sábado, 29 de junho de 2019
domingo, 23 de junho de 2019
Sol na eira, Príamo na feira
Em 16.Abr.2014, o Blogtailors de Paulo Ferreira publicou uma reportagem com José Pinho, fundador e dono da livraria Ler Devagar que comemorava 15 anos, em que se escrevia, negrito e itálico meus:
«[...] Como disse Príamo, tudo o que é bom é feito devagar ou com vagar. Apesar das dificuldades iniciais, por onde a livraria tem passado é isto que tem acontecido: devagar, vai criando um público fiel. Hoje, a Ler Devagar recebe "incomparavelmente mais gente. [...] O nome da livraria vai precisamente beber àquela frase e à revista literária e de crítica social Devagar, que José Pinho editou nos anos 90, juntamente com um amigo, António Ferreira. [...]»
Dadas a aritmética do tempo e a prosperidade no negócio, a Ler Devagar faz agora 20 anos. Nada como voltar a ouvir o industrial dos livros, desta feita para o bloco de notas de Hugo Geada, negrito e itálico de novo meus:
«[...] “O nome foi-me introduzido pelo autor da revista, o António Ferreira, e vinha de uma frase do Príamo: ‘Tudo o que é bom é feito devagar ou com vagar’. Quando abrimos a loja decidi seguir a mesma linha de pensamento.” [...]»
Com o Blogtailors fechado desde 20.Set.2015 e passados mais de cinco anos sobre a primeira ocorrência de Príamo, sumida nos arcanos do ciberespaço, mais certo é que Feliciano Barreiras Duarte, trafulha notório do PSD, tenha bebido num título do Público de há uma semana a citação com que encima o artigo "O poder da diabolização dos privados", no Sol de 22.Jun.2019:
«Tudo o que é bom é feito devagar ou com vagar - Príamo»
Afinal, quem é Príamo? Que gaseiforme ou criatura incorpórea, pensador ou poeta é ele?
«[...]
Aprendi como é devagar — comer devagar, sorrir, dormir devagar, cagar e foder — aprendi devagar.
[...]»
Herberto Helder, em "Apresentação do rosto", Ulisseia, 1968, recuperado em "Vocação animal", Dom Quixote, 1971.
Incluído em "Poesia toda - II", Plátano, 1973, o extracto a que pertence aquela passagem pode ler-se aqui ... ou escutar-se aqui na voz de Diogo Costa Leal.
A propósito,
«[...] desde cedo aprendi que tudo o que é bom deve ser feito devagar, sentido devagar, gozado devagar. [...]»
Helena Sacadura Cabral, no blogue "Fio de prumo", em 27.Ago.2012, e no livro “O que aprendi com a minha mãe”, Objectiva, 2014.
Volto ao Sol de ontem. Intempestivo, sem pressas, cinco dias depois de encerrar a 89.ª Feira do Livro de Lisboa:
«[...] E porque para mim não há nada mais influenciador que um livro, convido todos e todas [ó doutora Ana, não invente, porra!] a um passeio atento pela Feira do Livro*, em busca da imaginação que tantas vezes escasseia e do que nos pode ajudar a fazer diferente, melhor e de forma mais eficaz. [...]»
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* Por mim, convite aceite. Lá comparecerei na 90.ª, na Primavera de 2020**. Quem sabe ali surja o Príamo vagaroso, para sessão de autógrafos na barraca do José Pinho. Assim como assim, deuses e reis são capazes de tudo. À cautela, levarei o meu exemplar do "Livro de Citações Autênticas de Príamo". Com rabisco mítico na primeira página há-de render-me uma pipa de massa no OLX.
** Nascido em 1953, meço a vida em Papas [vou no 7.º], Olimpíadas de Verão [tenho 16], Eurofestivais da Canção [já cá cantam 64] e em Feiras do Livro de Lisboa [não falho uma desde 1971; vou para 50 e estou a ficar antigo c'mó caralho].
Quanto à doutora Helena Sacadura Cabral, ela que se precate, não vá ser acusada de plágio. Pelos herdeiros de Herberto Helder, se não for pelo próprio façanhudo e belicoso Príamo.
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quinta-feira, 20 de junho de 2019
terça-feira, 18 de junho de 2019
Malabarismo semântico na partida do Ruben
«[...]
