quinta-feira, 31 de março de 2022

Sem colete


Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO: Aqui o Joe estava a dizer-me que morando a Kaja tão perto de Moscovo se não seria prudente vestir colete à prova de bala...
Kaja Kalas: Não tenho medo do Putin. Basta-me o sutiã.   
____________________________________
E que merda de gracinha é essa, Plúvio?

Está bem, tentarei outra.

Fernando Santos: Eu quero é ganhar mesmo. ... Eu quero é ganhar. Ganhar, ganhar, ganhar!*

quarta-feira, 30 de março de 2022

Doutor Manuel Alegre

«A ficha curricular de Manuel Alegre, guardada no Arquivo do Departamento Académico da Universidade de Coimbra, indica que o poeta concluiu o 1.º e o 2.º ano de Direito, mas quanto ao 3.º ano apenas regista aproveitamento na disciplina semestral de Direito Fiscal. Esteve inscrito também em Economia Política, a cujo exame faltou, e nas cadeiras anuais de Administração e Direito Colonial, Finanças e Direito Civil – mas não as concluiu.»

Manuel Alegre, que nem bacharel logrou ser*, não corrige quem o trata por doutor. Já aqui falara disso a propósito de um serão eleitoral de 2016. 

José Gonçalez- O Manuel licenciou-se em Direito em Coimbra, não é?
Manuel Alegre- Em Coimbra, em Coimbra.

Que consideração pode merecer um senador da "ética republicana" que municia o seu pedigree escolar numa impostura perpétua?

Conto que a eventual justeza destas observações não fique diminuída pela simpatia escassa que dedico ao consagrado cagão de Águeda... 
________________________________________
* «[...]
2. O grau de bacharel em Direito é inerente à aprovação em todas as disciplinas dos três primeiros anos do curso.
3. O grau de licenciado em Direito é inerente à aprovação em todas as disciplinas dos cinco anos do curso.
[...]»

A memória prodigiosa de Ângela

«É evidente que Fernando Medina aqui não é comparável, na sua formação académica e até em experiência, com o Carlos Gaspar ou com o Mário Centeno ou mesmo com o Fernando Leão. (...) Ricardo, ajuda-me. (...)»

terça-feira, 29 de março de 2022

Bem-vindos ao país cristino [12]

«Aproveite. Faça valer os seus direitos.»

grátis, GRÁTIS, GRÁTIS, os tomatis! Esta gente não dá nada a ninguém. Vende tudo, vende-se toda. Mercantilismo apurado; o doutor Google nunca é inocente — e a Deco Proteste pagará para que o não seja —  na ordem e quantidade em que devolve os resultados da pesquisa...

Fraldas  -  colchões... Como é possível permitirem-se este uso?

Com decepção profunda, a exemplo de Mário Frota, hoje em dia vejo na DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, em cujos alicerces participei e a que me mantive ligado até 2008, uma organização umbilicalmente enredada nas regras e na semântica do mercado, promovendo, com beneplácito da comunicação social acrítica e serventuária, mais do que tudo o seu próprio e conspícuo sucesso. Diz que vai em 400.000 associados... 
«Há mais de 30 anos, sempre do seu lado, a Deco Proteste faz diariamente sua missão a protecção dos seus direitos e de todos os portugueses.»
Ouvir este palavreado numa telepromoção (sic) de Cristina Ferreira só pode soar-me a excrescência promíscua. Tenho de 'defesa e direitos do consumidor' uma noção antagónica da que a Deco Proteste reclama em pleno Big Brother.
'Direitos de todos os portugueses' a minha imaginação não consegue alcançar, mas aposto em que é coisa que muito preocupa e ocupa diariamente o pensamento dos marqueteiros da Deco Proteste. 

Má língua de parte e reflectindo um pouco mais, se calhar o melhor é aproveitar mesmo da generosa e desinteressada missão da Deco Proteste: envie uma sms para 4310, digite DECO e boa sorte.
Ainda assim, previno: se depois não lhe largarem a labita, o telemóvel e a caixa do correio, a culpa não é do Plúvio.

segunda-feira, 14 de março de 2022

Palavras do Artur

«Comigo tenho Artur, um taxista da cidade do Porto [...]

