador terá confidenciado numa roda de amigos que foi bom.

3 estórias indigentes,

3 filmes miseráveis:

[1] - [2] - [3]

Por amor de Deus, sejam sérios, já que têm tão pouco jeito para se divertir.
Por amor de Deus, não sejam ridículos, que os assuntos são sérios.
Nem isto ter sido feito de graça* serve de desculpa.

Não quero imaginar como esta gente nos trataria da saúde e da prosperidade. Enfim, até quero ...
... Primeiro-Ministro, Dr. Louçã; ministra da Saúde, Dra. Drago; dos Negócios Estrangeiros, Dr. Portas; da Cultura, Camané; da Fazenda, o próprio; Presidente da República, Dr. Rosas ...
Vá, agora escurecer a sala, violoncelos lúgubres em fundo, olhar arregalado, gravata preta e uma voz cava e soletrassustadora assim tipo António Capelo, uma história para nos tirar o sono...
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* Informa o gazopalestino Daniel Oliveira que se trata de «3 filmes, a cargo de uma equipa de jovens autores que colaboram gratuitamente com o Bloco de Esquerda». [O bold foi onde o meu coração primeiro se enterneceu e depois comoveu.]
Se não ofender, pergunto: que tal se o BE pagasse qualquer coisita à rapaziada? Afinal, para que aprovaram eles o financiamento?

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Para o desânimo,

nada como uma dieta rica em animoácidos.

Bem lá no fundo,

era boa pessoa; coisa, porém, só observável de batíscafo.

O voto de Ana Cássia Rebelo - Anatomia de 1 voto no Bloco de Esquerda

Ana e os sítios
«Lembrei-me de tudo isto e calei o chorrilho de disparates que esteve prestes a sair-me da boca. A tua mulher é boazona, mas burra que nem um calhau e tu és um prostituto, um chulo, um badameco armado aos cucos, um cobridor de fêmea que se veste de tigre e usa unhas de gel. Havia ela de ser de Camarate, da Brandoa ou da Cova da Piedade, tesa e retesa, a ver se te casavas com ela. Era o casavas.» - 10.Out.2006
«Volto a olhá-la. Atira com a beata para o chão e, muito tortinha, tal qual um caranguejinho perneta, entra no comboio que vai para a Amadora.» - 17.Nov.2006
«Ainda se fosse para pôr fotografias da Baixa da Banheira, do Cacém ou do Catujal… Agora para colocar fotografias de Nova Iorque e de Paris?! Credo. Há gente que não tem noção da decência e do ridículo.» - 29.Jan.2007
«Carla é nome de mulher de 40 anos, com permanente no cabelo, que passeia, aos domingos, nos centros comerciais de mão dada com um marido de bigode, fio de ouro ao pescoço e fato de treino brilhante. A dita colega, a quem chamarei Carla, está com o antigo namorado. Passado tanto tempo, o dito já deve ter subido de estatuto. Agora deve ser cônjuge, marido, de papel passado e aliança no dedo. Devem ter filhos. Dois no máximo. Um Tomás e uma Carolina. Devem viver num apartamento na Bobadela, no Prior Velho ou na Quinta da Piedade.» - 18.Abr.2007
«Eu olhava para ela, um sorriso emparvecido a dançar-lhe no rosto sardento, e deixando-me inundar pela mesquinhez, característica proeminente da minha pessoa, pensava foda-se, caralho, és mesmo de Massamá.» - 08.Jun.2007
«A parola genuína compra na Feira do Relógio, no Lidl, no Minipreço. A parola encoberta faz um ar de nojo quando se fala no Lidl. Diz que prefere fazer as suas compras nos supermercados do El Corte Inglês ou do Pingo Doce. O sonho da parola genuína é sair do Catujal, dos Unhos ou de Camarate e ir viver para um apartamento de quatro assoalhadas na Quinta da Piedade. O sonho da parola encoberta é ir viver para o Parque das Nações ou para o centro de Lisboa.» - 18.Jul.2007
«Tem feições duras. Feias e suburbanas. Tem feições de quem nasceu na Bobadela, em Mem Martins ou na Abóboda, de quem tirou o curso na Lusófona e chamará Beatriz à filha feiinha que terá daqui a meia dúzia de anos. É gestora quase de certeza ou economista ou informática ou qualquer coisinha assim. Tem ar de quem nunca foi devidamente fodida. De quem nunca será devidamente fodida. Enquanto a observo de alto a baixo, penso assim: vai para a puta, escancarada, enorme e malcheirosa que te pariu.» - 07.Ago.2007
«Até a guarda é violenta em Sacavém. E também lá vive um serial-killer. Ainda há-de dar que falar. Noite fora, quando não está a retalhar corpos, escreve contos bukowskianos, monótonos, cheios de palavrões e africanas boazonas. Não gosto de Sacavém. Perdi lá a virgindade.» - 29.Fev.2008
«Há um novo miasma na sociedade portuguesa. São os fóruns de opinião das rádios e das televisões. Querendo ser espaços de cidadania e liberdade, lançam nas manhãs um cheiro putrefacto a sovacos mal lavados. É um fedor que não se pode. Dão voz aos reformados e às donas de casa de Massamá Norte.» - 10.Out.2008
«O José Saramago é uma besta. Não fica atrás da cavalgadura da Damaia.» - 05.Nov.2008

Ana e a política
«Gostava que a Manuela Ferreira Leite fosse primeira-ministra de Portugal. Gostava que a Maria José Nogueira Pinto fosse presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Gostava, muito, que, daqui a uns anos, a Leonor Beleza fosse presidente da República. […] Desde a laca da Maria de Belém, à demência notória da Odete Santos, ao anti-americanismo primário da Ana Gomes, à arrogância infundada das meninas do bloco, como a Joana Amaral Dias (só se a arrogância lhe vier das mamas, que as tem grandes), à estalinista europeizada Ilda Figueiredo, todas me fazem torcer o nariz. Não gosto delas.» - 15.Nov.2006
«De facto, os etarras só merecem o apoio de certos bloquistas acéfalos que insistem em os ver como heróis.» - 05.Jun.2007
«Há coisa de quinze dias estive tentada a inscrever-me como militante [do PSD].» - 31.Jul.2007
«Eu, confesso, até gostava de me empenhar na vida partidária, discutir, vestir a camisola, militar, participar no debate político, assumir, de uma vez por todas, depois de tantos anos de vagabundagem, que sou social-democrata. Não consigo. Acanho-me, envergonho-me.» - 26.Set.2007
«A esquerda, tal como a conhecemos, está moribunda. Entre os detestáveis (Bernardino Soares), os desprezíveis (Bernardino Soares) e os apedrejáveis (Bernardino Soares), ficam os patéticos (os bloquistas, apreciadores do multiculturalismo, do paternalismo, da merdologia em geral; os comunistas que vêem o 25 de Abril como coisa só sua; os socialistas que, a todo o custo, evitam tocar o povo nos hospitais públicos, nos transportes públicos, nas escolas públicas, nas repartições públicas, nas praias públicas). Há excepções. Mas são poucas. Assim, de repente, não me lembro de nenhuma.» - 05.Nov.2007
«Estou habituada a ser sistematicamente desiludida pelo partido com o qual me identifico [PSD].» - 17.Dez.2008


