Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

«Condenados por andarem a corrigir erros

Dois americanos, Jeff Deck e Benjamin Herson, ambos de 28 anos, foram condenados ao equivalente a 1850 euros de multa e proibição de entrar nos parques nacionais dos EUA, por corrigirem os erros nas placas de informação. Depois de darem uma entrevista na rádio pública como líderes da Liga Contra os Erros Ortográficos, acabaram detidos num miradouro do Grande Canyon a apagar um apóstrofe mal colocado.»

Não é difícil adivinhar porque acho graça nesta informação, assinada por João Vaz na rubrica "Insólito" da Sábado de hoje.
Ao mesmo tempo em que garanto o rigor da transcrição, ofereço prémio na volta do correio se descobrir, para lá da graça, o piadão que ali encontro.

Ab önf.

O nosso idioma conterá, arredondando por grosso quanto dele sei, 400 000 vocábulos. Para, por exemplo, dizermos em português que gostamos muito de uma pessoa, dizemos, por exemplo, amo-te.
Pois nem assim, meus caríssimos 2 leitores, consegui dizer senão em idiolecto o que me trouxe aqui.
Isto é de como um blogue pode servir não apenas para se cagar nele, espanejar-se, fazer paciências ou salvar a humanidade.
E de como, também, sem grande esforço, um gajo pode dar uma de gongórico; ou seja, insuportável até dizer chega.
Mal possa, vou ver melhor quem era Dave Freeman e em que mais exactas circunstâncias quinou, se é que não foi de FMO.

Domingo, 24 de Agosto de 2008

Acho a Carla

muito mais credível. E incomparavelmente mais bonita. *
De resto, não simpatizo com Sua Santidade. Aparenta-me sempre um farsante próspero.

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* Foto recolhida no Diário de Notícias de 23.Ago.2008

Update-

se! soa-me a ordem com o seu quê de contraditório.
Ok ok pronto tá bem, downvante-se!

Por coincidência e pura inocência

Fotografias tiradas no Algarve - Vilamoura e Loulé - em 23.Ago.2008
Parabéns ao Diário de Notícias.

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* Se não sabe nadar, é prudente que não saia da zona com pé.

"[...] E, descendo ao pormenor,

por comermos como comemos, a deixa para o Greenpeace trazer uma barcaça a Lisboa a fim de nos explicar que possuímos "um apetite insaciável" e de nos aconselhar a ingestão de peixes "sustentáveis". Insustentável é a soberba de uma senhora da barcaça, que nos invectivou, com maus modos, a reduzir o consumo de bacalhau. Um dia, quando se apurar que, contas feitas, era a tainha que estava em risco, a senhora provavelmente não vai pedir-nos desculpa. Certamente eu não lhe pedi a opinião.
Essa é, aliás, a única vantagem da Greenpeace. Se não lhe reconhecemos autoridade, não lhe devemos obediência, bênção que merece todas as comemorações possíveis: à Brás, à espanhola, assado, no forno, à Zé do Pipo, à lagareiro, com grão, à Gomes de Sá. [...]"
- Alberto Gonçalves, DN, 24.Ago.2008

Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Suspeito

de que a capacidade de postar mais do que uma por dia me venha daqui.
Quanto ao uma por dia e ao me venha, onissuá quimal ipanse

Adoro a cortiça

e acho isto muitíssimo bem feito.
Não me importo nada com que o Amorim seja o mais rico de Portugal e agradeço ao João Gaspar a lembrança.

Ai

Manuela, manuela, que não se vê meio de ela
dizer alguma coisa de jeito.
E oxalá nunca diga.
Prefiro a espanhola.

Silêncio, por favor - 3 andamentos

David Tudor parece-me algo fogoso.
Armin Fuchs escusava de gesticular tanto.
E é do meu pulso ou ambos se alambazaram na duração?

É por isso que prefiro, de longe, esta interpretação. Iluminação e acústica imaculadas, rigor no tempo*.
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* Bom, rigor talvez nem por isso. Consta que, antes de as luzes se acenderem, e já no bruaá dos primeiros aplausos, o pianista se pisgou - não mais tendo sido avistado desde então -, acossado por um polícia de mandado de captura em punho que se preparava para o deter por motivo da fortíssima suspeição de furto do segundo que faltava na peça, a qual terminou aos 4' 32'' em vez de aos 4' 33'' de lei, nisso, aliás, aliando ao delito de furto um crime de lesa-cultura. Daí, o apocalipse subsequente e a derrocada da delegação olímpica portuguesa em Beijing, com a honrosa excepção de um assaltante eborense que, mal soube da tramóia, deu 3 pulos de contentamento, atou um nó na garganta do Sócrates e proclamou, antes do bitoque, "vencer é bom!".
O quê? ... derrocada não era o termo mais adequado e as excepções são sempre honrosas? Que se lixe.

As despedidas de solteiro

oferecem uma irreversibilidade altamente estimável: pelo menos por esse lado, não haverá novo argumento para festas idiotas, e só Deus sabe quanto me reprimi para não dizer eventos.
A festa idiota seguinte costuma ser a do casamento.