Se formos a ver, na moeda antiga — as pessoas esqueceram a moeda antiga — representa quatrocentos e sessenta escudos.a) É muuuuito dinheiro!
[...]

Muito obrigada. Ficam aqui as palavras do Artur.»

a) E eu à espera de que o Artur fosse explicar a quantos morabitinos correspondem «2 € e tal».
_____________________________________________
Não é por nada, mas duvido muito de que este Artur, ao contrário do Amílcar, seja português de cumprir o dever de todos os dias...

domingo, 13 de março de 2022

Adenda ao Abrunhosa

Minutos atrás, uma leitora indignada, fã confessa do crooner do Porto, veio ao correio do Plúvio puxar-me as orelhas pela publicação hostil a Pedro Abrunhosa. Acha ela que só por vileza e espírito mesquinho pude apoucar o nome de PA, como se não fosse possível reconhecer «na sua longa intervenção pública inúmeras provas de grande talento e qualidades humanas assinaláveis».

Deixou-me a pensar e fez-me rever toda a memória que tenho de PA.
É pois o momento de ser justo e projectar alguma luz — luz, sempre ... — menos antipática na figura do consagrado artista que há um bom punhado de anos declarara com louvável desassombro:
«Os valores humanos e os princípios não são proporcionais ao meu valor de mercado. São o seu alicerce.»

Valores humanos e princípios antes e acima de tudo. O resto ... é música.

E renegado seja quem achar ensombrada a integridade franciscana do Abrunhosa só porque este arcanjo, fundador e dono do BPP-Banco Privado Português, lhe financiou com 1500,00€ tal proclamação.

A maledicência tem limites, menino Plúvio!

Ucrânia - Abrunhosa em combate

Embirro desde sempre com o sujeito, o que facilita não dizer bem dele.

Na conversa longa publicada em 10 páginas da defunta NS' de 18.Dez.2010, fazia Pedro Abrunhosa [Porto,  20.Dez.1960] 50 anos, a jornalista extasiada, Sónia Morais Santos, apresentava-o assim:
«Pedro Abrunhosa é culto, cultíssimo. Tão depressa cita Borges ou Faulkner, como recorda Rembrandt ou Leonardo da Vinci. Tão depressa compara o panorama político actual com outros períodos da História, que conhece bem e com rigor, como indica as teorias de sociólogos, antropólogos, escritores ou músicos que estudou com minúcia e que lhe enriquecem o discurso. Fá-lo naturalmente, sem pretensiosismos bacocos.» a)
Quanto a «bacocos», concedo; já quanto a «pretensiosismos», duvido. Mas que é «cultíssimo», se calhar é:
Há um epifenómeno sociológico de consentaneidade da identidade nacional política com a identidade sociológica. - id., ibid.

Industrial pró$p€ro do entretenimento, continuo a achar PA um cabotino esperto, pretensioso, exibicionista; compositor e executante medíocre.
A criador com este arcaboiço curricular exigir-se-ia criação mais rica e variada do que a linha isoeléctrica de coração parado donde parecem brotar, com raríssimos fogachos de estro, os sucessivos sucessos dos últimos 30 anos — sucessivos sucessos, Plúvio?!    
É certo que António Carlos Jobim fez "Samba de uma nota só"  ou "Águas de Março", mas só é linear como Jobim quem pode. ACJ podia, PA não.

a) Se Abrunhosa já era tudo isto em 2010, imagine-se 12 anos depois. A cada intervenção sua o firmamento rutila.
Não? Ora vejam.
Guerra na Ucrânia. Pega-se num verso de São João da Cruz, noutro de Dylan Thomas; embrulham-se numa capa de António Lobo Antunes, e vai disto.

"Que O Amor Te Salve Nesta Noite Escura"
Que o amor te salve nesta noite escura,
E que a luz* te abrace na hora marcada,
Amor que se acende na manhã mais dura, 
Quem há-de chorar quando a voz se apaga?