«Votarei no Bloco de Esquerda nas próximas eleições europeias. Por uma razão simples. É o único partido que tem, sobre a questão da imigração, a posição que sempre defendi.
[…]
Gosto, depois, genuinamente do Miguel Portas e os afectos também são importantes quando escolhemos um candidato.» - Afectos, 24.Mai.2009


Duvido de que Ana Cássia Rebelo saiba o que acha dos etarras o gazopalestino Miguel Portas. Aposto em como o Miguel Portas jamais ousaria referir-se a Massamá, à Damaia, à Bobadela, ao Prior Velho, à Cova da Piedade, a Mem Martins, à Baixa da Banheira, a Sacavém, à Abóboda, ao Catujal, a Unhos, ao Cacém, à Quinta da Piedade, à Brandoa, à Amadora ou a Camarate, implicando o brio da variada imigração que por ali logrou poiso, com o desvelo, o propósito e o efeito literário com que a monhé mais talentosa da bloga o faz.

Mas enfim, afectos são afectos e a esquerda caviar ou o radical chic são exactamente isso, mais coisa menos coisa.
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PS
Importa esclarecer:
1- Só transcrevi do blogue as passagens, por vezes cirúrgica e maldosamente delimitadas, que interessavam à minha tese;
2- Vá lá um homem perceber as mulheres.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Sic transit gloria mundi

O Diário de Notícias de hoje integra um destacável comercial sobre um sector de mudanças, em franca prosperidade - primorosamente editado pela Vera Galamba* -, que, como é uso nestes casos, não pode ser vendido separadamente.
Sendo de crer que não possa, igualmente, ser comprado à parte e que, mesmo que pudesse, a esta hora [20:45] se encontre já esgotado nas bancas, aqui vai mais uma de serviço plúvioco generosamente disponibilizado em prol da edificação dos meus desprevenidos leitores:

[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11] [12]

O destacável é todo ele sumarento e bem apresentado, mas permita-se-me que destaque
- a parte em que se parte chegando [bom título];
- a parte em que a Vera pergunta com optimismo, romântica e educadamente, Se for cremada e o meu cônjuge [ler 'côn-ju-ge'], já falecido, estiver inumado, as minhas cinzas podem ser enterradas junto a ele?;
- a parte da tanatopraxia;
- a parte em que o Basílio dos mármores e granitos já abriu e executa tudo, incluindo em corações, etc.;
- a parte em que até a palavra 'inclusive' está bem escrita* na parte em que se fala de a coisa poder ter o feitio de uma garrafa de – posso dizer a marca? – cola;
- a parte do strip
e
- a parte em que a Lipinto**, que não importa nem imita, apresenta 2 belíssimas referências com visor - a n.º 2, c/visor e a n.º 202, Com Visor -, espera-se que com a garantia [não vem escrita mas a gente confia na Lipinto**] de que podemos sempre ver sem nunca sermos vistos.

Ah, é verdade, se a palavra 'ente' quer dizer o que quer [aquilo ou aquele que existe; ser] e 'querido' quer dizer o que quer [amado], por que carga de água – passe a publicidade aqui ao estaminé –, ou maldição, 'ente querido' só se usa para falar de quem se mudou para muito, muito, muito, muito, muito, muitíssimo longe, tão bué da longe que mal existe e dificilmente se ama?
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* A sério, isto está muito mais esmerado, do ponto de vista da ortografia e da escrita em geral, do que a possidoniice da Nós do i.

** Cá para mim, há por aqui marketing descapotado do i, ó se há.
Fracção AL - Agração – Telões … mas isto é morada que se tenha, mesmo que para nela tratar da última?

Domingo, 24 de Maio de 2009

«Comecei com nada e ainda me resta muito disso»,

tradução possível de i started out with nothin and i still got most of it left, foi como o António Risco, pseudónimo de um professor universitário português, intitulou, sem aspas nem atribuição de autoria, a crónica que escreveu na Nós 02, de que falei há dias.
Achei e continuo a achar um título estupendo. O que já não acho tão estupendo é o Risco.

Senhoras e senhores, damas e cavalheiros, Seasick Steve!

Muito obrigado ao brilhantíssimo João Gaspar pela achega e por me ter feito saber do Seasick Steve.

«O método de caça»

Diário de Notícias - Domingo, 29.Mar.2009
«1.º- O lince passeia em silêncio pelo seu território
2.º- Quando localiza a presa agachasse [sic] e aproxima-se lentamente
3.º- Se a presa pára o lince também pára para não ser descoberto
4.º- O ataque é explosivo, saltando até 6 metros para alcançar a presa
5.º- Se a presa conseguir escapar, não a pressegue [sic] mais
»

Diário de Notícias - Domingo, 24.Mai.2009
«1.º- Localiza a presa, agacha-se e aproxima-se lentamente
2.º- Se a presa pára o lince também pára para não ser descoberto
3.º- O ataque é explosivo, salta até 6 metros para alcançar a presa
4.º- Se a presa conseguir escapar, não a pressegue [sic] mais
»

Tirando a parte em que o gato se agacha, nada no método parece ter melhorado, bem pelo contrário, nos últimos 2 meses.
Nem é tanto pela “presa escapada, presa impresseguida”; sequer pelo facto de um salto presente ficar a léguas da elegância de um salto gerundivo. O que faz pena e representa uma deplorável degradação dos costumes é a supressão do passeio em silêncio.

Nem tudo nem tão instantaneamente como no i, a verdade é que o DN também muda.
E é o que, assim de relince, que tenho de ir a correr comprar pão para o jantar, se me apraz.
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O lince passeia em silêncio, bom título para a brilhante dissertação que jamais empreenderei, pela estúpida complexidade do tema, sobre o impacte ambiental do peripatetismo aristotélico na messe que estremece na quermesse do Eugénio de Castro.

Sábado, 23 de Maio de 2009

i Nós 03

«Nós Criativos é a terceira de um projecto de 50 revistas do Jornal i* sobre Portugal e os portugueses»

Nesta edição**, uma peça bem urdida, de João Pacheco e Gonçalo F. Santos, sobre e com o alemão*** Herman José. [1] [2] [3] [4] [5]

Por mim, contentava-me com o piano de cauda e, vá lá, com a sala.
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* Que é como quem diz “o i é um jornal com maiúscula”.