Aqui viemos hoje não para nos despedirmos de um camarada...
[…]
Não estamos aqui para dizer adeus ao Ruben mas um até sempre, camarada.
[...]»
- Jerónimo de Sousa, no cais do Alto de São João aos 16 de Junho de 2019.
Se não foi para se despedir do caixote oblongo, que foi aquela gente ali fazer?
A religião tem destas coisas.
PS
Plumitivo que tenha ousado referir-se a Ruben de Carvalho sem lhe chamar «histórico comunista» merece aplauso e comenda. É por isso que gosto cada vez mais da expressão mijar fora do penico. Pobre e psitacídeo jornalismo, este...
PS
Plumitivo que tenha ousado referir-se a Ruben de Carvalho sem lhe chamar «histórico comunista» merece aplauso e comenda. É por isso que gosto cada vez mais da expressão mijar fora do penico. Pobre e psitacídeo jornalismo, este...
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quarta-feira, 3 de abril de 2019
Les beaux esprits se rencontrent.*
«[...] Reparo agora que não foi ontem e — como diziam os invencíveis gauleses — amanhã também não será a véspera desse dia. [...]»
- Henrique Monteiro
«[...] Por todas as razões e mais uma, era o pintor favorito do meu pai, juntamente com Rouault (não vais deixar de escrever sobre o teu pai?; ** talvez, mas amanhã ainda não é a véspera desse dia). [...]»
- Pedro Mexia
Ambos, no Expresso de 30.Mar.2019
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sexta-feira, 29 de março de 2019
Nazaréx libris
«É o écsi libris. O turista vem aqui tirar muitas fotografias.»
Francelina Quinzico, vendedora de peixe seco.
Francelina Quinzico, vendedora de peixe seco.
quarta-feira, 20 de março de 2019
Filomena adultera João
«[...] Vejamos o que este (Novo Testamento) diz quanto a mulheres adúlteras. Leia-se o evangelho segundo São João, 8. Estando Jesus no Monte das Oliveiras, os fariseus, que o queriam desacreditar, apresentaram-lhe uma mulher adúltera, invocando que, segundo a lei de Moisés, a dita mulher deveria ser apedrejada. Eis o que Jesus escreveu no chão: "Que seja o homem entre vós que nunca errou o primeiro a atirar-lhe uma pedra" [...]»
Leia-se, pois, João, 8.
Afinal, não se diz o que escreveu Jesus.* Sabe-o Maria Filomena Mónica? Que bíblias lê a doutora?
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* Frederico Lourenço — das 34 individualidades a quem, desde 1987, foi atribuído o Prémio Pessoa, porventura a que mais o mereceu —, página 357 do volume I da Bíblia por ele traduzida do grego, 1.ª edição, Setembro de 2016:
«[...] é-nos narrado que Jesus está a escrever com o dedo no chão. Que palavras ou frases estão a ser grafadas no pó pelo dedo de Jesus? É uma pergunta para a qual nunca teremos resposta. Este não é, porém, o único enigma inerente ao episódio. O episódio da mulher adúltera levanta um problema incómodo: não é autêntico. [...]»
«[...] é-nos narrado que Jesus está a escrever com o dedo no chão. Que palavras ou frases estão a ser grafadas no pó pelo dedo de Jesus? É uma pergunta para a qual nunca teremos resposta. Este não é, porém, o único enigma inerente ao episódio. O episódio da mulher adúltera levanta um problema incómodo: não é autêntico. [...]»
quinta-feira, 14 de março de 2019
Prof. abre, Dr. encerra
"O futuro da Europa pensa-se agora"
Amanhã, na Casa da Música, Porto.
Pobre e ridículo país de mesuras.
Pobre e ridículo país de mesuras.
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Marcelo Rebelo de Sousa
quarta-feira, 13 de março de 2019
Ejaculação precoce do revisor? * ...
... com uns laivos de ficção à mistura.
A querela do «despoletar» é antiga, abundante e recorrente.
Exemplo | exemplo | exemplo | exemplo ... e argumentário esgrimido por Vasco Graça Moura contra o entendimento dominante.