Ainda há fogo dentro!
Ainda há frutos sem veneno!
Ainda há luz* na estrada!
Podes subir à porta do templo,
Que o amor nos salve.
E há uma luz* que chama,
Outra luz* que cala,
E uma luz* que é nossa.

Que a manhã levante a rosa dos ventos
E um cerco apertado à palavra guerra, 
Ninguém nesta terra é dono do tempo,
Não é deste tempo o chão que te espera.

Ainda há fogo dentro!
Ainda há frutos sem veneno!
Ainda há luz* na estrada!
Podes subir à porta do templo, 
Que o amor nos salve.
E há uma luz* que chama
E outra luz* que cala
E há uma luz* que é nossa.
 
O princípio do mundo começou agora,
A semente será fruto pela vida fora.
Esta porta aberta nunca foi selada
Para deixar entrar a última hora.

Ainda há fogo dentro! 
Ainda há frutos sem veneno! 
Ainda há luz* na estrada!
Podes subir à porta do templo,
Que o amor nos salve.
Porque há uma luz* que chama
E outra luz* que é nossa
E há uma luz* que cala.

Ainda há fogo dentro! 
Ainda há frutos sem veneno! 
Ainda há luz* na estrada!
Podes subir à porta do templo,
Que o amor nos salve.
Podes subir à porta do templo,
Que o amor nos salve.
Porque há uma luz* que chama
E outra luz* que é nossa
E há uma luz* que se acende.
PA só sabe fazer assim, clone múltiplo de si mesmo, embora aqui levemente menos genial.
«[...] a forma que encontrei para me salvar, porque me sinto incapaz para ir agir no terreno, é escrevendo canções [...] canção despida para tempos difíceis [...] foi escrita em apenas duas horas [...]»

Não sei se os amáveis leitores conseguem imaginar um sexagenário tripeiro, de óculos escuros e fisga assestada a desbastar russos na noite escura duma pradaria ucraniana...
Eu consigo. Não só consigo como garanto que sou capaz de em menos de duas horas fazer uma cagada com maior qualidade e menor pretensão.

Morte a Putin!

Meu rico Jorge Palma!
__________________________________________________
* A propósito, quem mais senão um comerciante talentosíssimo como PA conseguiria com tão esplendoroso brilho pôr à venda de olhos vendados — venda de olhos vendados, Plúvio?! —  a própria Luz?
Até o arlequim compareceu. Isto anda tudo ligado.

Já agora, salvo nos casos de explicação fotossensível e de outra índole sanitária, ou por circunstanciais e estimáveis caprichos de imagem [imagem de marca®  é outra coisa], acho o uso de óculos escuros não só pindérico como má educação não se tirarem quando falamos com interlocutores próximos.
É por isso que me apetece concordar com a proclamação de Joel Neto, sportinguista excelente, em 23.Abr.2011: «Declaro que os óculos escuros são a maior pinderiquice dos séculos XX e XXI.»

domingo, 6 de março de 2022

Sem tino

«Eles só falam nesta pessoa que eles consideram que é maluca, que não tem tino.*»

* Verdade. Falta-lhe uma letra.
//
«Vou-te mostrar aqui algumas multinacionais americanas que abandonaram o mercado russo nos últimos dias [...] não encontras ali uma empresa que era considerada no marxismo-leninismo a água suja do capitalismo, que é a Coca-Cola. A Coca-Cola continua a vender aos russos. Sem comentários.**»

** Comentário:
Em que ficamos, dr. Nuno?
//
Não é intrigante que Volodymyr Zelensky, presto no agradecimento a Marcelo, continue sem pedir ajuda a quem sabe derrotar a Rússia?
Bora lá, dr. Jorge?
//
Deus me perdoe.

quarta-feira, 2 de março de 2022

Sérgio Sousa Pinto

Tenho Sérgio Sousa Pinto — colono permanente da placenta socialista, versão soarólatra*, desde os 23 anos**, um dos deputados mais cultos e bem articulados no parlamento português, autor de livros, colunista do Expresso, comentador residente na TVI/CNN Portugal, que acompanho com admiração e reserva em proporção homeopática; no Expresso é onde mais o aprecio — por mais credível quando explana a partir de lucubração própria do que quando cita Churchill.