** Desta vez, a revisão esmerou-se: não mais de 3 gralhas.

*** «[...] Optei em 1972 pela nacionalidade alemã, já que sou filho de um cidadão alemão. Tinha projectos de pedir a minha nacionalidade portuguesa quando apagasse as cinquenta velas, mas é justamente nesse ano que descubro com espanto que vivia numa democracia disfuncional, onde, um estado dentro do Estado, dispõe a seu bel-prazer dos cidadãos de discurso mais "incómodo" que o critique e o ponha em causa. O orgulho no meu passaporte alemão consolidou-se, e só considero pedir a nacionalidade portuguesa, quando tiver provas de que Portugal é um Estado de Direito pleno. O governo Sócrates tem feito algum esforço nesse sentido, mas há um longo caminho pela frente. Salazar deixou uma herança muito bem estruturada e difícil de desmontar. [...]»
- Herman José, Junho de 2008

O simpósio almoça

e a fundação apanha doença ruim.

«A entrevista decorre no intervalo para almoço do simpósio sobre cancro da Fundação Champalimaud [...]»

Simpatizo com James Watson.

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

O 8.º Teixeira e o lápis do Mota

Nos menos de 4 minutos em que esteve ontem à conversa com a Eduarda Maio [EM], na Antena 1, o ecomunista Octávio Teixeira [OT], no seu tão peculiar registo disléxico-agastado temperado de aparente informalidade - Ó Eduarda … -, apelou por 6 vezes à jornalista para que reparasse – repare ... -, discorreu sobre uma proposta libralazadora [margens de comercialização dos medicamentos], afiançou - para desconsolo do Sócrates, que não arranja maneira de demitir o país - que a credibililidade dos cidadãos nas estatísticas do governo vai-se minando, enCostou por 3 vezes o Mota* e rematou, clarividente, são este tipo de situações que me suscitam sérias interrogações.
Em tão curto espaço de tempo [oh fatalidade metrogeotemporal!], foi obra.
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Foda-se, João Pedro,

isso faz-se?

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

O que nunca lerei:

«Bénard da Costa: "Morte de Manoel de Oliveira é um golpe muito profundo."»

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

17.Mai.1959 - 17.Mai.2009

50 anos depois, a senhora, rainha em Fátima, voltou ontem de visita ao filho, rei em Almada.
Que se saiba ou se visse, nem um beijo ou um abraço trocaram.
Parece que a realeza é assim, mas cá para mim o que eles são é uns corações empedernidos.

Domingo, 17 de Maio de 2009

i Nós 02


O 02 da Nós, de 16.Mai.2009 - 48 páginas, incluindo as 6 de publicidade -, dedicado à coscuvilhice, traz uma bem esgalhada e divertida crónica de António Risco, com um título estupendo, “Comecei com nada e ainda me resta muito disso” - [1] [2] [3]; ‘bora ler “Os Sertões”, de Euclides da Cunha? -, uma síntese da vida de Vera Lagoa bem escrita por Mafalda Castro e, ainda por Mafalda Castro e em prosa escorreita, os perfis dos gaseiformes Abel Dias, Carlos Castro, Nuno Eiró, Duarte Siopa, Lili Caneças, Marta Cardoso, Solange F., Cláudio Ramos, Alexandra Fernandes, Maya, Daniel Nascimento, João Malheiro e Cinha Jardim.
Quanto ao mais, de novo muito fraquinho e, novamente, editado com desleixo.

Na página 4, em que o Pedro Rolo Duarte escreve o, por assim dizer, editorial, faz-se uma correcção: na Nós 01, de 09.Mai.2009, em vez de ter sido indicado o websítio de TheStudio - ... We are Art Prostitutes ...; esta malta trabalha bem -, puseram o endereço de uma chafarica norte-americana especializada em dança.
Na mesma página 4, figura a ficha técnica da Nós onde se diz
«Colaboram nesta edição: Ana Garcia Martins, Augusto Brázio, Carmo de Aragão Barros, Filipe Nunes Vicente, Gonçalo Santos, Joana Jorge, João Ribeiro, Marta Monteiro, Rita Matos, Sofia Vieira, Sónia Morais Santos, TheStudio».
Fui logo a correr, lampeiro, à procura da Sofia Vieira, a ver se desta vez vinha mais cuidadosa nos escritos. Mas qual quê, nem Sofia, nem Filipe, nem Sónia, nem TheStudio … Percebi: repetiram, sem reparar, os nomes dos colaboradores da edição 01, de tal modo que os nomes de quem colabora na 02, com excepção dos de Ana Garcia Martins, de Gonçalo Santos e de Rita Matos, não constam da ficha.

Ainda na 4 e na mesma ficha,
«Revisão: Alda Rocha, Helena Ramos e Madalena Requixa». Caso para me intrigar sobre o que fazem 3 revisoras numa tão modesta publicação. Que revisam ou revêem estas etéreas criaturas?
Veja-se:
- na página 5, «Comecemos pelo princípio: se não sabe quem são pelo menos 15 destas 50 figuras» … 50? Eh pá, assim, à vista desarmada, parecem muito mais. Ora deixa contar … 49, 50, 51, 52 … 73, 74, 75! Está na hora de cunhar a “Síndrome i” - conjunto de sintomas patológicos que caracterizam a incapacidade congénita de contar no universo i;
- na 5 ainda, no balão superior direito …, quem será Helga Raposo? Ou me engano muito ou trata-se de um híbrido de Helga Barroso/Elsa Raposo;
- erros ortográficos e gralhas [3 x Eirózinho, 2 x páro, paísito, falta já pouco para 20:00; execesso, Brangança, cantores e músico em geral …];
- na página 46, «E por fim, a dúvida metódica: porquê sempre ela? Um mês na vida alucinante de Alexandre Lencastre». Se o Pedro Rolo Duarte tiver de, na Nós 03, vir pedir desculpa à Galp Energia, na pessoa do engenheiro Alexandre Lencastre, não me espantarei.

Às vezes pareço um blóguer de causas. As outras, entre outras, são o azeite, o vinho tinto, a aspirina, o jazz e a cortiça.

«As pessoas gostam de reparar nos defeitos.» - Rui Gaudêncio, repórter fotográfico, na Nós 02, de 16.Mai.2009.

Sábado, 16 de Maio de 2009

Olá, Milu.

O PROmova odeia - perdão, odeia! - a Sra. Ministra da Educação, odeia o Sr. Primeiro-Ministro, odeia a Sra. Directora Regional de Educação do Norte *. Lá terá as suas respeitáveis [nada?, pouco?, muito?] contadas e corporativas razõ€s para tanto ódio.
Não vejo é que outra razão, senão a da ignorância, possa promover a excepção à regra de português que estabelece que as oxítonas terminadas em ‘u’ não levam acento gráfico.
Esta é a “camisola oficial" para a manifestação nacional de 30 de Maio dos senhores professores do PROmova.
E que tal uma vírgula em cada "Adeus"?
Ignorância oficializada.

