quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ainda o deslize e a gafe do senhor Presidente*

«Pegue-se por onde se pegar, Cavaco Silva cometeu um deslize grave de maneira confusa. Infelizmente para ele, nem a confusão escondeu a gravidade nem o deslize escapou à condenação geral. Nesse sentido, o Presidente em funções sai inevitavelmente a perder na comparação com os antecessores imediatos. Mário Soares, senhor de um discurso límpido, era (e é) livre de dizer as asneiras que entendesse sem que três quartos da nação lhe caíssem em cima. E Jorge Sampaio embrulhava os palpites em tamanho nevoeiro que ninguém conseguia sequer compreender o assunto em causa, muito menos descobrir eventuais disparates perdidos lá no meio. Cavaco Silva, que não goza da misteriosa impunidade do primeiro, não possui o exoterismo retórico do segundo e, algo injustamente, não é figura grata à esquerda, expõe-se às consequências das respectivas palavras.
Dado que, no episódio das reformas, as palavras roçaram a ofensa e insinuaram um preocupante alheamento da realidade, as consequências não tardaram e não se caracterizam pela moderação. Nos media, na Internet e na rua lusitana, o povo passou os últimos dias a despejar ódio ou escárnio sobre Cavaco Silva, de súbito erguido a símbolo das desgraças pátrias.»
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«Cavaco e os “amigos”
Ao fim de trinta e cinco anos, um político “também tem direito às suas gafes”, comentário de Luís Filipe Menezes na Antena 1 a propósito da gestão económica privada do Presidente da República. O prócer de Gaia, celebrizado por uma choradeira à saída de magna reunião “laranja” no Coliseu dos Recreios, deve pensar que […]»
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* Como se este Presidente não fosse todo ele um ingente deslize, uma gafe mastodôntica, uma alvar miséria salivante.
** Alberto Gonçalves integrou a Comissão de Honra da candidatura de Aníbal Cavaco Silva nas 'Presidenciais de 2011'. Lá com ele.

PS
Para a pessoa que veio ao algeroz achar aberrante que, execrando, como desde sempre execro, a doutora Manuela Ferreira Leite que o doutor Alberto Gonçalves tanto enaltece, me louve tão profusamente nas prosas do doutor Alberto Gonçalves, inquirindo a rematar «Qual é afinal o seu partido, ó senhor Plúvio?», aqui vai por extenso:
- abomino a doutora Manuela Ferreira Leite na razão inversa e indirectamente desproporcionada de quanto admiro o doutor Alberto Gonçalves;
- o meu partido é, desde que acabaram com o Nestum de figos, o atum Tenório. Indefectivelmente.