Por exemplo, gostei de SSP, e achei-lhe graça, no confronto com Maria de Lurdes Rodrigues, a falar das virtudes e desvarios da época geringôncica.

Ou no confronto de há dias com o comunista António Filipe, em que gostei ainda mais:
«Não estou habituado a que me chamem mentiroso. [...] O Partido Comunista Português, durante a Guerra Fria, era vassalo, era um abjecto vassalo da União Soviética e hoje é um vassalo do senhor Putin, esta é que é a verdade! [...] o Partido Comunista Português converteu-se num vassalo do senhor Putin.»

Mau é quando SSP cita:
«O Churchill dizia com muita graça que leis e salsichas é melhor que não saibamos como são feitas.»

Sucede que, azar de SSP, Winston Churchill [1874-1965] nunca disse tal coisa. Se SSP atribuísse o gracejo a Otto von Bismarck [1815-1898] ainda vá que não vá, já que a creditação ao prussiano vigorou, e vigora, com populoso consenso, até à investigação de Fred Shapiro, publicada no New York Times em Março de 2009, que deslindou o pai do dito [bela ambiguidade, Plúvio]: John Godfrey Saxe [1816-1887], poeta-jurista norte-americano.     

É sempre a mesma merda. 
______________________________
* A propósito..., não me diga, dona Teresa, que não cumpriu hoje?! E não me venha cá com a desculpa da quarta-feira de cinzas... Mire-se no Amílcar, nunca falha.  

** Lisboeta de berço [19.Jul.1972] e circunscrição, eleito deputado pelo Porto para na VII legislatura [1995>1999]; eurodeputado [1999>2009]; deputado por Aveiro nas XI e XII legislaturas [2009>2015]; eleito por Lisboa para as XIII, XIV e XV [2015>2026?].
Faz-se pela vida, nada contra.

Carmo Afonso, um desastre no Público

Pago e leio o Público desde o primeiro dia, 05.Mar.1990.
Apesar da urticária que me causa a capelania militante-bloquista-wokista instalada no jornal, continuo a não prescindir do Público. É o melhor diário português. E não ter encarneirado na ortografia do acordês não é virtude menor. 
Não senti grande perda na oxigenação das minhas leituras com a saída de Rui Tavares, faz três semanas, da última página do Público, mas pressenti o pior ao saber que a inquilina daquele espaço, às segundas, quartas e sextas, passaria a ser a advogada Carmo Afonso, de resto amiga e compincha, de matiné e cabaré, de RT.
O pior nem seria o catecismo; o pior mesmo é que a colunista activista Carmo Afonso — pessoa que existe, existe, existe..., adorada no eixo bajulador salivante Lux Frágil-Campo de Ourique, faixa da esquerda — não vale um traque furado.

Todo o gorduroso intróito para uma confissão que não adivinhava vir a fazer tão cedo: à 2.a semana de ocupação da última página do Público pela viuvinha perpétua do Manel, tenho saudades de Rui Tavares. Pelo menos não é burro e sabe escrever.
O que passou pela cabeça de Manuel de Carvalho ao contratar uma encomenda destas que, ainda agora começou, já denota não saber bem do que falar e cresce em disparate de crónica para crónica?
Calculo que a Ucrânia ajude pouco ao discernimento de tão luminoso bestunto, mas há limites para a ignorância atrevida, chiça!

Queira o leitor paciente dar uma olhada na peça de hoje, "Às armas, às armas nucleares", a que agreguei cinco comentários, ainda o dia vai a meio, representativos da reacção à indigência da colunista, um dos quais — de Francisco Assis, que não é propriamente asno — valorizo especialmente:

«Uma redacção da quarta-classe onde não falta nada: desconhecimento da matéria, erros ortográficos, pobreza linguística, representação infantil da realidade, desconhecimento das regras mais elementares do pensamento lógico. O Público anda a brincar com os seus leitores.»
Francisco José Assis Miranda, 02.Mar.2022, 08h38.