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* O português da Dra. Margarida Moreira, DREN, tende para a surrealização, nada fazendo supor, infelizmente, que seja propositada; apesar da Fiama. A Dra. Margarida é mesmo muito fraquinha de língua e, por isso, achincalhável. Estava a pedi-las.

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Polícias de proximidade,

Jerónimo de Sousa, do PCP, e Augusto Fernandes, leitor do i, parecem falar pelo mesmo diapasão, tudo todavia indiciando que Augusto Fernandes prefere a direita.
E se o i elegeu este comentário, ele há-de ter brotado naturalmente de um cidadão da classe alta.

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

i


Isto é um bocadinho de incompetência.
Isto é um bocadinho de ignorância.
Ao fim de 6 edições, o i mostra-se surpreendentemente mortiço. Sei, para já, de pelo menos 5 diários portugueses melhores do que o i:
- Diário de Notícias
- Público
- Correio da Manhã
- Jornal de Notícias
- 24 horas
É com decepção e tristeza que pressinto que o i não irá ter grande passado.

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Gosto muito do Luís Fernando Veríssimo

«[...]
Adão, sozinho no Paraíso, era um homem feliz, porque era um homem sem datas. Mas, quando Deus colocou Eva ao lado de Adão, a primeira coisa que ela perguntou, ainda húmida da criação, só para puxar assunto, foi: "Que dia é hoje?" E ele sentiu que sua paz terminara. Ele era um homem no tempo. Um homem com um ontem e um amanhã e um futuro estendido à sua frente como um imenso pergaminho esperando para ser preenchido. O tempo não foi a única novidade trazida por Eva ao jardim do Paraíso. Foi ela que, dias depois, colheu o fruto proibido, que os tornou, de uma só mordida, sexuais e mortais. E foi depois de comer o fruto proibido, quando a Terra entrou na sombra da noite e os dois se deitaram lado a lado, que Adão sentiu seu membro, que ele pensara que fosse só para fazer xixi, se mexer. E avisou a Eva:
- É melhor chegar para trás, porque eu não sei até onde este negócio cresce.

[...]»
- LFV, "As sombras", Expresso/Actual, 09.Mai.2009

Quando perco a cabeça

é sempre ela que me reencontra.
Estarei irremediavelmente perdido quando tiver de ser eu a procurá-la.

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

i 4

I- O i acredita que num instante tudo muda
E ao n.º 4 o i publica, não era sem tempo, o estatuto editorial, como manda a lei.
Curto, simples e enxuto, tem uma parte tragicómica, que me diverte sempre, no i e nos outros jornais: a da proclamação da independência de todos os poderes do mundo, incluindo do económico.
Quem sabe fazendo jus à proclamação, o índice PUB, apesar de consistentemente ímpar, mirrou vertiginosamente, em 4 edições, de 22 para 5. Hoje, edição de 56 páginas, dos 5 anunciantes só 2 pagaram duas ímpares inteiras: a Dunhill e a Bioteca. Os restantes 3:
- IPL [Instituto Politécnico de Leiria], meia página;
- Rádio Clube Português, uma tirinha;
- 7 linhas do Automóvel Club de Portugal a esclarecer, por via do asseio e do prestígio, que Carlos Barbosa, Carlos Barbosa da Cruz e Carlos Cruz são 3 sintagmas nominais diferentes.
Por este caminho, com esta dinâmica no índice PUB, não tardará o champanhe, no salão do Tagus Park, a celebrar - muito celebra o magano do champanhe… Não sei mesmo se Dom Policarpo, no seu estrénuo e sacro ministério, consegue celebrar tanto como Dom Pérignon, na sua profana volatilidade - o dia em que o i passará a depender apenas do poder económico dos seus leitores. Por mim, vou contribuindo; hoje foi com 1 euro, e se o caro leitor está aí todo lambareiro à espera, neste momento, de um link para o choque estético incomparável do código de barras, desengane-se, que eu sou um maluquinho neuro-obcecado incontinente mas às vezes consigo dominar-me. Hoje não há barras para ninguém, chega de seca.

II
- O i acredita que num instante tudo muda
Podia cá deixar de falar na minha coluna favorita? Claro que não, sendo certo que o i não me falta com novos pretextos todos os dias.
OS SEUS COLUNISTAS. Anoto, com pena e, já, saudade, que a magia do 32 acabou. O plumitivo de serviço à coluna resolveu tomar-se de prudência, anunciando hoje, com um rigor blindado e inesperada humildade, “mais de trinta colunistas”. Contei, está certo, são 33, parabéns. Mas há, do i 3 para o i 4, mais novidades, que no i as coisas mudam mais celeremente do que o humor do Sócrates:
- o Eduardo Tessler, novidade absoluta, reforça a equipa das quintas;
- o João Carlos Espada, que ora entra ora sai, desta vez reentra;
- o Luís voltou a Jerónimo, mas eu continuo com um feeling de que é Januário.

III
- O i acredita que num instante tudo muda,
incluindo a gramática.
No i há uma jornalista que pergunta surpreende-lhe ...?. Enfim, é lá com ela. Eu já deixei de me surpreender com dislates destes, até nos média que se dirigem à classe alta.

IV- O i acredita que num instante tudo muda,
ou de como o Tejo passou a desaguar em Setúbal.
Assim foi que estava o brioso do P.C. a elaborar uma rapidinha para a secção Radar // Portugal sobre a cena mais do que batida dos golfinhos no Sado quando lhe assomou ao pensamento o mote do Martim. Lesto, meteu-se no carro, acelerou 40 Kms para norte e pôs-se num instante em Lisboa, ainda a tempo de apanhar uma frase da Dra. Maria José Costa.

V- O i acredita que num instante tudo muda
O Diário de Notícias também, mas não tem a presunção de que se dirige privilegiadamente à classe alta. Talvez por isso respire de um índice PUB mais reconfortante. E viva o Belenenses! [O jogo acabou pelas 21:30].