A crónica de Vicente Jorge Silva, "Da violência doméstica à vertigem bancária", disponibilizada no Público em linha às 07h30 de domingo, 10.Mar.2019, termina assim:
«[...] Quando tanto se fala de populismos a nível europeu, estes reflexos cruzados de um país assaltado pelas pragas da violência doméstica entre as classes médio-baixas e dos desvarios do dinheiro entre as elites à sombra do poder constituem um típico caldo da cultura populista e compõem a imagem virtual das ameaças que nos espreitam. Não basta confiar, por isso, num Presidente capaz de despoletar essas ameaças encarnando um populismo “bom” ou num primeiro-ministro que conquista a guerra das audiências cozinhando uma cataplana no programa da Cristina.»
Se bem entendo, VJS admite que a presidência popular, como Marcelo a exerce, constituirá um travão/antídoto/desarme das ameaças populistas, convindo todavia não nos fiarmos demasiado. Neste entendimento, afigura-se pertinente o uso de «despoletar» na acepção propugnada pela generalidade dos entendidos, que acompanho. Pelo que VJS escreveu deliberada e apropriadamente «despoletar».
Eis, entretanto, como saiu a passagem em apreço no Público em papel do dito domingo:
«[...] Não basta confiar, por isso, num Presidente capaz de desencadear essas ameaças encarnando um populismo “bom” [...]».
Adivinho que o revisor de serviço à edição em papel, a edição "nobre", encarando aquele «despoletar» no original de VJS acudiu-lhe de imediato ao brio profissional o "Livro de estilo do Público" — 2.ª edição, Março de 2005 — que reza na página 116:
«[...]
despoletar — É um erro vulgarizado utilizar este termo para significar exactamente o contrário: despoleta-se/descavilha-se uma granada para que não expluda e despoletar uma discussão é amainar os ânimos — precisamente o inverso de "desencadear", "detonar", "activar", "rebentar".
[...]».
E não foi de modas: Vou livrar o Vicente [fundador e primeiro director do jornal] do enxovalho público por uso do «despoletar» em contramão e espero que me telefone a agradecer ter-lho trocado a tempo por um canónico «desencadear.
Nisto, página 4 da edição em papel de 11.Mar.2019, "O Público errou", um inusitado pedido de desculpas:
«Ontem, na crónica de Vicente Jorge Silva, a palavra “despoletar” (no seu sentido correcto, de tirar a espoleta) foi erradamente substituída por “desencadear”. Pelo lapso, pedimos desculpa ao autor e aos leitores.»
Revisor de serviço, para a chefia que acaba de lhe dar nas orelhas: Na pressa, fodi-me. Escapou-me o alcance da frase. Afinal, «despoletar» nem sempre está errado. Peço mil desculpas.
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* Metáfora arriscada, já que no Copy-desk trabalham dois homens e duas mulheres...
Plúvio, Plúvio, porque te esticas tanto?
Agustina Bessa-Luís ao barulho
Gosto muito de Agustina Bessa-Luís [Amarante, 15.Out.1922].
Tendo a admirar Isabel Rio Novo.
Esta sumarentíssima conversa de Diogo Vaz Pinto com Mónica Baldaque — simpatizo com ambos — deixa-me levemente desnorteado. Isabel não se portou bem? [«está a faltar à verdade, a desvirtuar a realidade e a factualidade. Mostra a sua dificuldade em lidar com a verdade, o que a desacredita como historiadora e biógrafa.» - MB]
Certo é que anda por ali Rui Couceiro, o comerciante da Contraponto. Recordo-o. Não amesendando com nenhum deles, Francisco Vale parece-me mais respeitável.
Enfim, avenham-se.
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Não tem de quê.
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Agustina Bessa-Luís
Arquitectura das coisas
«Estou ainda na fase de arquitecturar uma forma de lidar com todas estas coisas que são muito novas para mim.»
Quando disserem ao Conan que é "arquitectar", como irá ele lidar com coisa tão nova, para que tudo bata no sítio certo? Sobretudo na boca.
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* Tou.
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terça-feira, 12 de março de 2019
Bem-vindos ao país cristino [3] *
«[...] o primeiro-ministro de avental, a fingir que cozinhava uma caldeirada em seis minutos e meio, com aquela mulher sempre aos guinchos, excitadíssima por ter ali no estúdio, em peixe e osso, "quem nos dirige" [...] **
Por fim, há uma espécie de cumplicidade pequeno-burguesa, uma 'coziness' familiar indisfarçável entre todos eles e tudo aquilo: a criatura, o malabarista, o 'décor', a cataplana, a legítima, os guinchos, os larilas, as inutilidades, a 'fama' e os votos.