Macacos me mordam

se isto não foi redigido em euforia etílica.
Bravo, Mónica!

Do título ao . final,

Fernanda Câncio, notável.

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

Ó Nélson, à cautela, não

vás nessa.

Para o caso de o Phillips Idowu - 2.o no triplo salto - desatar a dizer que a prata dele vale mais do que ouro, eu, se fosse ao Nélson Évora, ia a uma boa ourivesaria - na China, há-de haver pelo menos uma - a ver se o ouro que ganhou vale ou não vale mais do que prata.

Quantos, quem, onde, em que circunstâncias

é necessário que morram de uma só vez para que se justifique 1 minuto de silêncio [porque não 1 mês?], para que os estadistas decretem luto nacional, meio hasteamento da bandeira ou troquem mensagens públicas de pesar, para que os desportistas ponham um fuminho nas camisolas, etc.?
153? Mais de 30? Acima de 80? 10 americanos? 25 franceses? 40 brasileiros? 150.000 bengalis? 1 milhão de sudaneses? 3 sportinguistas? 13 portugueses?

Quanto a mim, bastaria 1, fosse quem fosse, onde quer que fosse, de que morte fosse.
Ou, vendo bem, nenhum; mas talvez melhor, todos.


Nota 1
Desculpe o preto carregado, mas tinha de ser.

Nota 2
Juro por nossa honra, a do Plúvio e a minha - nisto juntando os pés, como manda a puta da sapatilha -, que o presente post não é patrocinado pela Servilusa.
Nota 3

Nem pela Servilimpe.

Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Em que minoria étnica

arruma a Doutora Fernanda Câncio a fome quando esta é negra?

Alter-égua,

porque nenhum maricas que se preze tem alter-ego.

Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Coisa pífia

Hoje, RTP 1, telejornal das 20:00 - Noticia-se o 2.º lugar da Vanessa Fernandes [... a vitória * mais saborosa na carreira de Vanessa Fernandes ... está cumprido o sonho de Vanessa Fernandes que era também o sonho de milhões de portugueses ... uma prata a saber a ouro ... ] enquanto se vêem desfraldadas, num mastro em Pequim, 2 bandeiras da Austrália e 1 de Portugal, soando lá - a gente sabe que soava - o hino australiano, e nos televisores de cá, solene e estentórico, o hino nacional português.
Se eu mandasse nos olímpicos, era assim: entregava-se a medalha de bronze, depois a de prata, depois a de ouro, posto o que se hasteava a bandeira do país do 3.º classificado, depois a do do 2.º e a do do 1.º; a seguir, tocava-se o hino nacional correspondente ao 3.º lugar, a seguir, o correspondente ao 2.º e, finalmente, o hino correspondente ao 1.º.
No caso vertente, escutaríamos 2 vezes o hino australiano e 1 vez “A Portuguesa”, e sempre se poupava à RTP o ter de ir à procura do disco e pô-lo a tocar.
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* Fui confirmar: quem venceu foi a Emma Snowsill. Atente-se no nome da senhora que ficou em 3.º lugar... Por alguma razão, a Austrália é o país da ema; aprende-se nas palavras cruzadas.

Homo sum, nil humanum a me

e não me chamo Terêncio.
Causa-me uma ligeiríssima repugnância, leve tristeza e alguma estupefacção a evidência de que os humanos devoram os frangos todos. Mas não só os frangos: ele são praticamente todos os porcos, cabritos, vacas, perus. A criação, enfim.
Não lhes bastando, dizimam quase todos os repolhos.
E não fica por comer quase nenhuma melancia, fruto que, em o abrindo, me lembra o lado de dentro de certa ideia - tenho outras - do sexo da mulher.
Há direito ou a vida é mesmo assim?

Domingo, 17 de Agosto de 2008

Da Jamaica ao céu, 100 metros.

Tanta glória em tão poucos segundos merece que se reggae com champanhe.

Usain Bolt 2163 [9.69] - ouro
Shelly-Ann Fraser 2165 [10.78] - ouro
Kerron Stewart
2178
[10.98] - prata
Sherone Simpson
2145
[10.98] - prata

Gosto deles.

... bum bum ...

José Rodrigues dos Santos parece-me sempre, até na guerra, um artista piroso. Destemido, porém *.
Na ... mais perigosa estrada do mundo ... ignoramos a proibição georgiana e avançamos ... [15.Ago.2008]
... na linha da frente ... [16.Ago.2008]
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* Depois daquelas 15 passadas do jornalista, a partir do minuto 3:58 do 1.º vídeo, não mais será o mesmo o concerto entre as nações.

Francis Obikwelu

"Nós é que agradecemos" - Daniel Oliveira

"... são raros os que, como Obikwelu, não pedem, trocam.” - Ferreira Fernandes

Sábado, 16 de Agosto de 2008

A volta a Portugal hoje em Seia,

diga-se de passagem.

Amanhecer em Pequim

"Esforcem-se porque vale mesmo a pena."
- Marco Fortes, atleta de peso, ontem.

Algumas drageias de espírito olímpico lusitano, com agradecimento ao blogue Lanterna Roxa.