Domingo, 10 de Maio de 2009

Poste de proximidade*

Escrevia ontem, então, o Pedro Correia, jornalista prezável, que o jornalismo de proximidade é o que mais se aproxima - olha o espanto - do jornalismo que defende.
O pior é a praga da proximidade, qual H1N1, qual Pedro Santana Lopes, qual evento, qual basicamente, qual Tereza Salgueiro, qual quê.
Ele são hospitais de proximidade, comércio de proximidade, serviços de proximidade
- policiamento para o PCP, policiamento de proximidade;
- para o reitor da Universidade Aberta, nem se discute: ensino de proximidade;
- vem a Santa Casa, zás, saúde de proximidade;
- Ministério da Justiça, tá claro, justiça de proximidade;
- não se pense que o presidente da Junta de Freguesia de Fânzeres anda distraído: o dele é um governo de proximidade [A formiga no carreiro vinha em sentido diferente … gosto bué];
- o próprio Menezes, dúvidas?, política de proximidade;
- nem quero imaginar como seria a presidência de proximidade do Alegre;
- IAPMEI, redes de proximidade;
- o Laurentino não dorme na forma: toca a andar com o desporto de proximidade;
- Gebalis?, mediação de proximidade;
- e há lá mais nobre, pelo menos em Matosinhos, do que o voluntariado de proximidade?;
- marketing de proximidade é o que manda o moderno marketing;
- para o Pedro Coelho da “Rosa Brava”, TV de proximidade;
- em Paio Pires, e confiemos que no mundo ao redor, segurança de proximidade;
- enfermeiros prestáveis e humanitários, cuidados de proximidade;
- na Câmara de Alcácer, urbanismo de proximidade [a quantos Kms de Setúbal?];
- a ciência de hoje é impensável sem programas de proximidade;
- gestão, mas isso pergunta-se?, gestão de proximidade e não se fala mais no assunto;
- para a Manuela Ferreira Leite, autoestradas para quê?, estradas de proximidade é que é ["com som", uma espécie de estradas gourmet];
- nem, por fim, a Dra. Maria da Glória, candidata a Provedora, poderia andar a propor outra que não a magistratura de proximidade, ou não fosse ela designada pela Manuela.
Ai, Manuela ...


Que pode uma pessoa fazer ante tão ominoso, ingente, tentacular e aproximativo assédio, senão fugir para o mais longe possível? Diga-me.
__________________________________________________________
* Diz-se de proximidade o poste que se inicia e encerra a não mais de 1,5 cm dos, respectivamente, termo e princípio dos, respectivamente, poste que se segue e poste que precede.

i Nós 01

O Pedro Correia diz que gostou da Nós, seduzido à primeira vista, e que a revista, muito bem escrita, se aproxima muito do conceito de jornalismo que defende, um jornalismo de proximidade, brrnhac*.
Pois eu acho esta Nós - sobre o romantismo -, 1.ª de 50 [se as páginas ímpares aguentarem o i por 50 semanas], uma coisinha assim merdíflua, muito cocó na fralda e pipoca mais doce para encher chouriços, a fazer render o peixe, tudo muito esticado sem nada de novo nem de arrojado [aquelas 8 páginas, da 28 à 35, em 48, nem para limpar o cu; mas como o i é para a classe alta, tudo bem]. Na Kapa e no DNa - com o Miguel Esteves Cardoso e o Pedro Rolo Duarte de outras encadern, perdão, encarnações - já se fizera, no género, bem melhor.

Apetece-me, sei lá porquê, alfinetar o escrito da Sofia Vieira, jurista, “Quando se fica é porque se gosta” - [1] [2] -, que o Pedro Correia classifica de boa crónica. Posso?
Para mim, não passa de uma crónica sofrivelzinha, com um remate apenas razoável, que é aquilo de não haver “melhor desculpa do que a inimputabilidade amorosa para se usar e abusar do mau gosto”. No mais, banalidade algo inflada de citacionismo balofo e marcada aqui e ali por desleixo no editing e embaraços de gramática. Nada com que que não estejamos familiarizados nos blogues da Dra. Sofia, com o senão de neste caso pagarmos para ler:
- não teremos todos dentro de nós uma manicura a suspirar pelo herói da novela agarrada a uma almofada da Hello Kitty? Arredonde lá isso para todas, s.f.f.. Eu é mais homem do gás a sonhar com a manicura;
- arrobos sentimentais? Ora experimente conferir no mesmo Houaiss de que retirou a definição de 'romantismo';
- se pensam que vou dar-vos (…) desenganem-se está mal, doutora. Uma de duas, “se pensam que vou dar-lhes (…) desenganem-se” ou “se pensais que vou dar-vos (…) desenganai-vos”;
- juras de amor eternas ou “juras de amor eterno”?;
- porque quiserem, Dra. Sofia?
- o Alberoni afinal era um génio. Certo que o Francesco Alberoni [Piacenza, Itália, 31.Dez.1929] já não é nenhum adolescente, mas o pretérito imperfeito, ali, parece-me, como diria o outro**, um exagero. Bastaria ter presente a célebre lista dos 32 colunistas: o Alberoni escreve às terças. Ou escrevia, não vá também ele pisgar-se.


* Mote para poste da proximidade.

A Maria João Avillez, que não sabe dizer verosímil*,

é, opinião minha, a pior áudio e videoentrevistadora do hemisfério norte. Nas 500 entrevistas - enfim, cerca de 477 - que já lhe audiovi não deixei nunca de lhe perceber uma permanente, irritante e impetuosa necessidade de impor aos entrevistados o que sabe e aos ouvintes/espectadores que sabe.
Audioveja-a aqui à conversa com, na minha opinião biliar, uma das criaturas mais horripilantes da política portuguesa. Nem a inoxidável Ilda Figueiredo o é tanto, com a vantagem de nunca ter governado ou de vir a governar, Deus nos livre.

Este vídeo de 5 minutos e 35 segundos é uma amostra da conversa de chacha, entre a MJA e a Manuela Ferreira Leite a que o i, tão bebé e já tão sediço, dedicou a manchete e 6 lustrosas páginas de ontem, sem que dali ressumbre uma singela ideia, uma que seja, de governação. Diz a Avillez que a Manuela [sic], de casaco azul e blusa às flores […] voou sobre as palavras, discurso fluido, ideias, argumentos […] Ai sim? Não dei por nada. Prazenteira cusquice de duas madames acerca de homens - o Sócrates, o Cavaco Silva, o Durão Barroso, o Rangel, o Marques Mendes, o Santana Lopes, o Sampaio … - é ao que aquilo soa.
Caro leitor, não comprou o i de ontem e ficou a aguar por ler a entrevista? Não desespere, não precisa de se levantar mais cedo nem de ir a correr. O i está a sobrar aos montes em todos os pontos de venda. Uma recomendação: disfarce o mais que puder a pelintrice, que o i é para a classe alta. 1,40 €.
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* Verosímel aos 7 segundos. E o português da Dra. Manuela, senhores, que coisa tremenda, aquelas concordâncias, aquelas conjugações… Pensará bem quem fala tão mal?

