segunda-feira, 3 de julho de 2017

Pedro Marques Lápis*, sementeira pública de inanidade e disparate

«Simone Váil.»

«Esta semana morreu uma grande senhora por que [sic] eu tinha uma admiração brutal, a senhora era a número setenta e oito mil seiscentos e cinquenta e um, era o número dela em Auschwitz, teve presa em Auschwitz, foi deputada, foi uma combatente incessante pelos direitos reprodutivos das mulheres, uma europeísta convicta, ministra e alguém que marcou de forma indelével todo o nosso século XX e tamém o nosso século XXI. Uma grande senhora que merece uma grande homenagem. Simone Váil.» 

Estou capaz de apostar, falando como ele, em que este opinador/futebolólogo/tudólogo, social-democrata liberal, certamente ressentido com o seu amigo Pedro Passos Coelho** por tê-lo ignorado na ida ao pote de 2011 [«eu já tinha dito aqui de que...»], propagandista de Carlos Cruz e paladino da inocência de José Sócrates, sempre assustado com a justiça — «Eu tenho medo, eu tenho medo, fiquei com medo» —, nunca antes houvera referido, num apontamento, numa nota, num aparte, nos diversos poleiros donde perora, o nome de Simone Veil [13.Jul.1927-30.Jun.2017].
Reparei em como nos 30 segundos do seu preito, Pedro Marques Lápis, vira-casaca mimético da banalidade, não conseguiu fazer menção ao país da insigne francesa recém-falecida.
Como acreditar na genuinidade da admiração brutal de tão vigoroso admirador que não sabe dizer o nome da pessoa admirada, fazendo até desconfiar de que nem a nacionalidade lhe conhece? Eu não acredito.
«Váil»?, Pedro Marques Lápis, «Simone Váil»?

Aproveito para mais uma dúzia de relâmpagos do esplendor discursivo do nosso comunitário .

«é normal que possamos pensar que a gente a quem confiamos os nossos bens mais preciosos, defesa e segurança nos esteja a trair.» [segurança,]
«Nós confiamos às Forças Armadas a nossa defesa, a nossa segurança (aqui inclui-se a PSP e GNR), para isso damos-lhe o poder para ter armas que só elas podem ter.» [damos-lhes
«temos todas as razões para estarmos muitíssimo preocupados.» [estar

«se temos mercados pequenos e se dentro deles os operadores se vão concentrando menos funcionam todos os outros, seja o dos recursos humanos, quer os que dependem dos mercados principais.» [sejam os ... sejam...]

«A actividade privada tem um papel fundamental na recuperação económica, quer seja, por exemplo, na continuação do excelente papel das indústrias exportadoras e no turismo.» [quer seja ... quer seja]

«algo que os cultores da conversa do pântano têm razão: é notável ainda não ter aparecido em Portugal alguém que colha os frutos que eles ajudam denodadamente a semear.» [algo em que]

«Porém, reformas conducentes, por exemplo, ao aumento da produtividade ou ao aumento do stock de capital ou à supressão do nosso nível de qualificações não podem ser obtidas sem um consenso político significativo sobre o caminho a seguir, já que estes males - e outros - estão há muito diagnosticados. Resultados, por limitados que sejam, nestas áreas não se alcançam numa legislatura ou em duas.» [superação]

«mais uma vez a justiça foi demasiado lenta … em terceiro lugar há algo que raramente é dito e que é preciso tamém salientar: foram feitos [sic] muitos crimes, houve muita niglegência, … e depois houve niglegência criminosa, culposa e violenta…» [também  ...  negligência]

«Aliás, um dos problemas do Estado tem que ver com a reprodução da lógica das lutas internas dos partidos na gestão da coisa pública: o bem comum torna-se secundário face ao interesse do grupo que o colocou naquele lugar. Nada de surpreendente, toda a formação desse cidadão seguiu essa lógica.» [colocou o quê? colocou quem?]

«fica um mandato à frente dos poucos bancos que não precisaram da nossa mesada, dos que não se conhece vigarices e que passou por uma crise gigantesca do sector sem grandes abalos.» [dos de que não se conhecem

«Eu sou daqueles que pensa que a Igreja Católica*** tem demasiados privilégios em Portugal.» [pensam]

«Eu não me acredito que Assunção Cristas seja mentirosa.» [não acredito

«Agora é esta e hão-de haver mais.» [há-de haver]

Continuam a confundir-me o padrão e os critérios de qualidade de quem paga — TSF, SIC, DN, A Bola, Golf Magazine, Epicur — a quem escreve e fala assim em público.
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** «O gestor Pedro Marques Lopes, amigo de Pedro Passos Coelho que o acompanhou quando este anunciou pela primeira vez que era candidato à liderança do PSD, considera que o presidente do partido é um «bom ouvinte», mas «não é influenciável pelos conselheiros: sabe muito bem para onde quer ir». Como características de Passos Coelho, Marques Lopes destaca a «frontalidade» e a «coragem» na defesa de posições que têm custos eleitorais, como é exemplo a revisão constitucional. Marques Lopes acredita que as principais conquistas de Passos Coelho nestes primeiros meses foram o facto de o líder conseguir unir o partido e marcar uma clara diferença entre o PS e o PSD. «Já ninguém pode dizer que são iguais.» É por isso que defende que o presidente do PSD está no caminho certo para chegar a chefe de governo.»

*** Continuo a achar que o exemplo calamitoso de Pedro Marques Lápis não abona a excelência das licenciaturas em Direito na Universidade Católica Portuguesa.