A colunista Carmo Afonso não prestigia os pergaminhos do Público.
Quem paga mereceria muito melhor.

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Azar de Gonçalo M. Tavares?


«pediu ao motorista para parar o carro junto a um dos penhascos. De seguida, saiu e atirou-se ao mar.»

Uma semana depois, raiando o admirável como quase sempre, Gonçalo M. Tavares escreve:
«[...]
O embaixador aproxima-se do precipício, e este chama-o com a voz que a tristeza ouve; a voz que só uma certa tristeza limite consegue ouvir.
[...]
Que sabemos dos humanos?
Sabemos pouco.»

No mesmo dia da publicação de Gonçalo M. Tavares dizem-nos que
«[Oliver Antić, 1950-2022*] era um apaixonado pela fotografia e estava a fazer um vídeo ... para enviar aos netos, que vivem nos Estados Unidos, quando escorregou numa rocha e caiu ao mar. ... Estava a filmar de costas para o mar.»
Azares destes, e quero crer que Gonçalo M. Tavares foi tão induzido no engano como eu, sucedem aos melhores. Sobretudo quando não se controlam todas as fases da cadeia de produção...
Posto o que, Gonçalo M. Tavares talvez devesse tentar uma conversa com o motorista antes do próximo episódio de "Os cadernos e os dias - História fragmentada do mundo". 

Quando olhas longamente para um abismo, também o abismo olha para dentro de ti.
- Friedrich Nietzsche, no capítulo IV de "Para além do bem e do mal", 1886,  que li aos 19 anos.
Ainda hoje não olho de cima para baixo a mais de 10 metros de altura que não me lembre disso.**
Aos 68 apetece pensar que tenho resistido com castidade heróica à sedução do precipício.

Sim, Gonçalo, sabemos pouco dos humanos. Quase nada. Se calhar, nada.
_____________________________

** - Mas, ó Plúvio, isso não é a VPPB? E se te deixasses de enredos literários da treta?...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Rússia vs. Ucrânia e altíssima diplomacia

«As notícias que chegam da Ucrânia são muito preocupantes. Confio na intercessão da Virgem Maria e na consciência dos responsáveis políticos.»

«Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia converter-se-á e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições...»

Só respeito fontes fidedignas, literalmente, dignas de fé, de preferência com manuscritos à vista. 
Pelo que, e tudo ponderado, estou mais em apostar na intercessão da virgem do que na consciência dos responsáveis políticos, António Guterres incluído.
Assim como assim, a senhora domina o assunto desde há pelo menos 105 anos, ainda o Sr. Virgílio andava de bibe.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Reino da sabedoria

Territorialmente, a Rússia é, de longe, o maior país do mundo.
O 2.º maior, com pouco mais de metade da área da Rússia, é o Canadá.

Às 23h34 de anteontem, quinta-feira, testemunhei em directo a conversa televisiva que se segue.
Merceeiro- A Rússia não é uma economia, é uma economia pequena, só tem território, e a outra coisa importante… mas também há outros países com território muito grande. Por exemplo, o Canadá que é maior que a Rússia. Tem um bocadinho mais de gelo…
Aurélio Gomes- Maior do que a Rússia?
Cauteleiro- Sim, é maior que a Rússia. É o maior país. É maior que a Rússia.
Daniel Oliveira- Não, não é.
Gasolineiro- Ah, mas é.
Daniel Oliveira- Não, não é!
Perigo grande, como venho repetindo, é que pode haver crianças por perto.  

Merceeiro- Eu já tou aqui há uns anos, o bastante para as pessoas, enfim, terem a ideia de que eu não defendo nem deixo de defender partido nenhum, por princípio.
Camaleão vígaro.

//

É o momento de actualizar e acrescentar ao rabiscado aqui em 14.Jan.2022, 21.Mai.2021, 01.Mar.2021 e 09.Jan.2021, dia de Posaconazol Metenamitoso Latanoprostático.