Sábado, 9 de Maio de 2009

i 3

O i muda muito, a todo o instante. Por exemplo, os 32 colunistas [já deu para entender que 32 é número-mascote]. Relembro que os 32 eram 30 anteontem e, por coincidência decerto não deliberada nem esperada, 32 ontem. O responsável pela coluna OS SEUS COLUNISTAS pode ser incompetente, e é, mas não podem acusá-lo de não levar a sério o lema do Martim - "o i acredita que num instante tudo muda". De tal modo que por mais que me esmifre na contagem dos 32, não consigo passar hoje de 31. Mas como ele sabe que eu sou o único primata que lê a coluna OS SEUS COLUNISTAS com olhos de ver e de contar, decidiu dar-me baile, tipo aposto em como hoje o cabrão do Plúvio não vai topar nem metade das mudanças… Não sei se as descobri todas, mas esforcei-me:
- o João Carlos Espada voltou a pisgar-se;
- o António Mendes Nunes pisgou-se;
- entrou o José Couto Nogueira;
- o Thomas Friedman passou a T. Friedman [por causa dos custos do papel, ele que é economista?];
- o Cristóvão Avillez Gomes encolheu para Cristóvão Gomes [tenho uma teoria…]
- no Radar/Zoom, a sequência 'Bernardo, Sofia, Francisco, Luís, Fernando' realinhou para 'Bernardo, Luís, Sofia, Francisco, Fernando'.

O código de barras não pára quieto.

O índice PUB, com 12 páginas ímpares e uma par, é que começa a acusar uma preocupante pasmaceira.

Escusam de telefonar

Ir ao arquivo à procura da actualidade pode dar nisto: o jornal é de hoje; a camisola, do século passado.*



* E não é «a razão porque o diz é porque» mas "a razão por que o diz é porque".

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

i 2

Comprei outro i e confirmei: num instante tudo muda...

Ontem, 1 €, hoje 1,40 €; nem o código de barras é já, surpreendentemente, o mesmo.
Os nomes dos colunistas ontem foragidos - João Carlos Espada e Fernando Gonçalves - pontificam hoje com garbo. Não é descritível o indescritível prazer com que um gajo chega ao último nome da lista e verifica que bate certo: a rapaziada diz que são 32 e não é que contei mesmo 32? É certo que ontem o Luís era Jerónimo e hoje é Januário [aposto em Luís Januário], mas que mal tem essa merda se a Marta continua Crawford e no sexo?
O índice PUB decaiu de 22 para 13, mas o i continua a apresentar uma vitalidade ímpar; absolutamente ímpar, não fossem os desmancha-prazeres do WCG e da CGD:
Página 5 - Banif
Páginas 9 - BMW
Página 11 - Zon
Página 13 - Euromilhões
Página 15 - Fiat
Página 19 - Netsonda
Página 21 - Toshiba
Página 27 - Big Time
Página 29 - Força Aérea
Página 47 - Mandrake
Página 51 - Cirque du Soleil
Página 52 - Wallpaper City Guide
No especial “O Melhor do New York Times”,
Página 16 - Caixa Geral de Depósitos

A propósito de páginas, a sequência de hoje - ao contrário da de ontem, mas, lá está, num instante tudo muda - não podia ser mais entediante: a seguir à página 22, vem a 23; a seguir à 31, vem a 32. Resistência à mudança? Cuidado, ó Martim, não deixe a rapaziada enquistar, que o sucesso, rezam todas a bíblias de gestão, é dos que não resistem. Eu sei que “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”, mas isso é mais o pomposo do Alegre.

Não sei ainda se gosto do i, mas vou continuar a comprar. Afinal, o i é o jornal da minha aldeia*. Amanhã, se não mudar mesmo mesmo mesmo tudo num instante, há-de ser o n.º 3.
* Private joke - para usar um português de lei - que não era para aqui chamada.
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Escreveu-me uma leitora a contar-me do prazer, nocturno, que lhe dá – nisso muito me honrando – ler os postes do Plúvio no seu belo iPhone enquanto obra sentada na sanita. Pois nem espremendo até ao último grumo as meninges, conseguiria caracterizar com tanta felicidade o público-alvo [em bom português, target] do Chove que fui congeminando enquanto lhe definia a linha editorial.
Espero, querida leitora, que entenda a razão por que lhe dedico, em especial, o presente poste. Presentes com presentes se pagam.
Agora, autoclismo nisso e ala ler o Wittgenstein.

Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

i 1

1- Da fé
Pelas 09:30 estava a ler o editorial do Martim Avillez Figueiredo, na página 4 do n.º 1 do i, saído hoje, que começa assim: «O i acredita que num instante tudo muda»*.
Segundos depois, na página 5, comecei a perceber que a fé do Martim não é vã:
«Veja quem são» [os 32 colunistas** do i]. Conto devagar,
João Rodrigues [1] Miguel Angel Belloso [2] Carlos Coelho [3] Miguel Gonçalves [4] Jaime Nogueira Pinto [5] Francesco Alberoni [6] Mário Rui Silva [7] Nuno Jerónimo [8] Nicholas Wahrf [9] Ricardo Costa Jorge [10] Paulo Tunhas [11] Bernard Henri-Levy [12] António Mendes Nunes [13] Eugenia Gambôa [14] João Cardoso Rosas [15] Nicholas Kristof [16] Paulo Oom [17] Paulo Gomes [18] Pedro Lomba [19] Thomas Friedman [20] António Pires [21] Cristóvão Avillez Gomes [22] Ricardo Reis [23] Paul Krugman [24] Marta Crawford [25] Inês Teotónio Pereira [26] Bernardo Pires de Lima [27] Sofia Vala Rocha [28] Francisco J. Quesado [29] Luís Jerónimo [30].
Ou seja, de um instante para o outro, ainda o rol estava a ser escrito, zuc, pisgam-se 2 colunistas. Vergonha súbita pela presença da Marta Crawford não é causa a descartar…

Transcorridos mais uns segundos, ainda mal refeito da surpresa, eis senão quando***, sem que o diabo tivesse tempo de esfregar um olho, quanto mais os 2, muito menos os 3, ou seja, de um instante para o outro, não só entendi que a fé do Martim se alicerça em factos como eu próprio comecei a acreditar que a sua rapaziada leva o mote muito a sério: então não é que a seguir à página 22 me aparece a página 31, a seguir à 31 a 24, a seguir à 30 a 23 e a seguir à 23 a página 32?
Juro que paguei 1 euro pelo meu eu i; tem ar de autêntico.

