quarta-feira, 7 de setembro de 2011

João Cantigas Esteves

é um inoxidável economista cavaquista que acredita e confia em que este governo vai refundar o sentido da existência. Deus o oiça.
Eu ouvi-lhe ontem, com atenção empenhada, todas as palavras dos 13 minutos em que lhe tocou falar na conversa com o Mário Crespo.
Indo directamente ao que essencialmente conta, que isto nada como realmente, e descontando a palha intermitente, disse - afianço que disse - o senhor professor, ipsis verbis pela seguinte ordem sucessivamente:
Naturalmente claramente nomeadamente realmente claramente efectivamente completamente obviamente obviamente progressivamente evidentemente naturalmente praticamente actualmente naturalmente claramente claramente nomeadamente realmente completamente obviamente especificamente exactamente nomeadamente eventualmente eventualmente obviamente claramente absolutamente obviamente naturalmente precisamente nomeadamente completamente nomeadamente exactamente nomeadamente naturalmente minimamente tipicamente nomeadamente realmente nomeadamente exactamente frontalmente completamente sub-repticiamente exactamente nomeadamente precisamente provavelmente exactamente exactamente exactamente nomeadamente naturalmente novamente efectivamente efectivamente efectivamente eventualmente efectivamente nomeadamente provavelmente exactamente nomeadamente exactamente exactamente realmente.

Mais anunciou o professor, esconjurando o diabo, como se o Apocalipse tivesse ocorrido em 1995 e o Big Bang em 2011:
- estamos a falar de situações muito graves que têm 10, 15 anos*;
- temos um modelo económico que claramente esgotou nos últimos 10, 15 anos*;
- o que nós verificamos é que os últimos 10, 15 anos* foram completamente perdidos;
- tivemos os tais 15 anos* onde o Estado secou tudo à volta.

Todavia, o clímax dera-se pelo minuto 04:25, quando o inefável, sábio e profeta Cantigas proferiu de um fôlego o seguinte, condensando tudo o que estava dito e tudo o que estava por dizer:
- Eventualmente são três meses, obviamente é claramente. Fazer qualquer observação é absolutamente absurdo e prematuro.
Mário Crespo: Aqui fica a sua leitura.

* A memória RAM dos cavaquistas não dá para mais do que 15 anos certificados de desgraça. Lá para trás, uma difusa e encantada lembrança do professor Aníbal a alcatroar o paraíso.