Não há uma alma caridosa que ensine ao posaconazol ignaro a palavra apparatchik?
«houve uma relvização do PSD; há muito apartechic»
«coisa típica de apartechic ou de terrorista de teclado»
Mete dó.

E «Hélas!», que o cauteleiro escreve invariavelmente «Helas», sem acento? Por que espera o «querido» Ferreira Fernandes, sage como poucos, para resgatá-lo da vergonha de persistir no uso da interjeição francesa que significa o contrário do que o ínscio quer dizer, isto é, «Voilà!"?

«Helas»- 16.Jun.2021, graxa em Mafalda Anjos, sua nova patroa.*
«Helas»- 03.Ago.2021, graxa em Fernanda Câncio, madrinha de todas as horas.*
«Helas»- 29.Jun.2021, revendo-se numa citação de Abraham Lincoln. 
«Helas, helas». Arrisco que terá sido assim; na pronúncia não se percebe se é com ou sem acento.
Confrange.

O merceeiro estólido não faz a mínima ideia da diferença entre sob e sobre.
«nós não vivemos sobre o império de burocratas ou de epidemiologistas»- 17.Jun.2021
«este país vive sobre o manto completo da corrupção»
17.Jun.2021
Dói.

Observe-se como o cauteleiro lerdo confunde e baralha em sucessão o "Mapa cor-de-rosa" com os "Os 12 de Inglaterra", que ao princípio eram 11, e com os "Magriços", futebolistas de 1966. 
«mentalidade mapa cor-de-rosa ... mandamos 11 pessoas pra lá, 11 combatentes»- 03.Jun.2021
«os 12 de que eu estava a falar há bocado eram os "Magriços"; foram resgatar a honra de 12 damas inglesas»- 03.Jun.2021
Bebedeira de asneiredo.

O posaconazol obducto não esconde a ojeriza à perseguição penal do enriquecimento não explicado e, sobretudo, à inversão do ónus da prova. É a parte, tenho isso bem presente, em que Vasco M. Barreto, que muito admiro, sugere que roço a calúnia; mas é a parte em que sou tentado a enquadrar a interrogação indignada de 10 meses atrás:
«Por que diabo eu hei-de dizer do meu património?»

Não é novidade que o gasolineiro aproveita todas as oportunidades mediáticas para se hispersusceptibilizar sempre que o lóbi LGBT+ é importunado.
Por exemplo, eu acredito que na nomeação do estimável paneleiro Penim pela declarada fufa Fonseca o factor homo- contou que fartou e porventura terá sido o argumento que mais sobrelevou na escolha. Mas isso sou eu que pouco ou nada faço por me escapulir ao rótulo "homofóbico".
O gasolineiro tem outra perspectiva:
«Pedro Penim é das maiores figuras do nosso teatro [É!? Ena!]. Fiquei muito contente que ele fosse para director do Teatro Nacional D. Maria II.»- 23.Set.2021

Pedro Faro, figura proeminente do activismo queer lisboeta:
«Há dias quase quase perfeitos. Hoje pude almoçar, no intervalo do trabalho, com muito Sol, com amigxs lindxs com quem posso conversar e partilhar quase tudo: A Yara Monteiro, o @pedroml e o meu bff @andreeteodosio** 💕 Ainda reencontrei outras pessoas lindas que por ali passavam. 🌈»- 02.Fev.2022
Cabemos cá todos. Bom proveito e bem haja.

//
«O Pedro Marques Lopes é asqueroso.»
Admito. JQ conhece-o bem.
Eu nem o cauteleiro conheço.

Mistério insondável é como insistem a TSF, a SIC e a Visão em pagar o palco opinativo de um mendicante destes, fraude gigantesca no comentariado nacional.
__________________________________________
* Lambe-botas bíblico, o gasolineiro não desperdiça oportunidades de bajular em conjunto a madrinha e a patroa.- 24.Jun.2021

** Refulgente vulto do pensamento contemporâneo que exigiu Panteão Nacional, nada menos, na morte do Manel.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Frinçasco Loucim

ÚLTIMA  HORA

O arcebispo Louçã diz «dignatário».