2- Da razão
Jornal diferente de tudo o que há, o i [72 páginas agrafadas] não deixa, porém, de seguir os mais couraçados ditames do marketing moderno no que concerne à paginação da sobrevivência. Vejamos:
Página 1 - EDP
Páginas 2 e 3 - BMW
Página 7 - EDP
Página 11 - Accenture
Página 15 - TMN
Página 17 - Galp
Página 31 [23] - Montepio
Página 27 - Euromilhões
Página 29 - IPL [Instituto Politécnico de Leiria]
Página 23 [31] - Optimus
Página 33 - Caiado
Página 37 - Best
Página 39 - Toshiba
Página 41 - Millennium
Página 51 - Banif
Página 55 - Zon
Página 59 - ISLA
Página 61 - Linic
Página 63 - Licor Beirão
Página 69 - Bioteca
Página 70 - Força Aérea
Página 71 - Termas de Monte Real
Por isso, e até nisso, se pode afirmar que o i é um jornal ímpar.
Não fossem a Força Aérea e a “BMW, uma expressão de prazer”, as páginas pares do i seriam de uma severa e monástica monotonia.

3- De outras merdas
No poste que dedica ao primeiro i, o Eduardo Pitta escreve: «[…] Aos domingos, aparentemente, não há opinião. Será o dia da revista? […]»
Nem parece do Pitta não saber que aos domingos não há i.

Ah, já me esquecia de dizer que o i é um jornal português e que hoje é 7 de Maio de 2009.
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** “Cerca de 32 colunistas” seria a melhor salvaguarda do rigor.
*** Impossível escapar
ao despotismo pandémico do "quando" depois do “eis senão”.

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

José Miguel Júdice

«... uma vergonha

[Antena 1 - 04.Mai.2009]

Domingo, 3 de Maio de 2009

Por liberdade de expressão...,

para onde se terá sumido o cão Sócrates?
Em 19 de Abril, faz hoje 15 dias, postei sobre uma crónica, cronicão por assim dizer, da Fernanda Câncio, que rematava assim:
«Não creio que, em tão exuberante exibicão de taxinomia cinológica, se deva a esquecimento - antes a algum prurido deontológico - uma referência ao patusco "cão Sócrates".»
Hiperlinquei a expressão "cão Sócrates" sobre o url http://www.youtube.com/watch?v=PxMQTIDnUjk&NR=1 que, na altura e até há pelo menos 4 ou 5 dias, conforme pude rever, dava para um episódio da Série Educativa [sic] - perdão, rtp - Jardim da Celeste, disponível no Youtube, em que se assistia a uma conversa - inócua e inocente, refira-se - envolvendo a personagem do Sócrates, o cão.
Vejo agora, com surpresa, que o link vai dar a lado nenhum.
Estive a vasculhar na internet à cata de um vídeo, de uma foto que fosse, do Jardim da Celeste para repor no dito post uma prova visível de que o "cão Sócrates" tem focinho e fala, de que não é invenção ou um delírio meu, mas desisti, depois de 1 hora de insucesso. Quando se acha um link que parece servir, esbarra-se no vazio, no erro ou na informação de que o usuário removeu o vídeo [exemplo; exemplo]. O cachorro zarpou misteriosamente.
Impressão minha ou anda por aqui zeloso e socrático açaime?

Manuel António Pina e o "estalinismo antitabagista"

Se respondeu "Ambas são sobre a liberdade de expressão", acertou e não acaba de ganhar um magnífico automóvel.

Sábado, 2 de Maio de 2009

Miguel Esteves Cardoso acerca do penteado de Vital Moreira

«Vital Sassoon
O cabelo de Vital Moreira deixa-me transfixo. A tal ponto que não consigo ouvi-lo quando o vejo ou ler o que escreve se houver um retrato dele lá no meio. O que é que aquele cabelo está a tentar dizer-me? Como foi alcançado? Aquele risco ao lado que levanta voo como uma esquadra de caças F-16 está aberto a qualquer um? Ou é preciso tomar precauções especiais?
Bem sei que é feio julgar as pessoas pela aparência e que eu próprio teria sido condenado à morte se assim não fosse. Mas um cabelo tão imperiosamente modelado é, tal como o bigode, uma escolha consciente. Não se nasce com um cabelo daqueles ou, caso se nasça, o obstetra não sobrevive.
A opção de configurar e trazer assim o cabelo é inteiramente da responsabilidade de Vital Moreira. Tanto Deus como Viriato estão inocentes. Podemos assim julgar o penteado sem ofender a humanidade e gozar com ele sem estarmos a rir do infortúnio alheio. Não sei quanto tempo e quantos produtos - quantas pessoas - são necessários para obter aquela onda compacta e inamovível. Mas uma coisa é certa: emana soberba e autoridade. Olha-se para aquele resplandecente capacete de oiro branco e cisma-se: "Eis o Rubens Barrichello da Anadia." Veja-se a foto na página 9 do PÚBLICO de ontem. Longo, espesso, repetitivo, vaidoso, impenetrável e sempre a pender para o mesmo lado, o penteado de Vital Moreira é bem o oposto dos seus textos e discursos. Aí residirá a contradição que torna ambos tão irresistíveis.»
- Miguel Esteves Cardoso, Público, 28.Abr.2009
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Metz(tli)xith(tli)co

Como se não nos bastasse a merda da grise, traz-nos agora Deus, na sua infinita bondade, a porcaria da cripe.
México soa-me bem.
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* Confesso que nunca me passara pela cabeça a origem comum do chocolate, da tequila, do sombrero e da bioquímica.

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Desgasta-se uma pessoa a azucrinar os filhos

com a regência do parecer-se/parecido, que é parecer-se com, parecido com, e não parecer-se a ou parecido a, vem o Nobel português da Literatura e zumba:
«[...] Nas últimas décadas, o sector pecuário transformou-se em algo que se parece mais à indústria petroquímica que à bucólica quinta familiar que os livros de texto na escola se comprazem em descrever… [...]»

Lá se me vai a autoridade, foda-se.

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Alfredo, carpinteiro,

sempre revelara, desde a mais tenra idade*, forte inclinação, que é como quem diz grande queda, para a música, e toda a gente, incluindo a vizinhança, achava que era muita pena os pais não terem podido pô-lo a estudar no conservatório.
Até que o destino se cumpriu, com a ironia que quase nunca o larga, quando um belo dia o Alfredo estava a fazer uns arranjos no proscénio do teatro da ópera: ao inclinar-se para apanhar um prego do chão, entrou em desequilíbrio e despenhou-se no fosso da orquestra, vindo, na queda, a embater com a nuca na quina da estante em que o despassarado do maestro esquecera, aberta, a partitura d' O Crepúsculo dos Deuses que, como toda a gente sabe - basta googlar -, Wagner intitulara inicialmente A Morte de Siegfried, desse modo exalando o peido mestre.
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* Quase não sobra alternativa quando se escreve desde a mais tenra: a idade é uma condenação.

Domingo, 26 de Abril de 2009

Amor é

ajoelhar-me quando ela me vira as costas.

«Não há nada mais chato * que um movimento parado.»

- Por Bandeira, sempre magnífico.