"[...]
Em perigos, e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana
[...]"
Luís Vaz de Camões - Lusíadas, canto I, estrofe 1

Consta que o Tony Carreira

se prepara para registar A Marselhesa na Sociedade Portuguesa de Autores [SPA]. Não sei se me fie.

[NOTA- Este post é tributário do bom serviço assinado por Tiago Pereira no DN de ontem e do blogue O VERDADEIRO TONY. *]

Em 1967, Riccardo Del Turco obteve, em Itália, êxito assinalável interpretando Uno tranquilo, composição musical de Daniele Pace, Mario Panzeri e Lorenzo Pilat. Cedo o sucesso transpôs fronteiras e línguas. Oiçam-se, por exemplo, as seguintes versões:

Em 1998, 31 anos depois, o nosso Tony Carreira edita e canta Leva-me ao céu, declarando-se na Sociedade Portuguesa de Autores [SPA] como compositor da música e passando, obviamente, a cobrar os respectivos sumarentos direitos.
É do meu ouvido ou o Carreira anda a gamar?

Os outros 2 casos mencionados no DN e no blogue:


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* Depois de ter postado, vejo que já em Novembro de 2006 o blogue Peciscas dera uma lambuzadela no assunto. Decerto muito boa gente - tão boa que faz pouco barulho - tem vindo de há muito a dar-se conta das habilidades do nosso Carreira.


Domingo, 10 de Agosto de 2008

Melão,“… fruto do acaso”?

Gosto de melão e gosto desta notícia, no DN de hoje:

«Melões podem ajudar a entender sexo das plantas
Um gene responsável pela determinação do sexo nos melões pode ajudar a esclarecer a evolução do sexo nos vegetais e eventualmente o sistema de reprodução dos seres vivos, defendem investigadores franceses e alemães, baseados num estudo publicado esta semana na revista Science. Os sistemas sexuais dos vegetais interessam aos cientistas pela sua variedade - as espécies podem ser dotadas de diversas combinações (macho, fêmea, hermafrodita).
O melão é um caso particularmente interessante porque o sistema sexual parece resultar de uma evolução recente, que os cientistas acreditam não ser fruto do acaso.»

Apetece-me destacar os momentos da notícia a meu ver mais certeiros: pode ajudar a esclarecer / eventualmente / parece resultar / os cientistas acreditam.
Ou seja, continuamos a saber muito pouco. E é se tudo o que sabemos não for ilusão.

Sábado, 9 de Agosto de 2008

O Rénio, o Ósmio e o Irídio

Dedicado a quem acha que não sei escrever com densidade.

Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Silly season é das estrangeirices

que, de há uns 10 anos a esta parte, mais me irritam e cansam.
Ele é silly season para aqui, ele é silly season para acolá, ele é silly season a propósito de tudo, ele é silly season a pretexto de nada. Não há órgão de comunicação social ou plumitivo que se preze que resistam à expressão. Raios partam o* silly season! Será que não existe nada em português que equivalha? Quando iremos ver-nos livres da praga silly season em todos os Verões de Portugal?
O que um consumidor de mídia tem de aguentar até que chegue a rentrée, foda-se.
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*Masculino deliberado.

Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

Traquejo

era requisito indispensável para aquele emprego de enchimento, esvaziamento e manuseamento de botijas e garrafas de gás comprimido.
Descontraidíssimo e inchado de confiança, a entrevista de recrutamento não poderia correr-lhe melhor: arrotos deu 4 e 4 arrotos abortou; soltou 5 peidos e deteve outros tantos; à 6.ª bufa sub-reptícia, tinha o lugar mais do que garantido.

- Então, doutora, que tal o candidato?
- Muito bom ar, doutor, muito bom ar, do mais assertivo que já vi.