«a ditadura portuguesa recebe o dignatário da ditadura espanhola»

O colega conselheiro de Estado solidariza-se na indignidade linguística.
«ameaças de decapitação a grandes dignatários» 

«era o primeiro dignatário do reino»

«filhos de dignatários do regime»
Eduardo Paz Ferreira, marido da Francisca, professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa. 

E como sou um animal proléptico, antecipo com fortíssima probabilidade de acerto que dentro de quatro dias o ilustre advogado José Miguel Júdice irá dizer na televisão
«chefes de Estado e outros dignatários», sem que o levem preso.

dignitário, foda-se!
____________________________________
Está bem, sei, há dicionários que não sei quê, não sei que mais. Fodam-se.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Uma pessoa que existe

Apaniguada do Bloco de Esquerda, devota do leninismo-trotskismo da IV Internacional, causídica da religião Lux-Frágil e guardiã de seus ofícios, viúva perene do Manel, iniciou ontem no Público, com fanfarra e êxtase da seita salivante de bajuladores e seguidores, na caixa de comentários do jornal e no Twitter, a sua 'sementeira de alfarroba'.
Loira, consta que bonita. Ela concordará.
Formada em Direito ... na Universidade Católica? Não surpreende. Muitos licenciados ateus de renome, como Ricardo Araújo Pereira ou o próprio Posaconazol, vêm de lá. Mistérios da educação, talvez.

Dera pela sua existência em 2016, mas foi em 2021, com o assento no comentariado da TVI e no 'online' do Expresso, que emergiu com protagonismo regular no palco mediático nacional.
Daí para cá, existe que farta:
- logo a abrir, no Público, em "A esquerda radical", 7 'existências' gárrulas contra 1 tímido 'haver'.
Depois, incapaz de uma beliscadela, uma que seja, na medula responsabilizável do Bloco de Esquerda, que perdeu 74% dos deputados que elegera em 2019, ou na estratégia responsabilizável do PCP, que perdeu 50% do grupo parlamentar eleito em 2019, tem o desplante de se lhes referir como «partidos que aparentemente perderam as eleições». Perderam lá agora!

- na despedida do Expresso, "Sunday Bloody Sunday", 6 'existências' contra 4 'haveres'; e um solecismo sintáctico, «A música costuma ser boa companhia mesmo que seja uma que não se goste muito».
«uma de que não se goste muito», s.f.f.
«é altura de felicitar o novo governo, de desejar e exigir que faça um bom trabalho e que dialogue de facto com os partidos à sua esquerda. A geringonça nasceu da sua vontade, a maioria absoluta do seu sacrifício. O domingo foi sangrento.»
É preciso lata! Suspeito de que até a sensibilidade dos calhaus impediria a comparação de uma contenda eleitoral pacífica e as adivinháveis perdas das candidaturas comunistas com a chacina de 22.Jan.1905 em São Petersburgo e o morticínio de 30.Jan.1972 em Derry, legendada com a canção alusiva dos U2.
Domingo sangrento, senhora doutora? Pelo amor de Deus, haja respeito pelo sangue derramado e asseio nas equivalências!
Mas tenho de admitir que uma esquerdófila e BEata alucinada, existindo em demasia, possa ser acometida de dor em tal excruciante grau por causa de uma tareia galáctica do eleitorado no Bloco da sua afeição...
- n' "O regresso dos Talibãs" só pode ter-se distraído - 6 parcas 'existências' contra 10 honrosos 'haveres'. Mas o pior foi isto:
«Existe um consenso público relativamente à maldade dos Talibãs e é transversal da esquerda à direita, das mulheres aos homens. Esse consenso só conhece dissonâncias quando alguma esquerda se refere aos Talibãs como sendo extrema-direita ou quando surge a questão do acolhimento a refugiados ou a da análise da oportunidade e do mérito da intervenção dos Estados Unidos. Várias razões impedem-me de participar no consenso.»*
//
No serão de 25 para 26.Jul.2021, segunda-feira, esquadrinhei a intervenção na TVI24 desta pessoa que existe no debate acerca de Otelo Saraiva de Carvalho, falecido nesse domingo. **
Defendeu acerrimamente OSC, não lhe reconhecendo a menor mácula. O fascínio vem de longe. Apreciem-se os dois beijos repenicados — Tribunal da Boa Hora, 06.Abr.2001 —  da loirinha estagiária no rosto de um instigador moral de homicídios avulsos...