* Eu escreveria 'mais chato do que', mas sei da nossa divergência: o José Bandeira é queísta, eu dequeísta. É talvez por isso que, tendo nascido pobre, hei-de morrer miserável.

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Somewhere

There's is a place for us
Somewhere a place for us
Peace and quiet and open air
Wait for us
Somewhere
There's a time for us
Someday a time for us
Time together with time to spare
Time to learn Time to care
Someday, somewhere
We'll find a new way of living
We'll find there's a way of forgiving
Somewhere
There's a place for us
A time and a place for us
Hold my hand and we're half way there
Hold my hand and I'll take you there
Somehow
Someday, somewhere.
[Letra de Stephen Sondheim; partitura de Leonard Bernstein*, voz de Reri Grist]

* Acuso este Pequeno Sacana, esteja lá onde estiver, de continuar a comover-me.
E os tratantes que se seguem, entre muitos outros, só me agravam o problema:
- David Garrett
- Julian Smith
- Gerald Dorsch [este senhor é demais]
- Coro de galeses, gayleses, vá.
- Kiri Te Kanawa

Pássaros, tubarões, borboletas, duendes e cobras, a partir dos 4 minutos e 50 - Cool, senhores!


Foi há 25 anos [1984], para a Deutsche Grammophon. A Tatiana Troyanos ainda estava viva; o Pequeno Sacana também, mas esse é imortal. Estão aqui os 14 episódios, abençoada dinamarquesa. Às vezes, gosto da humanidade.
Ah, e gosto de música.

Terça-feira, 21 de Abril de 2009

Não sei se me queixe do João Marcelino

Cremação,

queimadura de último grau.
[A desenvolver]

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

"Intellectuals", de Paul Johnson [1988] *

Jean-Jacques Rousseau, Percy Bysshe Shelley, Karl Marx, Henrik Ibsen, Léon Tolstoi, Ernest Hemingway, Bertolt Brecht, Bertrand Russel, Jean-Paul Sartre, Edmund Wilson, Victor Gollancz, Lillian Hellman, belíssimos escroques?

* Agora, 2009, em edição portuguesa.
Estas merdas deixam-me apardalado.

Domingo, 19 de Abril de 2009

Fernanda Cãocio

«[...] cão-de-água espanhol [...]
[...] cão-de-água português [...]
[...] perdigueiro [...]
[...] serra-da-estrela [...]
[...] castro-laboreiro [...]
[...] podengo-alentejano [...]
[...] cão-de-fila de São Miguel [...]
[...] serra-de-aires [...]
[...] cão-de-água algarvio [...]
[...] rafeiro-alentejano [...]
[...] cão-de-gado transmontano [...]
[...] barbado-da-terceira [...]
[...] retriever [...]
[...] labrador [...]
[...] cocker spaniel [...]
[...] terrier [...]
[...] boxer [...]
[...] doberman [...]
[...] rottweiler [...]
[...] pitbull [...]
[...] são-bernardo [...]
[...] collie [...]
[...] pastor-alemão [...]
[...] lobo-de-alsácia [...]»

Não creio que, em tão exuberante exibicão de taxinomia cinológica, se deva a esquecimento - antes a algum prurido deontológico - uma referência ao patusco "cão Sócrates".

É sempre comovente testemunhar

a preocupação e o esforço do Diário de Notícias em trazer certinha a contagem dos dias.
Ia jurar que faltam 256 para acabar o ano, mas eles, que contaram duas vezes, é que devem estar certos. Só contei uma e foi de cabeça.

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

“Salome”, de Richard Strauss, no S. Carlos

[…] o pior espectáculo que vi em toda a minha vida […]
É um homem que anda a pedalar por cá desde 1938 quem o diz.
[Expresso/Actual, 10.Abr.2009 - (1) (2) (3)]
Por estas, e quase todas as outras que lhe tenho lido, é que gosto muito do Jorge Calado - (1) (2).

[…] fodas homo e hetero para todos os gostos. […] - No pudico Expresso, quem diria?

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

Caminhamos a passos largos

para os gloriosos anos 20.
Não sei se aguento, até lá, tantas saudades da minha avó Quitéria e da minha avó Nazaré.

Domingo, 12 de Abril de 2009

Je est un autre *

Religioso sem fé,

destinei alguns quilómetros destes dias santos de vilegiatura pascal a visitar uma vintena de igrejas alentejanas que não conhecia.
Esta foi a de que mais gostei. Menos barateira e com tecto mais baixo do que, por exemplo, a Sé de Évora, onde me cobraram 1 € para dizer um pai-nosso de joelhos, não sofre comparação o abençoado consolo com que uma pessoa dali sai. Serviço honestíssimo, esmerado, simpático e em conta, paramentos de pano, iguarias divinais; reza-se sentado.
Vendo melhor, Deus talvez exista. Se o abelhudo do filho ressuscitou, isso é que já é outra música.

Sábado, 11 de Abril de 2009

«Ela é a tenaz»

«[...] No quadro de um mundo matematizado e calculável, as qualidades, as formas e os valores de ordem moral, porque não calculáveis, são remetidos para o domínio do subjectivo, do arbitrário e até da irrealidade. Diante da morte não há cálculo possível. Fica-se atenazado: impossível pensar que tudo acaba ali, impossível pensar um depois e um além. Mas, sem eternidade, o que vale ainda, o que tem realmente valor? Se tudo desembocar no nada, ainda há, pensando até ao fundo e ao fim, diferença real e última entre bem e mal, verdade e mentira, justiça e injustiça? [...]»
- Anselmo Borges, Diário de Notícias, 11.Abr.2009

«[...] nada impede que dentro de cinquenta ou cem anos (porque não dentro de cinco?) volte essa neurose ou psicose de angústia da morte, de tipo metafísico, com a pergunta radical: para quê o esforço da nossa existência, se morremos completamente, vamos para a cova e, em última instância, não nos resta nada?»
- Ernst Bloch, em 1964, citado pelo padre Anselmo Borges, a fechar a sua abordagem da morte - Ela é a tenaz -, no DN de hoje

Para quê o esforço?, pois. Não fossem as galdérias da memória e da curiosidade a fazer a comichão que ainda me fazem, eu lhes dizia. E o cabrão do amor, enfim.
A minha fé já teve melhores dias.

Terça-feira, 7 de Abril de 2009

O Diário de Notícias caminha para a intemporalidade

Meus amigos, como eu dizia, não é fácil, mas daí a recorrerem à batota fica-lhes mal, chiça. Não acham que 3 opções por dia começa a ser abuso? Vale que estão todas erradas...
Uma ajudazinha aqui do Plúvio, mas não contem a ninguém, OK?
Amanhã, 8 de Abril, será o nonagésimo oitavo dia e faltarão 267 para o ano acabar.
Vá lá, acreditem em mim.