[...]
Estou a olhar para uma fotografia do futebolista Ronaldo.*** Vem a avançar para a câmara, de mão dada com uma rapariga (sua namorada ou mulher, suponho), ambos sorrindo, com um pequeno batalhão de fotógrafos atrás de si e um polícia abrindo caminho. Parece a imagem perfeita do 'sucesso' e da 'fama', do 'estrelato' e do 'cor-de-rosa'. [...]»
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** António Costa, "O Programa da Cristina", 05.Mar.2019, Entrudo:
«alguém que nos dirige» | António Costa patrocinando de avental o mealheiro particular de Francisco Pinto Balsemão.
*** Madrid, 22.Jan.2019
«O futebolista português Cristiano Ronaldo reconheceu hoje culpa de quatro crimes de fraude fiscal, num tribunal de Madrid, onde acordou pagar uma multa de 18,8 milhões de euros, escapando a uma pena de prisão de 23 meses.»
Comete quatro crimes, paga uma mancheia de milhões**** em substituição do cárcere, e ri. Ri, triunfante. O Presidente da República e o Primeiro-Ministro de Portugal adoram-no.
**** Por falar em milhões, pelo aqui visto a moça trata-se bem.
Putedo
- «prosa luminosa e fulgurante»
- «11 admiráveis narrativas»
- «magnífico livro»
- «inteligência narrativa»
- «dimensão erudita»
- «alta cultura»
- «estrutura fragmentária a fazer lembrar o filme "Citizen Kane"»
- «provavelmente o melhor conto que o autor destas linhas leu nos últimos anos (em qualquer língua)»
- «genial ensaio sobre a transparência, o controlo e a vigilância»
- «A escrita de Alexandre Andrade é sempre imaculada, mas aqui ergue-se a alturas estratosféricas. Sem risco de exagerar*, consideramo-lo um texto perfeito.»
José Mário Silva, "Variações cromáticas" | Expresso/E, 02.Mar.2019
5 estrelas em 5.
Ante tal orgia ditirâmbica anotei logo, para comprar, "Todos nós temos medo do vermelho, amarelo e azul", de Alexandre Andrade.
Nisto, calhou ler Vasco Barreto:
«[...] por que motivo o José não deixa explícito na sua crítica que é amigo de longa data do Alexandre? Eis uma omissão que me encanita.»
Fiquei com nojo do José Mário Silva e tão cedo não despenderei um cêntimo no livro.
Obrigado, Vasco.
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* Olha se exagerasse...
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José Mário Silva
domingo, 10 de março de 2019
Mulheres de sexo indeterminado
«"Cabeça de mulher encontrada na praia de Leça da Palmeira"
[...]
A cabeça foi transportada para o Instituto de Medicina Legal, onde serão feitos exames para determinar o sexo e a idade da vítima, além do que terá acontecido.»
A cabeça foi transportada para o Instituto de Medicina Legal, onde serão feitos exames para determinar o sexo e a idade da vítima, além do que terá acontecido.»
Com título tão inequívoco, aquele «para determinar» no corpo da notícia — se estivesse «para confirmar», vá que não vá — parece desconchavo e fez-me rir.
Mas destas luminárias progressistas que pululam nas redacções policiadas pela tirania ideológica da "diversidade de género" [«sexo» afigura-se obsolescência redutora] é de esperar a desorientação.
João Pereira Coutinho:
«[...] Como ter a certeza de que aquela actriz nunca recusou os avanços de um anão? E como tolerar aquele actor que mostrou interesse sentimental por uma mulher do sexo oposto? [...]»
Também me fez rir.
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Rigor
O gato de Schrödinger voltou a Paço de Arcos *
ora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última h
«o motorista foi levado para o hospital com ferimentos ligeiros»
«O motorista foi levado para o hospital com ferimentos graves, sobretudo queimaduras.»
A falta que a língua gestual ali fazia para desempatar...
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ora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última h
Parece que o homem ficou mesmo mal.
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