Terça-feira, 29 de Julho de 2008

Paneleiro, 6 - Homossexual, 4

Público - O juiz não deixou de comentar as motivações do arguido.“Dar um tiro em alguém por ser homossexual e por supostamente ter tido relações sexuais com um gato que ajudou a resgatar, e por isso o animal ter ficado paneleiro, é talvez o motivo mais torpe que eu já vi na minha vida”, frisou.
Diário de Notícias -
O juiz-presidente, João Amaral, considerou que o motivo que desencadeou os factos "é torpe". "Dar um tiro em alguém por ser homossexual e por supostamente ter tido relações sexuais com um gato que ajudou a resgatar, e por isso o animal ter ficado homossexual, é talvez o motivo mais torpe que eu já vi na minha vida", frisou o juiz.
Jornal de Notícias
-
"Dar um tiro em alguém por ser homossexual e por supostamente ter tido relações sexuais com um gato que ajudou a resgatar, e por isso o animal ter ficado homossexual, é talvez o motivo mais torpe que eu já vi na minha vida", frisou o magistrado.
24 horas * - "Dar um tiro em alguém por ser homossexual e por supostamente ter tido relações sexuais com um gato que ajudou a resgatar, e por isso o animal ter ficado paneleiro, é talvez o motivo mais torpe que eu já vi na minha vida", frisou o magistrado.
Correio da Manhã - Nunca deparei com motivo mais torpe e surreal para tentar matar uma pessoa: o senhor disparou dois tiros contra um indivíduo que acabara de lhe salvar o gato porque alegadamente ele era homossexual e, ao pegar no animal, ia fazer com que este também se tornasse homossexual", sublinhou o juiz do Tribunal de S. João Novo, no Porto, no final da leitura do acórdão que condenou o arguido a cinco anos e meio de prisão por tentativa de homicídio e posse de arma não legalizada.
RTP -
"Dar um tiro em alguém por ser homossexual e por supostamente ter tido relações sexuais com um gato que ajudou a resgatar, e por isso o animal ter ficado paneleiro, é talvez o motivo mais torpe que eu já vi na minha vida", frisou o magistrado.
Diário Digital - «Dar um tiro em alguém por ser homossexual e por supostamente ter tido relações sexuais com um gato que ajudou a resgatar, e por isso o animal ter ficado paneleiro, é talvez o motivo mais torpe que eu já vi na minha vida», frisou o magistrado.
IOL/Portugal Diário - O juiz-presidente, João Amaral, considerou que o motivo que desencadeou os factos «é torpe». «Dar um tiro em alguém por ser homossexual e por supostamente ter tido relações sexuais com um gato que ajudou a resgatar, e por isso o animal ter ficado homossexual, é talvez o motivo mais torpe que eu já vi na minha vida», frisou o magistrado.
Sapo/Notícias - "Dar um tiro em alguém por ser homossexual e por supostamente ter tido relações sexuais com um gato que ajudou a resgatar, e por isso o animal ter ficado paneleiro, é talvez o motivo mais torpe que eu já vi na minha vida", frisou o magistrado.
aeiou/quiosque - «Dar um tiro em alguém por ser homossexual e por supostamente ter tido relações sexuais com um gato que ajudou a resgatar, e por isso o animal ter ficado paneleiro, é talvez o motivo mais torpe que eu já vi na minha vida», disse o magistrado João Amaral, citado pela Lusa.

Quero crer que o meritíssimo juiz disse "paneleiro" e, por isso, confio na honestidade do ouvido do repórter da LUSA.
Adulterar os factos em nome da pudicícia não é apenas ridículo; é sobretudo intolerável.
Não consegui apurar se o gato foi chamiado a depor e desconheço se a Doutora Fernanda Câncio já se pronunciou sobre este episódio deveras fracturante.
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* Sem desprimor da sua pasquinice ordinareca e sensacionalista, o 24 horas foi quem mais se esforçou, ao mostrar-nos o belo portão do tribunal.

Amavam-se muito, muito, muito, muito.

Pouco mais.

Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Faz certa diferença

acolher-se no comboio das 15:45 ou ser colhido por ele.
Mas nada que chegue a um bom colo.

Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Com “ | Sem “

A fonte dos problemas [bom título] - DN, 18.Jul.2008
Contei: 7 x “ciganos”, 1 x “cigana” [“comunidade cigana”]; 7 x “pretos”, 1 x “preto” [Barack Obama]; nenhuma vez cigano, nenhuma vez preto; 1 x minorias étnicas, 1 x perseguição étnica, 1 x aparência étnica [ai, Fernanda, Fernanda, aparência?], 1 x guetos étnicos, 2 x etnia.
Morador no tempo em que há ciganos, pretos, brancos, índios, monhés, chinocas, abelhas, zângãos e categorias “étnicas” que tais, tudo diferente, tudo igual, acho que nem 2 encarnações me chegarão para atingir um grau de desenvolvimento, vá lá, próximo do que, aparentemente numa só, a boa consciência da senhora Doutora Fernanda Câncio logra atingir.
A repugnância em escrever, por exemplo, cigano sem aspas não está ao alcance de qualquer um.

Se a boa educação fica sempre bem às pessoas, numa mulher bonita e culta, então, nem se fala.

Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

«No próximo ano,

quando Manuela ganhar as eleições e formar Governo, […]»
- Vasco Graça Moura, DN, 16.Jul.2008
Comove-me o desvelo ungido, quase levitante, com que estes arúspices dizem Manuela.

Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Sem links, desculpe.

Última questão colocada por Cristina Margato, na conversa que travou em Vecoli [Itália] com Peter Zadek - publicada no Expresso/Actual de 13.Jul.2008:
CM- Para o público, Peer Gynt é o rapaz da casa ao lado, e para si? É um rapaz egoísta?
PZ- Palavras como egoísta ou altruísta irritam-me, porque dizem uma parte da verdade. Quero que ele diga toda a verdade. Quando olho nos seus olhos não vejo apenas uma jornalista que está sentada na minha mesa de pequeno-almoço. Vejo outras coisas, que estão a acontecer nos seus olhos e nomeiam toda a sua vida, mas não me pergunte quais, porque não lhe vou responder. Sempre achei que no palco as pessoas deveriam ser tão interessantes e complexas como são na rua. E os actores tentam sempre destacar apenas uma pequena parte da personalidade ou da situação. Normalmente há 18 situações a acontecer ao mesmo tempo, e algumas são mais importantes e outras menos, mas quero que elas estejam todas lá. O tempo todo.

Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Ainda sobre o fogo da Liberdade à Glória

Leio que, quando os bombeiros chegaram, aquilo já crepitava acima dos 1000 graus Celsius.
Leio também que, mais do que a experiência de muitos anos de mangueira, o que lhes valeu foi o sangue-frio.
Parece-me mais do que adequado.

Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Lisboa, da Liberdade à Glória

A ignição deu-se pelas 22:30.
A circunscrição, pelas 02:00.
Rescaldo, palavra bonita.
Soirée no S. Jorge.
Dantes ardia mais.
Quando chove é diferente.

Sábado, 5 de Julho de 2008

Ó pá, tenham mais cuidado.

No mesmo dia, hoje:
- Na 1.ª página do SOL, "Presidente da TAP quadriplicou ordenado ...";
- Na peça principal do DN [4 páginas dedicadas a touros, toureiros e touradas], 13 x aficcionado/aficcionados e 2 x aficción, não contando com o ter-se feito dizer a Ricardo Chibanga "É uma forma de contribuir tudo aquilo que fizeram por mim";
- Ainda no DN, «Declarações "retrógadas e inaceitáveis"» num título em bold vermelho;
- Finalmente, o óptimo do Rogério Casanova é posto a escrever, na sua recensão de 'Rumo ao Farol', de Virginia Woolf - Expresso / Actual -, "condições metereológicas".

Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Venho bater palmas a este

ponto de vista.
Bravo, senhor Ferreira Fernandes!

Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

- Não me digas que não sabias que

o Tolstoi escreveu a Ana Karenina...
- Ai sim? E ela respondeu-lhe?

Domingo, 29 de Junho de 2008

A Fernanda Câncio de que gosto

"[...] Ter medo do silêncio é sempre mau sinal."
- Notícias Magazine, 29.Jun.2008, crónica intitulada "Dar música", a propósito da praga da música em altos berros em tudo quanto é sítio [só faltando mesmo nos velórios, sei lá.]

Talvez a FC venha a disponibilizar a crónica toda, dentro de dias, aqui.

Colector de esgotos

é uma expressão linguística que me suscita sentida simpatia. Sem colector de esgotos, e expressões funcionalmente envolventes, que de igual modo estimo e me penhoram, perderia quase toda a civilidade o gozo com que leio, sentado a obrar - prazer duplo, afinal -, as recensões críticas que o Rogério Casanova começou a fazer no Expresso. Chapeau!, em bom português.
A propósito, será que o Osvaldo Manuel Silvestre continua desgostoso com o Actual? Eu não.

Sábado, 28 de Junho de 2008

turpilóquio

s.m.
bom para a alma, bom para a pele;
no momento azado, no desmando, na raiva e no prazer;
para o entalanço, a picada, a martelada, a topada e a cabeçada;
no revés e no regozijo;
no êxito e no fracasso;
ao cair-se, ao doer-se e ao vir-se;
ámen.*
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* Não fosse o Espírito Santo - sempre divino, severo e loquaz - ter-me atalhado a língua, veria o caríssimo leitor** se o verbete não rematava por valente e estrídula caralhada.
** E você, confesse, há quanto tempo não avistava um turpilóquio?

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Nem por preferir, de longe, o António Lobo Antunes

ao José Saramago, acho mais suportáveis naquele do que neste os jeitos de prima donna. A peça, no DN de hoje, vem entre meia dúzia de caixinhas complementares, não disponíveis online, entre as quais esta:

«Günter* Grass e o veto
Quanto a ter uma palavra na programação editorial, vai [A.L.A.] buscar o exemplo de um escritor de quem gosta, “um dos poucos em que a Academia Sueca acertou nos últimos 20 anos ao dar o Nobel - porque o tem feito a escritores de quinta ordem - e que é Günter* Grass. Ele tem uma cláusula no contrato que lhe permite vetar livros a publicar. Eu não quero isso embora tivesse vontade quando vejo tanta coisa miserável ser editada”.»


Insista o António Lobo Antunes mais nos romances e nas crónicas, menos na dor de cotovelo e na vaidade, e, quem sabe, os suecos ainda venham a acertar nele [escritor de segunda ordem?].
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* No DN escrevem Günther. O fraquinho pelo th vem de trás; eles lá sabem.

Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

"A feira cabisbaixa" *

Mas só isso [alguma "credibilidade" e um vestígio de ambição] não chega para "Ganhar Portugal", como prometia a moção da dra. Manuela às "directas". A moção do dr. Menezes também pretendia "Ganhar Portugal" e afinal, é sabido, ganhou a Alemanha.
- Alberto Gonçalves, Sábado, 26.Jun.2008
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* "A Feira Cabisbaixa", título da reportagem do Alberto Gonçalves sobre o congresso do PSD
"Feira Cabisbaixa", obra de Alexandre O'Neill publicada em 1965

Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Não era a 1.ª vez que o ladrão de pepinos

respondia por delito hortofurtícola;
nem a última em que melhor fora eu ter-me calado.

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Hamlet em Mirandela

Ser ou não cereja questão.

Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

Especulação meteorológica

O João Gaspar pôs um letreiro no estaminé dele - agradeço a gentileza, mas assim só me arranja obrigações - a dizer que isto é pluviosidade.
Já sei como vou chamar ao meu próximo blogue, para ele pôr um letreiro a dizer ventosidade.

muito brevíssima história do tempo antes e depois de cristo, depois de ceia de arroz branco, feijão catarino

e atum tenório. *

alguém sabe como foi o princípio e como era no começo? eu também não.
de maneiras que umas pliocenas depois do big bang - advirto desde já que só estou autorizado a contar a partir do ponto em que o stephen hawking não conta mais -, aquilo onde tocava o duke ellington e esses todos, vem o homem sábio e aí distinguia-se fêmea de macho, lá em cima e cá em baixo, o forte era mais forte do que o fraco e o fraco mais fraco do que o forte, de tal modo que o escravo mandava muito menos do que mandavam nele e o preto era ligeiramente menos claro do que o branco; vem o moisés e o Maomé, a mulher estava proibida de ter alma e carta de condução, acaba-se a escravatura, vem o avião - ainda não? - ok, vem a bossa-nova - ainda não? porra - então, vem a pílula, a mulher começa a dar a comunhão na missa, que é uma pouca vergonha, entretanto o adolfodeu judiaria e ciganagem, a pretalhada lá se ia entredevorando, alguns com fome, pobrezinhos, o padre borga gravou uns discos, o mantorras escreveu um livro, os americanos matam e morrem que se fartam, os japoneses também deram neles, o zé dos bigodes idem aspas - o átila não é dessa altura? - ah ok, era o pol pot, não contando cataclismos naturais tipo sismos, vulcões, sexo, mao tsé tunga neles, tsunamis e ciclones; esquecia-me de dizer - eh pá, mas não te esqueças da parte em que entram os gajos da páscoa, mal encarados e mudos como penedos; quem, os moai? sim, que os das pirâmides eram mais especialidade do arqui medes quanto? mas o tamanho conta?, estou fodido; agora dizem que aquilo de stonehenge era cemitério, e há monstro no lago ou não?, ah pois claro mas o yeti, o et e o bob proctor ** não são para aqui chamados que esses estão felizes sem queixas que se conheçam - que o mouro até foi um tipo porreiro, várias gajas para um homem, petróleo à fartazana, excisão e infibulação nelas que o seguro morreu de velho; entretanto, vem a
doutora câncio e nunca se esteve tão perto da inclusão na lei e na normalidade das diferenças e opções fracturantes tipo homem com homem no código civil adopção plena sucessão e tudo sem esquecer mulher com mulher no código civil adopção plena sucessão e tudo, que o direito à indignação e à diferença entre iguais, perdão, à igualdade na diferença, dizia eu que o direito a isso tudo é uma coisa muito linda e até se me constou que esta problemática já estava claramente enunciada nos princípios mais elementares da patafísica, que estuda a identidade dos contrários e a nossa sorte é a paneleiragem não ter desatado ainda a legislar as leis todas incluindo as regras de trânsito na rua da constituição [é verdade, esqueci-me do manuel carvalho da silva nos nãosimpatizos e de todos os autarcas comunistas nos simpatizos], e que mal tem se a humanidade inventou e se precatou entretanto com o palito, o corta-unhas e o papel tissue? nenhum, acho, nem acho que fique bem fazer humor com certos e determinados assuntos, além de que é cómodo quando se é anónimo, não obstante o ip.
enfim, mas isto é apenas a história da civilização, que é quase-nada.
o resto, que é quase-tudo, incluindo a invenção do dinheiro, o acorde de sétima diminuta e a ordem correcta e inteligível dos factos, sem esquecer o papel da doutora fernanda câncio
na felicidade dos povos, é a história do absurdo.
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* singela homenagem a todos os bons bloggers que lavram tudo em minúsculas. senti-me forçado a abrir uma excepção [as excepções costumam abrir-se] naquele M e sei que não é necessário um link para fatwa; os meus 2 leitores são cultos, assim fosse eu.
** nas imediações da proctologia, que trata do olho do cu e logradouros.

Domingo, 22 de Junho de 2008

Simpatizo

consigo, Ana.
Simpatizo consigo, Mário.
Simpatizo consigo, Helena.
Simpatizo consigo, Joseph.
Simpatizo consigo,
Maria.
Simpatizo consigo, Alberto.
Simpatizo consigo, José.
Simpatizo consigo, Júlio.
Simpatizo
consigo.
Simpatizo consigo, António. [Um abraço à minha mãe, se a encontrar.]
Simpatizo consigo, Pedro.
Simpatizo consigo,
Ricardo.
Simpatizo consigo, Guilherme.

Simpatizo consigo, António.
Simpatizo consigo, Carla.
Simpatizo consigo,
Paulo.
Simpatizo consigo,
Rita.
Simpatizo consigo, José
.
Simpatizo consigo,
Maria.
Simpatizo consigo, Anselmo.
Simpatizo consigo, Álvaro.
Simpatizo consigo, Marta.

