quinta-feira, 21 de maio de 2020

Arquivos, preservação da memória e fervor em manobras

Isabel Salema, no Público em papel, 18.Mai.2020:
«Grupo de cidadãos pede urgente classificação do arquivo do DN
Um grupo de personalidades portuguesas, entre as quais ex-Presidentes da República, historiadores e jornalistas, vai pedir esta semana ao Ministério da Cultura a “urgente classificação” do arquivo do Diário de Notícias, jornal de referência português fundado em 1864.
O requerimento, subscrito por Jorge Sampaio, António Ramalho Eanes, Fernando Rosas ou Pacheco Pereira, quer "salvar" o acervo documental que se encontra actualmente “arrumado num armazém, inutilizável e em risco de poder vir a desaparecer no contexto da crise que atravessa a empresa proprietária, o grupo Global Media”, lê-se no documento a que o PÚBLICO teve acesso. [...]»

Pedro Tadeu, no DN em linha, 18.Mai.2020:
«O arquivo do Diário de Notícias não existe
Um grupo de personalidades está a organizar-se para pedir a "urgente classificação" do arquivo do Diário de Notícias, segundo noticiou o jornal Público.
Não querendo discutir os méritos ou deméritos da proposta gostaria, enquanto actual responsável directo pela gestão desse património, de corrigir alguns erros da informação veiculada por esse jornal e que parecem constar dos pressupostos de quem reivindica essa classificação junto do Estado português.
[...] claro desconhecimento da realidade por parte dos signatários
São números e factos que espelham confrangedoras estimativas superficiais e presunções fundamentadas num "ouvir dizer" que não correspondem de modo algum à realidade, na maioria dos casos por defeito, noutros por excesso, noutros por pura falsidade.
[...] É mentira
[...] É mentira
[...] É mentira
[...]»

Apreciei o desmentido pormenorizado e substantivo de Pedro Tadeu. Confesso até algum alívio trazido pelo seu esclarecimento.
Peças inteiras aqui reunidas para que aquilatemos da peçonha ínsita na notícia do Público contra o DN, seu agonizante concorrente no "jornalismo de referência", e fiquemos a saber da ligeireza e à-vontade com que sonantes senadores de causas da cidade, como Sampaio, Eanes, Rosas ou Pacheco Pereira, entre outros que nesta causa desconheço, podem sacar da caneta para requerer, reclamar ou exigir, estribados na ignorância ou no engano, quando não — penso mais no Rosas e no Pacheco Pereira — na desonestidade. Mas sempre, sempre com ostensivo garbo cívico, no cumprimento, diria Jorge Sampaio, de nobres interpelações de cidadania.
Cáspite!