Disse ela:
- «É assim, as pessoas são humanas e ainda bem que o são»
As pessoas são humanas, ena! Finalmente alguém nos abre os olhos. Com a antropomorfização em curso da bicheza a gente já duvida de tudo, incluindo de os humanos serem pessoas... 

- «Ramalho Eanes … pessoa que interviu tão fortemente nos destinos de Portugal»
Repare-se na categoria da dupla chicuelina subtil com que Rogério Alves lhe templou a barbaridade linguística.
interveio, advogada burra!

E como ela existiu, senhores! ...
- «exista uma análise muito mais aprofundada ... as vítimas existiram, existiram em Portugal ... as conversas que existiram hoje nas televisões sobre o Otelo ... não tinha existido prova gravada ... a extrema direita que continua a existir ... talvez exista aqui alguma confusão ... quando existe a condecoração, eu diria que ...» 
//
Chamei-lhe lá atrás «viúva perene do Manel». Juro que não invento:
«Eu faço parte de um grupo que pensa no Manel todos os dias. [...]
Tem existido um silêncio … Tem existido um silêncio à volta de tudo o que tem a ver com o Manel…»

«Há ali uns acòrdos tácitos»
Convenhamos que não fica bem a uma jurista desconhecer a pronúncia de acordos.

Recheio completo:
“Da advocacia à Serra do Caldeirão, com ..." Uma pessoa que existe.
- Ó doutor Plúvio, garanta-nos cá que toda essa embirração com Uma pessoa que existe não advém da simpatia que começou por devotar ao marido...
__________________________________________
* «É claro que existia um objectivo que tinha a ver com os Estados Unidos assegurarem a segurança do seu território e acho que mais do que isso existia também uma obrigação de os Estados Unidos passarem uma mensagem mundial de força depois do ataque do 11 de Setembro que foi o ataque no coração onde morreram milhares — três mil são milhares sempre — de mártires e foi uma, mais do que  um ataque bélico, foi também uma ofensa e um ataque a que os estadunidenses tiveram que reagir da maneira que reagiram. E depois, vamos lá ver, havia o objectivo, esse que foi anunciado e estabelecido, de acabar com as bases da Al-Kaeda e com o Bin Laden, claro que sim. Agora, esse era o objectivo. Qualquer generosidade que nós queiramos trazer àquela intervenção militar... Aliás, se nos depararmos um bocadinho como é que ela é feita, ela é feita inicialmente com bombardeios aéreos. Isto significa, foi o que aconteceu de facto, foi a morte de milhares de civis. Quando estavam em Janeiro de 2002, já existia uma contagem de cinco mil baixas civis, no mínimo, no primeiro relatório oficial que foi feito. E vamos lá ver, qual é a diferença? Eu não estou a falar de talibãs, não estou a falar de lutadores, estou a falar de quem estava nas suas vidas no Afeganistão, um país totalmente destruído, totalmente massacrado por guerras sucessivas. Qual é a diferença entre aqueles civis, aqueles mártires, e os que estavam no 11 de Setembro? Estas pessoas morreram ao longo de anos e eu não vejo que alguém se tenha preocupado com a sua vida. Em relação a direitos humanos queria dizer-lhe o seguinte... [bebe, mulher, bebe!...]»
Note-se como a comentadora sorri na 'morte dos mártires americanos' e se compunge na 'morte dos mártires afegãos'. Esta gente não engana: odeia os EUA e compara o incomparável. 
Se Uma pessoa que existe tão intensamente acha que não há, perdão, existe diferença entre as mortes do 11 de Setembro e as mortes colaterais na expurga territorial do terrorismo islâmico, perdoe-me que lho diga mas não passará de consumada idiota.

** Pedro Adão e Silva filmou no velório. Comovente.