Simpatizo consigo, Eduardo.
Simpatizo consigo, Lídia.

Simpatizo consigo, Fernando.
Simpatizo consigo,
José.
Simpatizo consigo, Maria.
Simpatizo consigo, Joel.
Simpatizo consigo, António.
Simpatizo consigo, Catarina.

E daí?

Sábado, 21 de Junho de 2008

Não simpatizo

consigo, Manuela.
Não simpatizo consigo, Boaventura.
Não simpatizo consigo,
madre. [Cumprimentos ao S. Pedro]
Não simpatizo consigo, Manuela.
Não simpatizo consigo, Octávio.
Não simpatizo consigo, Catarina.
Não simpatizo consigo, Manuel.

Não simpatizo consigo, Diana.
Não simpatizo consigo,
Maria.
Não simpatizo consigo, Carlos.

Não simpatizo consigo, Aníbal.
Não simpatizo consigo,
Teresa.
Não simpatizo comigo.

Não simpatizo consigo, Ilda.
Não simpatizo consigo,
José.
Não simpatizo consigo, Karol. [Beijinhos à madre Teresa]
Não simpatizo consigo, Cristiano.
Não simpatizo consigo, Pedro.

Não simpatizo consigo, Carlos.
Não simpatizo consigo,
José.
Não simpatizo consigo, Elisabete.
Não simpatizo consigo, Mário.

Não simpatizo consigo, Luís.
Não simpatizo consigo, Manuel.
Não simpatizo consigo,
meu sargento.
Não simpatizo consigo, Maria.
Não simpatizo consigo, Pedro.
Não simpatizo consigo, Inês.
Não simpatizo consigo,
Fernando.
Não simpatizo consigo, Eugénia.

E daí?

PS - Logo trarei 30 com quem simpatizo.

"Prestar uma atenção patológica

em algumas coisas é a única maneira de se divertir neste mundo."
- Alexandre Soares Silva

Quanto vale o meu?

Nicles de bitocles *, inefável e tesa senhora. Não me importo nada, ora essa.
__________
* Moeda antiga

Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Portugal, 2 | Alemanha, 3 | Turquia, 4 | Itália, 5 | Holanda, 6 | Espanha, 7 …

Creio que nem tudo está perdido, ainda; haja esperança, porra!, que ou me engano muito ou o Brasil ainda acaba por ganhar aquela porcaria.

E agora, o meu momento João César das Neves.
João César das Neves não é cidadão consensual. Dito assim, parece que nem é dizer mal. Pois não. Pior do que o consenso, talvez só mesmo a unanimidade. [Pensando melhor, consenso até é capaz de ser coisa boa, amiúde necessária. Pensando ainda melhor, perdão, um pouco mais, unanimidade é capaz de ser mil vezes pior, salvo, claro, quanto a João Gilberto ser sempre bom.]
João César das Neves é das criaturas mais execradas e vilipendiadas na blogosfera e noutras ágoras lusitanas. Sempre que posso, leio-o; sempre que posso, leio os seus detractores. [Ai, as saudades que me faz Eduardo Prado Coelho, de quem li tudo * e de quem nunca gostei abaixo de 2% nem acima de 98%. Do João César das Neves, ao invés, nunca costumo gostar acima de 98% nem abaixo de 2%.]
Mas a que propósito vem o João César das Neves? Ah, já me lembro. É que no Destak de ontem, 19.Jun.2008 [página 25], o João César das Neves escreveu o seguinte:
«[…] Desde o início que se alimentaram
grandes esperanças. Não passar à segunda fase seria
uma catástrofe, falhar nos quartos de final um desastre, não chegar
à final uma vergonha. Sendo assim, o mais provável é termos
um desastre ou uma vergonha.
[…]»
É o que se chama “tiro na mouche” ["tiro na muge", ouço dizer a alguns apedeutas e licenciados por universidades portuguesas, decerto fãs da Amélia.].
Não sendo João César das Neves pessoa de pouca fé, que a tem e muita, julgo que não acertaria tão certo se não fosse igualmente homem de ciência.
Ao contrário, veja o caro leitor quanto o Ferreira Fernandes errou por ir menos pela ciência do que pela fé.

Enfim, admito que aquilo lá atrás, do Brasil, é mais fezada minha do que outra coisa.
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* ... e mais leria se não morresse. Eu.

Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

C'est la vie

Um dos meus 2 caríssimos leitores - o outro é a caríssima leitora - veio ao algeroz [algeroz@iolpontopt] verberar-me:

«Ó Sr. Plúvio, não tem mesmo nada de mais edificante para ler do que o 24 horas, jornal do cidadão seja lá o pasquim? Que mau gosto, francamente.»

Claro que tenho, caríssimo leitor. Desde logo e diariamente, assim tipo breviário, leio um bocadinho do RGEU - Regulamento Geral das Edificações Urbanas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 38 382, de 7 de Agosto de 1951, o que me excita sempre e muito; daí que não leia senão um bocadinho. De facto, o RGEU excita-me tanto que, para prevenir o risco para a saúde e a consabida incomodidade causados pelo estado de erecção persistente * , fui aconselhado pela médica de família a distrair-me em coisas mais ligeiras e salubres, tipo 24 horas e assim.
À noite, bem que até iam umas páginas do Kama Sutra, não fosse a velhaca da médica ter-mo proibido terminantemente: «Kama Sutra? Nem pense! Kama Cedo e nada de patifarias, Sr. Plúvio...».
___________________________
* Edificante, vê, caríssimo e injusto leitor?

Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

E não é um azar conhecer muitas

que escrevem cú, caír ou mesmo perú… mas sobretudo as que dizem e escrevem relatório de contas? Não há pachorra.
E Deus me torne compreensivo, indulgente e bonzinho para com o meu semelhante porque, lá está, reparo no argueiro no olho dele e não vejo o barrote no meu pois quem cospe para o ar arrisca-se etc. e quem tem telhados de vidro não deveria etc. porque às vezes uma pessoa pensa que se benze e parte a testa essa é que é essa ou nunca houviste dizer meu filho de uma grandíssima plúvia que pela boca morre o peixe, hã?

embuste, s. m.

falsidade
ardil
burla
patranha
logro
bob proctor *
fraude
mentira
intrujice
peta
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* Estou certo de que não conseguirei prová-lo; nem infirmá-lo.
Se ela descobre que tomo o partido do Popper, ainda me fuzila.

Meu modesto preito ao José Luís Peixoto

No 24 horas * de hoje, no fundo-centro da última página, com todo o ar de muito urgente em cima do fecho de edição, vem isto que, não vá ser acusado de manipulação torpe fora do contexto, reproduzo integralmente:

Entre arguido e testemunha
DISCUSSÃO AZEDA EM PLENO TRIBUNAL
Um homem de 28 anos acusado de tentar matar, sequestrar e violar ** uma ex-namorada, em Lisboa, envolveu-se ontem em tribunal numa azeda troca de palavras com uma testemunha.” [Fim da notícia]

Assim à primeira vista, não estava a ver o extraordinário da coisa. Lá porque um tipo sequestra, viola e mata, acaso isso não é do mais humano, natural, banalíssimo mesmo? Quem está livre de um ou outro assomo de mau feitio? Francamente, não tinham nada mais importante para encher a página?
Só depois de releitura acurada - especulando, intrigado, acerca do tribunal em que terá ocorrido a cena -, percebi que o excepcional da notícia estava na troca de palavras. Com efeito, não é todos os dias que um homem capaz de sequestrar, violar e matar ainda arranja fígado e presença de espírito para uma altercação com a testemunha; é preciso um estômago de Moloch e uma coragem de Fritzl.
Mas só ao cabo de 3.ª desesperada tentativa de melhor compreensão é que se me fez, finalmente, a verdadeira luz: então, ó Plúvio, não vês que isto é o vector ralíptico do jornalismo?
Ah, pois é.
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* "O jornal do cidadão"
** O jornalismo ralíptico prima pelo requinte da cronologia.

“[…] Os actos simples

de abrir uma torneira, de considerar a existência da alma, de coçar a nuca ou de adormecer no sofá comportam em si toda uma complexidade de estruturas ralípticas, cuja importância não pode ser ignorada se quisermos fazer uma avaliação honesta do mundo. […]”
- José Luís Peixoto, “Ralipticismo ou caos”, JL n.º 984, 18.Jun.2008

Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Blogger de causas,

afixo já aqui por exemplo 5, de pendor mais energético, sei lá:

1- Pelo nuclear, sim, obrigado, ontem já era tarde, em Ferrel que fosse!
2- Por Fausto Bordalo Dias, sempre; decorridos 30 anos, isto continua a ser muito lindo, ainda que discutível, foda-se!
3- Pela co-incineração, em Souselas e no Outão, pois então!
4- Contra a corrente de alta e de muito alta tensão a passar por onde não deve, vivó MONACONALIALTEZONHA!
5- Pelo Tratado de Lisboa, irlandeses de um cabrão, o povo sabe lá o que faz!?

A ver se acordo amanhã com exemplos mais ecuménicos e suaves, do género abaixo os camiões!, que tal?, mas nunca se sabe, pois como muito bem escreveu o Pessoa, com a língua a fugir-lhe para a estranja, na véspera de esticar o pernil, 29-11-1935 I know not what tomorrow will bring, o que me arrepia sempre só de olhar.

Vivó MONACONALIALTEZONHA!

Dilectíssima e desatenta leitora, caríssimo e abstracto leitor

Acaso sabíeis que o Movimento Nacional Contra as Linhas de Alta Tensão em Zonas Habitadas já tem corpos sociais eleitos - 1 presidente e 4 vice-presidentes - e estatutos aprovados? Não, pois não? Ficai, pois, sabendo que tem, seus murcões. Foi anteontem, em Serzedelo.
Não sei é se têm acrónimo. Para o caso de não terem, compus um que proponho e desde já ofereço. Acabo de o experimentar à janela. É bom de gritar e tem um efeito congregador de alto lá com o charuto. O pessoal da pizzaria veio todo à rua ver o que se passava, até porque o jogo da Suíça já tinha acabado há bué.